segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

love doesn't change anything at all

então é isso, de volta à estaca zero, Letícia. de volta à sua situação de um ano e pouco atrás. sozinha, rejeitada, rechaçada, amada por uns, stalkeada por outros, mas de volta à estaca zero. era amor, com certeza, tudo o que eu senti por todos eles? e agora de volta à solidão. adicional de agora? bebida e iPod touch e Nintendo DS. o calendário virou, virou, e eu aqui. agora não consigo mais nada. quem vai ser o outro filho da puta que vai me tirar desse buraco?

por que a gente tem que ficar sozinho? por que eu não consigo um namorado? por que eu tinha que ser tão afetuosa, carinhosa, por que eu tinha que ser assim? eu poderia muito bem ter um coração de gelo mesmo, eu teria sofrido tão menos, meu deus. é algum tipo de doença, alguma coisa contagiosa. como eu sou boba, tonta, como eu fui idiota. eu não entendo. eu não sei o que eu fiz pra merecer. a vida não tem graça e não tem felicidade sem amor, nem que seja uma paixonite boba qualquer. aí vem um cara novo e DO NADA me diz que me ama, e esse filho da puta mora no RN. é muita zica. as coisas não são assim.

por isso eu vou ouvir Aimee Mann. por isso eu vou virar sei lá uma lesma gorda que só se dedica ao trabalho. temos de um lado:
o cara do RN, que eu provavelmente nunca vou conhecer, mas que me jura amor de um jeito que me faz desconfiar
e do outro:
o cara do trabalho, que é virgem, talvez nunca nem tenha beijado (eu suspeito), todo certinho, enquanto eu sou a coisa mais errada, bêbada, (ex?)fumante bêbada, que perdeu a virgindade por impulso e afeição (puta?), que de alguma forma sempre se lembra do ex. sou também a idiota que dá pra ele todas as dicas explicitamente que eu provavelmente gosto dele também, e NÃO, ele não faz nada quando nós dois estamos sozinhos.

sinceramente? eu acho tudo isso uma putaria. um complô de alguma coisa estranha pra que eu fique sozinha. caralho, eu não sou bonita? não sou ruiva e tenho cara de 15 anos? tá, tudo bem que eu uso aparelho, mas e daí? não tenho um emprego bom e razoavelmente bastante dinheiro agora? não sou afetuosa, carinhosa, dedicada, talvez até boa de cama, engraçada, inteligente? caralho, o que acontece?

alguém me explica. já fiz 3 anos de terapia. já segui todo tipo de conselho. já tentei de tudo, menos sei lá, macumba. preciso fazer uma macumba pra arrumar alguém então? mas que bosta, que saco. não sei o que é isso, o que significa isso. agora sou uma bêbada desgraçada e ninguém me pega mais, nem quando eu tô bêbada. saporra de amor, sei lá, namorado, vai aparecer quando eu não quiser mais.

mas vai chegar o dia em que eu não vou querer mais? vai tomar no cu. minha vida é uma palhaçada. um tipo de inferninho e só eu entendo o porquê, acho que todo mundo deve me achar uma idiota por falar isso, minha vida é até boa e nhénhénhé.

é, nada. eu não tenho amor, logo, eu não tenho nada.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

fundo e fundo dos olhos

olhos verdes, sorrisos
olhos castanhos, ruivos
grama, campos
florestas, ursos
abraços, calos nas tuas mãos
suas mãos firmes, seus toques
extinção do mês passado
um rio de cores nos teus olhos
azul com verde, e castanho
não é a cor deles
é o jeito como você me olha
e se eu retribuo, e a gente segura os olhos um do outro
é uma cumplicidade sem fim
é cumplicidade de amor, e você
de onde você apareceu
onde você estava?
onde você nasceu, dez dias depois de mim?
tão perto e eu nunca te descobri
fui te achar tão longe daqui

depois de tudo, que deus permita
que deus me permita, depois de tudo
vamos ser felizes, só um pouquinho
eu só peço, e peço com um por favor sozinho

eu estou apaixonada é estabelecido
se for estabelecido eu sou só sua
se for estabelecido esqueço as outras possibilidades
se eu estabelecer que deus permita
que eu seja feliz com você
que nós sejamos mesmo cúmplices
você é a carne que eu quero comer onde eu ganho o pão
vem buscar meus olhos castanhos
que eu quero buscar os seus verdes

por favor

mais lixo

eu me lembro de ter me jogado nos braços dela.
e chorado e me agarrado nas roupas dela.
era de manhã e eu tinha segurado o choro a noite inteira.
grudada na frente de uma tela, segurando e desviando lágrimas que eu sabia,
eu sabia,
não poderia desviar mais quando amanhecesse.

e assim foi e eu me joguei no sofá.
fingi que tava tudo bem, vi um desenho, não, eu não queria mais chorar.
mas quem escolhe quem te quebra o coração?
você geralmente sabe, aliás, você SEMPRE sabe,
quando alguém vai quebrar o seu coração,
ou quando alguém não vai.

você sente, você cheira algo estranho,
você não consegue sentir nada.
eu pus as duas mãos ao redor do rosto dele.
estava escuro e estava claro.
eu entediada como nunca, decidi fazer alguma coisa diferente.
e pus as duas mãos no rosto dele, segurei.
nós dois tínhamos muito essa coisa dos olhos.
eu lembro dos olhos dele, me olhando meio de lado, de um jeito muito específico,
como se estivesse mesmo apaixonado.
segurei e olhei, e soltei,
e ele me disse que se estivesse mais bêbado, diria eu te amo.
é cedo, eu disse, porque eu não sentia nada.
não adianta mentir mais.
eu não sentia amor daquela forma.
mas queria tanto estar apaixonada que me apaixonei.
e quando ele disse, muito depois, que na verdade não sentia nada,
eu soube.
eu soube mas tentei do mesmo jeito.
ele soube e não quis tentar, talvez ele tenha tido medo.
e agora eu ainda tô parada aqui, amigo, ainda.
ele já tem outra, isso é óbvio, por isso eu me afastei.
foi por isso, pra não ter que aguentar ele com ela.
e eu aqui, parada.
queria que ele soubesse que eu não consegui ficar com mais ninguém até agora.
não sei, só não consegui.