senti teu cheiro num velho nojento de mais de sessenta anos chamado márcio
ouvi teu sotaque numa mulher de batom rosa-escuro na boca esticada de plástica e cabelo pintado de loiro
vi teus óculos num moleque baiano que ouvia funk no ônibus
lembrei das incontáveis bolinhas naquela tua blusa preta de lã - por isso perguntei se lavas tua própria roupa
lembrei das tuas mãos tentando me invadir quando a meia-calça que eu usava não estava nem perto da calcinha - por isso na tua cama disse que queria tirar tudo fora
lembrei dos teus olhos fugindo depois - me mandando embora pela catraca do metrô
tu me dizias tá errado
tu me dizias não me deixa entrar
sabe percebi que você muito provável fingiu o orgasmo, nunca nem vi gozo
sabe percebi que você muito provável
sabe percebi que pessoa assim é substituível
sai amor vem outro amor
porque eu posso e eu quero
sai vem sai vem
substituível mágoa
substituível eu
substituível você
quinta-feira, 9 de junho de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
cold and warm at the same time, my love, I hate you, I hate you, go away, don't ever talk to me again, I'm not yours, I'm cold, I'm cold, you made me cold, I hate you, I wanna sleep forever, don't leave me again, I'm nothing without you, leave me, please, leave me, my love, I can't stand you, I can't leave you, I love you, don't stay, I don't know what to do, fuck me, fuck me, right between my legs, oh they're so apart for you, oh so apart from you, you're my shadow, you're nothing, you're so far away, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I hate you, I set you apart, I HATE YOU with every part of my soul, you made me hate you, I want you, I need you, I miss you, I want you, come seed me, take me away, let's run away, let's drown, let's go to the middle of the ocean, let's die, let's marry, let's have kids, let's scream and run, fuck and run me, run me all over, run all over me, do what you like, don't run away from me, call me, leave me, hang up on me, hate me, puke your love, share your love, I hate your love, get my number, get my calls, get up and leave, get out of bed, I don't wanna get drunk because of you again, don't get drunk, lay me down, lay me down, I need you, I need it, I feel it inside me, I feel my hand adjusting it inside me, don't leave me, kill me, I can't stand this, love me, love me, feed me, I'll feed you, breastfeed you, love you, let you inside me, don't leave me, I hate you, I love you, I want you, you're my tequila, you're my lemon, you're nothing, you vanished, I vanished, I HATE YOU, I want you, it's nothing, we don't have nothing, come back to me, let's make love, let's have sex, let's get engaged, let's marry, let's have babies, let's kill each other, let's drop the gun, let's go to heaven, let us die, god, please, I can't stand being apart from you, I hate you, I don't want this, I want this back, I can't have it, I can't be with anyone else, I'm going mad today, I need your booze, I need your scent, I need the drinks you make, I need your hair, I need your eyes, god I love him, I can't go without him, I'm not sophia, I'm not kate, I'm not a good person, I hate good people, I hate you, above all things, above all these silly things, my love, my absentee, like st. vincent's songs, I left you, I'd leave you again and we both know it wasn't love, not anywhere close to love, it wasn't love, I'm over it, this is just all about bad hormones, my fucked up bad hormones.
terça-feira, 26 de abril de 2011
ele é frio e eu sou quente
Seu gosto é multicolorido como gosto de tudo ao mesmo tempo. Nunca senti gosto igual, é de todas as cores, todas as cores, da cor do teu coração batendo perto do meu ouvido, do carinho estranho tão alheio a nós dois que você faz no meu pescoço, apesar de eu detestar o seu jeito calado demais quando você sabe que deveria falar mais. Segura no meu pescoço, perto do meu cabelo. Me guia por você. Me guia e sente enquanto eu sinto que você vai de novo, enquanto eu misturo a minha voz com o seu gozo, e engulo que não sinto o gosto muito e já quero de novo, de novo, vai de novo, meu querido, vai de novo que eu quero sentir o gosto. Não vou te dizer nada disso mas você vai sentir. Não vou te dizer que acabou e que nunca mais quero te ver, mas você vai me ver comprando um isqueiro e uma revista e vou fumar no caminho pra casa, assim que a gente se separar, pra tirar o teu gosto de sabonete da boca, só pra isso.
terça-feira, 19 de abril de 2011
kickstarting my frankenstein soul
E eu digo, e de novo, e eu digo, acredito em você até hoje,
sinto seu cheiro nos vagões do metrô, nos homens no metrô,
cruzo meus olhos com os olhos dos homens na Augusta,
vejo sua cor de pele, seus olhos, em algum cara novo na minha vida
e ouço seu sotaque no bar,
seja lá com quem você esteja.
seja lá com quem você estiver,
assombra os meus dias.
sinto seu cheiro nos vagões do metrô, nos homens no metrô,
cruzo meus olhos com os olhos dos homens na Augusta,
vejo sua cor de pele, seus olhos, em algum cara novo na minha vida
e ouço seu sotaque no bar,
seja lá com quem você esteja.
seja lá com quem você estiver,
assombra os meus dias.
terça-feira, 22 de março de 2011
whistle whistle
Tento sempre ser sincera nas coisas que eu posto aqui (mesmo que eu não poste nada)
Meus dias têm sido cansativos, chatos, sem emoção, sem nada, cinza e bege, algumas das cores mais chatas. Geralmente chove ou garoa, e o meu cabelo estraga, meu cabelo que eu tingi mas que está insistindo em voltar a ser ruivo. Uso o moletom laranja do uniforme porque não é nem muito quente, nem muito frio. É ideal. Quando folgo três dias seguidos, como agora (folguei domingo, segunda, e hoje, terça), é como tirar férias a cada quinze dias. Me orgulho de ter passado o tempo todo jogada em casa, usando a calça esfarrapada de mendigo que a minha mãe insiste em querer jogar fora, só jogando no computador e, quando alguém me pede pra deixar o computador, jogando no DS. Aliás esse DS foi minha melhor aquisição. Já terminei de pagar. Minha bunda fica dolorida de ficar tanto tempo no computador, mas e daí? E daí?
Ultimamente eu sou só trabalho. E quando folgo assim eu digo pra mim mesma "preciso sair todos os dias. É minha folga, não posso ficar em casa." Ainda mais porque várias pessoas já me disseram que eu não arrumo um namorado porque quase não saio. Mas ficar em casa é maravilhoso. É lindo. Minha casa é meu abrigo, aqui dentro não chove, aqui dentro não tem nenhum Lucas, nenhum Victor, nenhum Du, nem nenhum desses meus recentemente adquiridos amigos-homens que me frustram porque eu não pego nenhum deles, não tem os clientes pervertidos e cheios de ameaças do trabalho, não tem os chefes desmiolados filhos da puta do trabalho. Tem só eu, minha mãe, meus periquitos, meu irmão. Ou seja, as pessoas que eu mais amo (tirando alguns amigos, que eu amo demais também).
Chegar em casa naquele dia foi como mergulhar numa piscina quentinha e aconchegante. Voltei pro meu útero, meu refúgio, meu ponto cômodo. Meu moletom laranja cheirava a cachorro, mas só na minha cabeça, porque ninguém mais tinha sentido o cheiro de cachorro em mim, só eu sentia, ou percebia, ou pensava que sentia. Meu cabelo mais do que estragado, porque, apesar do resfriado, eu tinha pego chuva o dia inteiro. Prendi com um grampo de uma colega, aliás, preciso devolver. Tudo cheirava a cachorro. Meu pulso direito tinha marcas dos dentes junto com um semi-hematoma. Minha mão esquerda ardia onde o cachorro tinha mordiscado, também. E eu sabia, sabia, que naquele moletom haviam as marcas das patas sujas, encardidas, podres, de pêlos emaranhados pela vida na rua, dele. Aquele cachorro preto.
Eu me sentia podre. Me sentia totalmente esmurrada pela vida. Mas não emocionalmente, era uma coisa mais física, e eu sempre digo, desde os meus 15 anos, qualquer dor física é suportável. As piores dores são as do coração. Eu estava podre. Cheguei em casa andando como zumba, mulher zumbi (miolos). Meu nariz escorria, eu tinha acessos de espirros a cada meia hora, eu me sentia feder, por causa do cachorro. Joguei a mochila em cima do sofá, meu irmão estava no computador, nem lembro se ele abriu a porta pra mim ou não. Já tinha decidido no caminho, dentro do ônibus, que tomaria banho. Tomei banho e lavei a cabeça, e dentro do banho, eu acordei. Saí de lá sabendo quem eu era e onde eu estava.
O cachorro me marcou. Eu só queria espantá-lo (no Sesc não entram cachorros. Eu só queria que ele me seguisse pra longe dali) mas ele grudou em mim, ele começou a morder minhas mãos, a pular na minha perna, a fazer coisas extremamente constrangedoras. Eu tentava controlá-lo à la O Encantador de Cães, dando uns chutinhos e tapas nele, mas o filho da puta não desgrudava de mim. Ele insistia, e pulava, e mordia, brincando, feliz da vida, como se a chuva, o meu resfriado, o meu coração quebrado, ah, cara, ele não via nada disso. Eu era só uma perna. E ele, tão diferente dos outros cachorros que eu já conheci. Ele queria dizer alguma coisa. Ele me queria, de alguma forma, prestando atenção só nele. Então uma moça passou e disse
"Olha, o cachorro cismou com a moça!"
Eu já não sabia mais o que fazer com aquele cachorro lindo, velho, esfrangalhado de rua. Então, já sei, vou atravessar a rua e, com sorte, algum carro atropela ele. Nada, atravessamos, eu e meu cachorro preto, meu sabujo caçador, meu Lassie preto vagabundo, atravessamos. Cheguei na porta do mercado que tem em frente ao Sesc. Entrei, olhei pra trás. Fachada verde, tinta verde, tapete verde, e o cachorro ficou lá. Eu apontei e disse, triunfante "HAHA, aqui você não entra!"
Aquele cachorro era uma metáfora. Ele existiu, esteve lá, sujou minhas roupas, deixou um hematoma no meu pulso, mas foi tão efêmero quanto o dia que eu passei com o Lucas. Como diz aquela música do She & Him, a música mais linda deles (http://www.youtube.com/watch?v=BfCBJR55GYE): "I somehow see what's beautiful in things that are ephemeral."
Foi o que foi e acabou. Eu vou ver aquele cachorro de vez em quando ou talvez todos os dias, mas deus, eu espero que ele não se lembre mais de mim, nunca mais.
Meus dias têm sido cansativos, chatos, sem emoção, sem nada, cinza e bege, algumas das cores mais chatas. Geralmente chove ou garoa, e o meu cabelo estraga, meu cabelo que eu tingi mas que está insistindo em voltar a ser ruivo. Uso o moletom laranja do uniforme porque não é nem muito quente, nem muito frio. É ideal. Quando folgo três dias seguidos, como agora (folguei domingo, segunda, e hoje, terça), é como tirar férias a cada quinze dias. Me orgulho de ter passado o tempo todo jogada em casa, usando a calça esfarrapada de mendigo que a minha mãe insiste em querer jogar fora, só jogando no computador e, quando alguém me pede pra deixar o computador, jogando no DS. Aliás esse DS foi minha melhor aquisição. Já terminei de pagar. Minha bunda fica dolorida de ficar tanto tempo no computador, mas e daí? E daí?
Ultimamente eu sou só trabalho. E quando folgo assim eu digo pra mim mesma "preciso sair todos os dias. É minha folga, não posso ficar em casa." Ainda mais porque várias pessoas já me disseram que eu não arrumo um namorado porque quase não saio. Mas ficar em casa é maravilhoso. É lindo. Minha casa é meu abrigo, aqui dentro não chove, aqui dentro não tem nenhum Lucas, nenhum Victor, nenhum Du, nem nenhum desses meus recentemente adquiridos amigos-homens que me frustram porque eu não pego nenhum deles, não tem os clientes pervertidos e cheios de ameaças do trabalho, não tem os chefes desmiolados filhos da puta do trabalho. Tem só eu, minha mãe, meus periquitos, meu irmão. Ou seja, as pessoas que eu mais amo (tirando alguns amigos, que eu amo demais também).
Chegar em casa naquele dia foi como mergulhar numa piscina quentinha e aconchegante. Voltei pro meu útero, meu refúgio, meu ponto cômodo. Meu moletom laranja cheirava a cachorro, mas só na minha cabeça, porque ninguém mais tinha sentido o cheiro de cachorro em mim, só eu sentia, ou percebia, ou pensava que sentia. Meu cabelo mais do que estragado, porque, apesar do resfriado, eu tinha pego chuva o dia inteiro. Prendi com um grampo de uma colega, aliás, preciso devolver. Tudo cheirava a cachorro. Meu pulso direito tinha marcas dos dentes junto com um semi-hematoma. Minha mão esquerda ardia onde o cachorro tinha mordiscado, também. E eu sabia, sabia, que naquele moletom haviam as marcas das patas sujas, encardidas, podres, de pêlos emaranhados pela vida na rua, dele. Aquele cachorro preto.
Eu me sentia podre. Me sentia totalmente esmurrada pela vida. Mas não emocionalmente, era uma coisa mais física, e eu sempre digo, desde os meus 15 anos, qualquer dor física é suportável. As piores dores são as do coração. Eu estava podre. Cheguei em casa andando como zumba, mulher zumbi (miolos). Meu nariz escorria, eu tinha acessos de espirros a cada meia hora, eu me sentia feder, por causa do cachorro. Joguei a mochila em cima do sofá, meu irmão estava no computador, nem lembro se ele abriu a porta pra mim ou não. Já tinha decidido no caminho, dentro do ônibus, que tomaria banho. Tomei banho e lavei a cabeça, e dentro do banho, eu acordei. Saí de lá sabendo quem eu era e onde eu estava.
O cachorro me marcou. Eu só queria espantá-lo (no Sesc não entram cachorros. Eu só queria que ele me seguisse pra longe dali) mas ele grudou em mim, ele começou a morder minhas mãos, a pular na minha perna, a fazer coisas extremamente constrangedoras. Eu tentava controlá-lo à la O Encantador de Cães, dando uns chutinhos e tapas nele, mas o filho da puta não desgrudava de mim. Ele insistia, e pulava, e mordia, brincando, feliz da vida, como se a chuva, o meu resfriado, o meu coração quebrado, ah, cara, ele não via nada disso. Eu era só uma perna. E ele, tão diferente dos outros cachorros que eu já conheci. Ele queria dizer alguma coisa. Ele me queria, de alguma forma, prestando atenção só nele. Então uma moça passou e disse
"Olha, o cachorro cismou com a moça!"
Eu já não sabia mais o que fazer com aquele cachorro lindo, velho, esfrangalhado de rua. Então, já sei, vou atravessar a rua e, com sorte, algum carro atropela ele. Nada, atravessamos, eu e meu cachorro preto, meu sabujo caçador, meu Lassie preto vagabundo, atravessamos. Cheguei na porta do mercado que tem em frente ao Sesc. Entrei, olhei pra trás. Fachada verde, tinta verde, tapete verde, e o cachorro ficou lá. Eu apontei e disse, triunfante "HAHA, aqui você não entra!"
Aquele cachorro era uma metáfora. Ele existiu, esteve lá, sujou minhas roupas, deixou um hematoma no meu pulso, mas foi tão efêmero quanto o dia que eu passei com o Lucas. Como diz aquela música do She & Him, a música mais linda deles (http://www.youtube.com/watch?v=BfCBJR55GYE): "I somehow see what's beautiful in things that are ephemeral."
Foi o que foi e acabou. Eu vou ver aquele cachorro de vez em quando ou talvez todos os dias, mas deus, eu espero que ele não se lembre mais de mim, nunca mais.
segunda-feira, 14 de março de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
E quando o próximo aparecer eu juro que vou cantar:
these are just ghosts that broke my heart before I met you
these are just ghosts that broke my heart before I met you
lover please do not fall to your knees
it's not like I believe in
everlasting love
O barco azul, pintado de azul, e as velas brancas. Não se via nada além do mar. O som do mar ia e vinha, ia e vinha. E o som do sol. Ela deixou seu corpo pender pela borda. Os óculos escuros deslizaram. O chapéu voou. Os cabelos subiram com a brisa e ela sorriu. Tudo era perfeito e calmo como deveria ser. E os dedos encostaram na água. E o braço, os ombros, o pescoço, o queixo, os lábios. Os olhos embaixo d'água e então os seios, o tronco, as pernas. Ela girou o corpo para cima e sentiu as bolhas subirem. Quis chorar mas chorar debaixo dágua seria redundância demais. Ela sorriu novamente e deixou seu corpo ser arrastado, cada vez mais para o fundo, sabendo que nada nem ninguém nem deus a salvaria. Não é preciso sal para ela. Ela foi salva quando aceitou a morte.
these are just ghosts that broke my heart before I met you
these are just ghosts that broke my heart before I met you
lover please do not fall to your knees
it's not like I believe in
everlasting love
O barco azul, pintado de azul, e as velas brancas. Não se via nada além do mar. O som do mar ia e vinha, ia e vinha. E o som do sol. Ela deixou seu corpo pender pela borda. Os óculos escuros deslizaram. O chapéu voou. Os cabelos subiram com a brisa e ela sorriu. Tudo era perfeito e calmo como deveria ser. E os dedos encostaram na água. E o braço, os ombros, o pescoço, o queixo, os lábios. Os olhos embaixo d'água e então os seios, o tronco, as pernas. Ela girou o corpo para cima e sentiu as bolhas subirem. Quis chorar mas chorar debaixo dágua seria redundância demais. Ela sorriu novamente e deixou seu corpo ser arrastado, cada vez mais para o fundo, sabendo que nada nem ninguém nem deus a salvaria. Não é preciso sal para ela. Ela foi salva quando aceitou a morte.
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