já é a terceira vez que eu falo, mas quando estou feliz, realmente não tenho nenhum tipo de inspiração concreta (vide abaixo). estou esperando essa inspiração aparecer. quando aparecer, vou postar um puta dum texto ou poema aqui.
até lá, até.
domingo, 27 de junho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
porque em inglês é melhor
Não sei o que dizer aqui, só sei que quero dizer alguma coisa. A casa está silenciosa, a rua está silenciosa, exceto pelos meus sons, pelo tlic tlac do teclado, pela música revoltada que eu estou ouvindo agora. Agora são 1:35. Só quero dizer alguma coisa, mas não sei o quê. Meu método é simplesmente escrever. Não sei realmente o que dizer sobre mim. Parece que eu estou cheia até a borda, e cansada de dizer que estou cheia até a borda. Dormi a tarde inteira. O que fazer de mim? Eu não sei. Eu estou cansada, estou com sono. São 1:36 agora. O tempo passa devagar demais. E devagar às vezes é rápido. Meus sentimentos, o que é isso. São 1:36 ainda. O tempo não passa, eu insisto, e observo o relógio. São 1:37 agora. Os minutos passam, se tornam horas, se tornam dias, se tornam meses, se tornam uma coisa enorme chamada vida, mas eu estou aqui ainda. Não passou tempo nenhum. Não sei medir esse tempo. Adoro essa música. Ela tem três minutos e quarenta e quatro segundos, e eu vou ouvir esse tempo de música, e o tempo vai passar, e eu não vou perceber. Mas se eu parar a música e olhar para o relógio, o tempo não passa. Eu preciso de natureza. Estou precisando de natureza. Quero tantas coisas. Me sinto quebrada por dentro, como se alguém tivesse me dado uma paulada, como se eu fosse um cachorrinho acuado, ferido, vermelho, num canto, que tomou uma paulada, mas esse cachorrinho tem consciência de que mereceu a paulada. E quer essa paulada novamente, deseja a paulada de volta, mas sente que fez alguma coisa grave, e a paulada está prestes a ir embora. O cachorrinho sempre sente que está sendo deixado para trás. Todo mundo algum dia vai abandoná-lo. Todos vão embora. Ninguém vai ficar com ele. Ele vai ficar sozinho, sozinho, e que medo enorme de todo mundo ir embora. Cachorro carente, cachorro que ama fácil, que desama fácil. Cachorro. Eu sou muito mais um cachorro do que eu. Assim, me represento agora, como me sinto nesse momento. Eu sinto que fiz alguma coisa gravíssima, alguma coisa irreversível, que disse algo que não deveria, como se alguém tivesse aberto uma válvula em mim hoje. Hoje falei e não falei nada. Hoje não falei nada e falei alguma coisa. Estou com vontade de chorar, e com vontade de bocejar. Olha, já são 1:42. Estou me sentindo melhor. Estou melhor. Já é outra música, mal prestei atenção naquela que eu disse que adoro. Não sei se sei fechar minhas feridas sozinha. Vou ficar assim para sempre, por causa do meu pai? É por isso que não vou ter filhos. Meu pai foi embora, e agora eu penso que todas as outras pessoas vão, também. Não é que seja mentira isso, porque todo mundo vai embora, sim, mas eu tenho que aprender a aproveitar enquanto as pessoas estão aqui. Por que ficar esperando o momento em que meu pai vai embora (meu pai aqui é qualquer pessoa que se aproxime de mim), por que não aproveitar enquanto ele ainda está aqui? Tenho que aprender a fazer isso, faz-de-mim. Vou fazer o meu melhor, vou fazer o meu melhor! E um ponto de exclamação para que fique bem claro. É tudo tão dramático. Será que é verdade? Eu sou assim mesmo? Ou sou só eu, eu e eu? Sou só eu. Não sou assim, tudo isso de drama. Sou só eu. Eu sou tudo isso, e me aceito com tudo isso, e me quero com tudo isso, e não aceito de outra forma. Pai é uma coisa estranha. Eu não sei se amo meu pai. Acho que sim. Apesar de tudo, todo mundo ama os pais, e, se falta um, amamos mesmo assim. E agora são 1:47. Dez minutos se passaram. Eu estou bem melhor. Adoro essa música aqui, também. Minhas costas estão coçando. Tudo continua em silêncio, exceto pelo tlac tlic do meu teclado.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
ai de mim
Essa maldita terapeuta continua me cobrando amor. Amor é o seu cu, é o seu cu, é o seu cu. Eu não amo ninguém. Não sei o que acontece com ela. Estou fora dos padrões. Sabe, oi, tem alguma coisa de angústia dentro de mim. Angústia pequena que eu não sei dizer de onde vem. Estou me repetindo uma pergunta. Sou eu quem cobra ou são os outros? Eu amo minha mãe. Mas não amo ninguém. Coisas difíceis, coisas que não me perturbam, eu estou bem, haha, estou muito bem. Não quero encontrar algo de errado, porque não tem nada errado. Eu estou feliz. Estou bem, muito bem, muito bem, mas não quero que ninguém mais me cobre amor. Não vou aceitar mais isso, a partir de hoje não vou mais aceitar isso. Percebi que o amor é muito maior do que qualquer coisa que eu já tenha sentido por qualquer cara que passou pela minha vida. Nada daquilo foi amor. O amor virá? Ainda está por vir? Não é irônico, extremamente engraçado, que o amor não tenha NADA a ver com beijos? Estou organizando meus sentimentos dentro de mim. Esse texto sou eu organizando os meus sentimentos. Minha cabeça é um armário. Ele já esteve lotado de jarras de lágrimas. Já esteve lotado de brinquedos. Já esteve lotado de preocupações. Lotado de tempo, e outras vezes sem tempo nenhum.
Não aceito mais, NÃO ACEITO MAIS que ninguém me cobre amor por um homem. Nem eu mesma. Não tolero mais isso. Vocês querem o meu bem? Você quer é que eu seja como você, que tenha um marido, que viva o grande amor que você julga ter vivido. Eu não sou, eu não vou, eu não quero. NÃO ME COBRE MAIS AMOR.
Não me cobre mais amor, não me cobre mais nada. Eu não aceito mais. Acabou o meu tempo, já fazem 4 anos. Já tirei tudo o que eu podia daqui.
Letícia, lembrete: acaba logo com a terapia. Deixa de ser a cagona que você é.
Não aceito mais, NÃO ACEITO MAIS que ninguém me cobre amor por um homem. Nem eu mesma. Não tolero mais isso. Vocês querem o meu bem? Você quer é que eu seja como você, que tenha um marido, que viva o grande amor que você julga ter vivido. Eu não sou, eu não vou, eu não quero. NÃO ME COBRE MAIS AMOR.
Não me cobre mais amor, não me cobre mais nada. Eu não aceito mais. Acabou o meu tempo, já fazem 4 anos. Já tirei tudo o que eu podia daqui.
Letícia, lembrete: acaba logo com a terapia. Deixa de ser a cagona que você é.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
letras, música
já me disseram que sou tantas coisas.
sou tantas coisas.
não sou nada, absolutamente nada.
sem essa sonolência, esse frio na barriga.
é meu.
é hoje, é amanhã.
quero chorar de frio na barriga.
é bom, é gostoso.
quando isso tudo vem,
tudo é tudo.
tudo é isso.
sono, sono, é luz lá fora.
é sol, é felicidade.
saindo.
todo mundo sai correndo.
deus é lindo.
quem é deus?
isto, que representa deus, é lindo.
obrigada por me dar o melhor dia da minha vida.
tenho medo, às vezes.
mas faço o meu melhor, todas as vezes.
é exatamente do jeito que você disse que seria.
continuo, continuo.
o que é feliz?
o que me define?
vejo meus contornos.
vejo os carros, vejo as pessoas, vejo isto, vejo aquilo.
não tem estética, não está certo, não tem letra maiúscula no começo.
são os meus sentimentos.
tem coisas que eu não entendo,
e pessoas que eu conheço que gostam de sofrer.
sou minha única amiga, não sou?
pensei ter visto seu rosto hoje.
quantas memórias do seu querido rosto.
e quanto sono.
quantas memórias.
eu sou amor de inverno.
eu sou oito,
sete, nove, dez.
sou tinta, sou tudo.
sou carne, sou partes, sou tudo junto, sou eu.
é exatamente do jeito que você disse que seria.
não é nada,
nada,
nada,
nada,
nada mesmo.
sou tantas coisas.
não sou nada, absolutamente nada.
sem essa sonolência, esse frio na barriga.
é meu.
é hoje, é amanhã.
quero chorar de frio na barriga.
é bom, é gostoso.
quando isso tudo vem,
tudo é tudo.
tudo é isso.
sono, sono, é luz lá fora.
é sol, é felicidade.
saindo.
todo mundo sai correndo.
deus é lindo.
quem é deus?
isto, que representa deus, é lindo.
obrigada por me dar o melhor dia da minha vida.
tenho medo, às vezes.
mas faço o meu melhor, todas as vezes.
é exatamente do jeito que você disse que seria.
continuo, continuo.
o que é feliz?
o que me define?
vejo meus contornos.
vejo os carros, vejo as pessoas, vejo isto, vejo aquilo.
não tem estética, não está certo, não tem letra maiúscula no começo.
são os meus sentimentos.
tem coisas que eu não entendo,
e pessoas que eu conheço que gostam de sofrer.
sou minha única amiga, não sou?
pensei ter visto seu rosto hoje.
quantas memórias do seu querido rosto.
e quanto sono.
quantas memórias.
eu sou amor de inverno.
eu sou oito,
sete, nove, dez.
sou tinta, sou tudo.
sou carne, sou partes, sou tudo junto, sou eu.
é exatamente do jeito que você disse que seria.
não é nada,
nada,
nada,
nada,
nada mesmo.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
você nunca me viu triste, acredite em mim
de todos os dias, não há dias mais felizes.
não há dias mais cheios, dias mais lotados.
pronto, desisti, tirei meu corpo fora, e a história saiu.
vida, o que é isso?
o que está acontecendo com você, que sempre foi sólida, pesada, triste, e vazia, que sempre seguiu viva, apesar de morta?
lembra daquela época, quando você estava lá, sozinha, com aquela sua classe que você odiava, com aquelas pessoas que você detestava, com aquele corrimão azul e aquele sol gostoso batendo no seu rosto?
lembra que naquela época você se considerava feliz?
o que é isso, então? um passo além da felicidade? aquilo não era felicidade, não.
isto, agora, é.
não entendo a minha felicidade, pode ser?
não entendo o que acontece, ultimamente, pode ser?
quero chorar agora, pode ser?
porque ontem desejei que o ônibus viesse, e ele VEIO.
porque ontem não quis mais que as coisas acontecessem, e deixei nas mãos das outras pessoas, e as coisas ACONTECERAM.
coisas simples, coisas assim e assim, que me fazem pensar que tem alguma coisa diferente no ar.
estou livre.
estou livre.
finalmente.
não há dias mais cheios, dias mais lotados.
pronto, desisti, tirei meu corpo fora, e a história saiu.
vida, o que é isso?
o que está acontecendo com você, que sempre foi sólida, pesada, triste, e vazia, que sempre seguiu viva, apesar de morta?
lembra daquela época, quando você estava lá, sozinha, com aquela sua classe que você odiava, com aquelas pessoas que você detestava, com aquele corrimão azul e aquele sol gostoso batendo no seu rosto?
lembra que naquela época você se considerava feliz?
o que é isso, então? um passo além da felicidade? aquilo não era felicidade, não.
isto, agora, é.
não entendo a minha felicidade, pode ser?
não entendo o que acontece, ultimamente, pode ser?
quero chorar agora, pode ser?
porque ontem desejei que o ônibus viesse, e ele VEIO.
porque ontem não quis mais que as coisas acontecessem, e deixei nas mãos das outras pessoas, e as coisas ACONTECERAM.
coisas simples, coisas assim e assim, que me fazem pensar que tem alguma coisa diferente no ar.
estou livre.
estou livre.
finalmente.
folly, folly, adoro essa palavra
I told you how I felt the earth could move
the folly of
a monster love
like you
houve uma época em que essa música exprimia perfeitamente meus sentimentos.
the folly of
a monster love
like you
houve uma época em que essa música exprimia perfeitamente meus sentimentos.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
bonança?
Minha cabeça: uma confusão tremenda. "Não vou ter tempo para nada, hoje, e isso me sufoca".
Bichos sem pernas correm para todos os lados. Um funcionário de um escritório corre de um lado para o outro, vestido de bailarina. Aquele idiota não entendeu o que é o "surreal".
Faço o meu melhor, é o meu melhor, sempre, não posso colocar meu coração. Não posso colocar meu coração em tudo, assim, dessa forma, porque é assim que ele se destroça. Meu coração está, sem dúvida, em tudo o que eu faço, em tudo o que eu toco, em tudo o que eu escrevo, eu tudo o que eu digo. Não tenho como negar meu coração, fluindo pelos meus gestos. Não posso ser culpada por isso. Meu coração deveria ficar guardado dentro de mim, mas não está. Ele se intromete, entra por cada trabalho meu. E escrevo isso aqui só porque quero que os outros saibam o que eu estou passando, quando na verdade ninguém lê essa porcaria toda. Meu coração está em profusão, está escorrendo, estou chorando. Mas que saco, que revolta, que indignação. Não me entendo, não me entendo. Só sei as coisas que eu quero, e que posso lutar por elas. E não me sinto bem, me sinto mal, mal, mal. Quero chutar tudo, acabar com tudo, ser quem eu sou. E ser quem eu sou é o último passo, a última etapa, o último grito, a última linha de criatividade dentro de mim. Uma teia enorme sai de dentro do meu peito, tecida por mim mesma, e leva para longe, longe. Estou presa, estou solta. E meu deus, quero voltar pro trabalho. Odiei férias, odiei espaço ocioso, odiei tempo de sobra, e tempo para nada. Quero minha ocupação de volta. Quero outro emprego.
Na verdade, sou uma filha da puta que só sabe chorar. Eu me odeio agora, aqui, agora, eu me odeio. Mas que revolta, que coisa crescendo dentro de mim que me impede de ser feliz. Mas não é isso, querida, eu estou feliz, não é que eu não esteja feliz, eu estou feliz, mas não me sinto bem porque estou frustrada, porque a vida não é um mar de rosas, e sei que vou aprender com tudo isso, mas sou novae burra e justifico meus erros por ser nova e burra e burra e burra e burra e lerda e tudo isso junto, tudo isso junto me leva a ser triste, sou triste ou estou triste?
Onde estão as respostas, meu deus? Deus está rindo, deus está gargalhando, deus está me percorrendo por dentro. E eu não sei mais o que eu sou, massa de carne disforme frustrada, jogada no chão. Isso é forte demais para mim, que escrevo e leio. Ninguém vai ler isso aqui. Queria que alguém lesse. Mas queria que ninguém visse nada. Não sei escrever direito. Estou puta da vida, estou frustrada, e já são duas horas. Meu dia está passando, escorrendo. Amo o dia, odeio o dia, odeio tudo, odeio tudo, estou brava, só me sinto mal. Despolpe-me novamente. Onde estou eu? E você? Quem é você, terceiro? Meu ausente? Quem sou eu? Não sei de mais nada.
Sumo.
Bichos sem pernas correm para todos os lados. Um funcionário de um escritório corre de um lado para o outro, vestido de bailarina. Aquele idiota não entendeu o que é o "surreal".
Faço o meu melhor, é o meu melhor, sempre, não posso colocar meu coração. Não posso colocar meu coração em tudo, assim, dessa forma, porque é assim que ele se destroça. Meu coração está, sem dúvida, em tudo o que eu faço, em tudo o que eu toco, em tudo o que eu escrevo, eu tudo o que eu digo. Não tenho como negar meu coração, fluindo pelos meus gestos. Não posso ser culpada por isso. Meu coração deveria ficar guardado dentro de mim, mas não está. Ele se intromete, entra por cada trabalho meu. E escrevo isso aqui só porque quero que os outros saibam o que eu estou passando, quando na verdade ninguém lê essa porcaria toda. Meu coração está em profusão, está escorrendo, estou chorando. Mas que saco, que revolta, que indignação. Não me entendo, não me entendo. Só sei as coisas que eu quero, e que posso lutar por elas. E não me sinto bem, me sinto mal, mal, mal. Quero chutar tudo, acabar com tudo, ser quem eu sou. E ser quem eu sou é o último passo, a última etapa, o último grito, a última linha de criatividade dentro de mim. Uma teia enorme sai de dentro do meu peito, tecida por mim mesma, e leva para longe, longe. Estou presa, estou solta. E meu deus, quero voltar pro trabalho. Odiei férias, odiei espaço ocioso, odiei tempo de sobra, e tempo para nada. Quero minha ocupação de volta. Quero outro emprego.
Na verdade, sou uma filha da puta que só sabe chorar. Eu me odeio agora, aqui, agora, eu me odeio. Mas que revolta, que coisa crescendo dentro de mim que me impede de ser feliz. Mas não é isso, querida, eu estou feliz, não é que eu não esteja feliz, eu estou feliz, mas não me sinto bem porque estou frustrada, porque a vida não é um mar de rosas, e sei que vou aprender com tudo isso, mas sou novae burra e justifico meus erros por ser nova e burra e burra e burra e burra e lerda e tudo isso junto, tudo isso junto me leva a ser triste, sou triste ou estou triste?
Onde estão as respostas, meu deus? Deus está rindo, deus está gargalhando, deus está me percorrendo por dentro. E eu não sei mais o que eu sou, massa de carne disforme frustrada, jogada no chão. Isso é forte demais para mim, que escrevo e leio. Ninguém vai ler isso aqui. Queria que alguém lesse. Mas queria que ninguém visse nada. Não sei escrever direito. Estou puta da vida, estou frustrada, e já são duas horas. Meu dia está passando, escorrendo. Amo o dia, odeio o dia, odeio tudo, odeio tudo, estou brava, só me sinto mal. Despolpe-me novamente. Onde estou eu? E você? Quem é você, terceiro? Meu ausente? Quem sou eu? Não sei de mais nada.
Sumo.
sábado, 12 de junho de 2010
?
O frio tem trazido de volta dores que eu pensei que não estivessem mais comigo. Dores físicas nas mãos, dores emocionais, dores de passado de escola, de vento em dia ensolarado, de cartas de amor platônico, de cores escuras. E eu não deveria reclamar, meus dias têm sido bons, meus dias têm sido felizes, mas não é isso. Não sei se meus dias têm sido felizes. Hoje foi um dia feliz, mas tudo parece frustrante quando eu chego em casa. Ou não?
Eu não sei qual é o meu tipo sanguíneo. E parece que estou sempre com sono. Se sou forçada a acordar cedo, me arrumo, deito no sofá, cochilo e só depois saio. Perco a hora, procuro por lugares que ninguém sabe dizer onde ficam, tomo um ônibus, e garoa. Leio um livro, trinta páginas, depois mais dez, onde estou? Mãe, onde eu estou? Quero só ficar aqui em casa. Preciso de uma cirurgia. Vou conseguir uma cirurgia, will it cure my blushes, will it bring out my best?
E é tarde, não posso ficar acordada até tarde, estou com muito sono, estou com muito sono e muita dor nas mãos e muita dor nas entranhas e muita dor nos olhos e muitas lágrimas nos olhos e muita sujeira debaixo das unhas e muitas expectativas e muitas e muitas e muitas e muitas mais semanas de vida já nas minhas costas, já se agarrando na minha pele, gritando que eu estou viva, estou viva, estou viva, por mais que tenha dor, que tenha lágrimas, estou viva, estou viva
e não vou fugir mais.
Eu não sei qual é o meu tipo sanguíneo. E parece que estou sempre com sono. Se sou forçada a acordar cedo, me arrumo, deito no sofá, cochilo e só depois saio. Perco a hora, procuro por lugares que ninguém sabe dizer onde ficam, tomo um ônibus, e garoa. Leio um livro, trinta páginas, depois mais dez, onde estou? Mãe, onde eu estou? Quero só ficar aqui em casa. Preciso de uma cirurgia. Vou conseguir uma cirurgia, will it cure my blushes, will it bring out my best?
E é tarde, não posso ficar acordada até tarde, estou com muito sono, estou com muito sono e muita dor nas mãos e muita dor nas entranhas e muita dor nos olhos e muitas lágrimas nos olhos e muita sujeira debaixo das unhas e muitas expectativas e muitas e muitas e muitas e muitas mais semanas de vida já nas minhas costas, já se agarrando na minha pele, gritando que eu estou viva, estou viva, estou viva, por mais que tenha dor, que tenha lágrimas, estou viva, estou viva
e não vou fugir mais.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
olha, um soneto!
O que eu ganhei de você, quando passar, meu bem, meu querido,
não há de levar
nada disso, ah,
não há de levar.
Não há de lavar toda essa tolice, toda essa insensatez,
mas num sentido bom, meu bem,
ah, não há de lavar, não,
não há de lavar.
Eu digo que não deixo, não te deixo levar, e você não há de levar, mesmo,
quando você for embora, meu bem, meu querido,
não te deixo levar.
Trago comigo quando te ver, meu bem, meu querido,
esse sentimento meu, lavo e levo e trago e vou.
Não, isso não há de lavar, eu te digo, não há.
não há de levar
nada disso, ah,
não há de levar.
Não há de lavar toda essa tolice, toda essa insensatez,
mas num sentido bom, meu bem,
ah, não há de lavar, não,
não há de lavar.
Eu digo que não deixo, não te deixo levar, e você não há de levar, mesmo,
quando você for embora, meu bem, meu querido,
não te deixo levar.
Trago comigo quando te ver, meu bem, meu querido,
esse sentimento meu, lavo e levo e trago e vou.
Não, isso não há de lavar, eu te digo, não há.
ninguém
Mais um texto encontrado por acaso (e, minutos atrás, com um pouco de dificuldade) no meu caderno. Escrito há alguns meses.
Acabou o leite.
Acabou o leite.
É porque o meu sabonete acabou.
E o sonho que eu tive não muda nada.
Não, não muda absolutamente nada dentro de mim.
As lágrimas que eu já derramei ao longo desses sei lá quantos anos, 12, 15, 14, quem está contando?
E as que eu derramei hoje de manhã, os sentimentos do sonho, e as lágrimas causadas por esses sentimentos, quem conta?
QUEM ESTÁ CONTANDO?
Nunca fui amada por homem nenhum.
Nem meu pai foi capaz de me amar.
Nem você, nem os outros serão capazes.
Eu tenho um vazio que você sozinho não cobre.
Um vazio que vai daqui até o oceano, daqui até o outro lado dessa bosta de mundo.
Ele é como o Universo, sempre em expansão.
Um dia ele vai explodir, BIG BANG, e tudo vai ser engolido num branco total, neste papel, num branco que de tão vazio, não é branco, e todos vão ver e ouvir o VAZIO dentro de mim.
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
Ele grita, ele grita: VAZIO!
Acabou o leite.
Acabou o leite.
É porque o meu sabonete acabou.
E o sonho que eu tive não muda nada.
Não, não muda absolutamente nada dentro de mim.
As lágrimas que eu já derramei ao longo desses sei lá quantos anos, 12, 15, 14, quem está contando?
E as que eu derramei hoje de manhã, os sentimentos do sonho, e as lágrimas causadas por esses sentimentos, quem conta?
QUEM ESTÁ CONTANDO?
Nunca fui amada por homem nenhum.
Nem meu pai foi capaz de me amar.
Nem você, nem os outros serão capazes.
Eu tenho um vazio que você sozinho não cobre.
Um vazio que vai daqui até o oceano, daqui até o outro lado dessa bosta de mundo.
Ele é como o Universo, sempre em expansão.
Um dia ele vai explodir, BIG BANG, e tudo vai ser engolido num branco total, neste papel, num branco que de tão vazio, não é branco, e todos vão ver e ouvir o VAZIO dentro de mim.
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
Ele grita, ele grita: VAZIO!
vamos tentar não falar sério, agora?
Primeiro vem o amor, depois vem o namoro, depois o casamento, depois os filhos, depois a velhice e por fim a morte.
Não, não é nada disso. Hoje em dia as pessoas não são livres pra amar. Por que será que sempre se espera que alguém, em algum ponto da vida, se case e tenha filhos? Nada disso é possível. A maioria das pessoas simplesmente em algum ponto deixa escapar a única pessoa que realmente ama, para anos depois encontrar alguma outra pessoa e se casar com ela. O que é isso, método de substituição? E quem decide deixar escapar o tal amor da sua vida e ficar sozinho para sempre? E quem nunca encontra o tal amor da sua vida, nem nada? E quanto àquelas pessoas que um dia simplesmente se dão conta de que nunca se apaixonaram de verdade, só reuniram um monte de sentimentos e jogaram na cara de alguém pra depois ficar reclamando que "eu estraguei tudo?" Já coloquei isso em pratos limpos comigo mesma. Não vou me casar, não vou ter filhos, não vou ser como as outras pessoas da minha família, que tem uma profissão, um casamento e filhos. Quero ser uma ridícula anormal, quero me formar e me dedicar a pesquisas, sair viajando pelo mundo e esquecer da minha família e da sociedade. Não é que eu não ame a minha família, amo sim e muito, simplesmente não quero fazer parte dos padrões dela. Quero ser uma louca inconsequente, quero encontrar a minha Pasárgada, lá sou amiga do rei.
Estou cansada de me exigir casamento, estou cansada das outras pessoas me exigirem amor. Não sei porque fico pensando sobre isso, mas eu sou testemunha de casamentos podres, casamentos forçados, pessoas que acham que se casaram com o amor de suas vidas, que exigem fidelidade e são fieis, e de repente BAM! descobrem que foram traídas. O que é isso, meu deus, o que acontece nesse mundo? Como você pode exigir a porra da fidelidade de alguém, se ninguém é de ninguém e todo mundo nasce livre, nasce ser humano, animal? O pior de tudo é que eu sou a coisinha mais hipócrita que existe. Falo tudo isso, banco a "ah, se um dia eu for traída, e daí? é da natureza humana trair, todo mundo trai" mas eu não acho que trairia. Não sei mesmo o que é essa coisa de amor. Talvez daqui a uns 50 anos eu entenda. Mas por enquanto não, por enquanto prefiro nem entender.
Não, não é nada disso. Hoje em dia as pessoas não são livres pra amar. Por que será que sempre se espera que alguém, em algum ponto da vida, se case e tenha filhos? Nada disso é possível. A maioria das pessoas simplesmente em algum ponto deixa escapar a única pessoa que realmente ama, para anos depois encontrar alguma outra pessoa e se casar com ela. O que é isso, método de substituição? E quem decide deixar escapar o tal amor da sua vida e ficar sozinho para sempre? E quem nunca encontra o tal amor da sua vida, nem nada? E quanto àquelas pessoas que um dia simplesmente se dão conta de que nunca se apaixonaram de verdade, só reuniram um monte de sentimentos e jogaram na cara de alguém pra depois ficar reclamando que "eu estraguei tudo?" Já coloquei isso em pratos limpos comigo mesma. Não vou me casar, não vou ter filhos, não vou ser como as outras pessoas da minha família, que tem uma profissão, um casamento e filhos. Quero ser uma ridícula anormal, quero me formar e me dedicar a pesquisas, sair viajando pelo mundo e esquecer da minha família e da sociedade. Não é que eu não ame a minha família, amo sim e muito, simplesmente não quero fazer parte dos padrões dela. Quero ser uma louca inconsequente, quero encontrar a minha Pasárgada, lá sou amiga do rei.
Estou cansada de me exigir casamento, estou cansada das outras pessoas me exigirem amor. Não sei porque fico pensando sobre isso, mas eu sou testemunha de casamentos podres, casamentos forçados, pessoas que acham que se casaram com o amor de suas vidas, que exigem fidelidade e são fieis, e de repente BAM! descobrem que foram traídas. O que é isso, meu deus, o que acontece nesse mundo? Como você pode exigir a porra da fidelidade de alguém, se ninguém é de ninguém e todo mundo nasce livre, nasce ser humano, animal? O pior de tudo é que eu sou a coisinha mais hipócrita que existe. Falo tudo isso, banco a "ah, se um dia eu for traída, e daí? é da natureza humana trair, todo mundo trai" mas eu não acho que trairia. Não sei mesmo o que é essa coisa de amor. Talvez daqui a uns 50 anos eu entenda. Mas por enquanto não, por enquanto prefiro nem entender.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Para dentro da Terra
Hoje achei um texto escrito por mim logo após fugir de uma pessoa, fugir dos meus sentimentos. Me lembro de ter chorado e sentido a tal corrente me arrastando para o fundo da Terra. É realmente impressionante que a solidão total e completa possa fazer isso com uma pessoa. Desculpem pelos erros gramaticais, esse texto foi escrito rápido e sem caps lock ligado, eu editei depois.
Porque há muito mais na vida do que o amor. Há muito mais na vida do que a religião. Há muito mais na vida do que a felicidade, há muito mais na vida do que nossos brilhantes princípios. há muito mais para se viver na vida. É difícil viver. Sacrificamos tudo pelo amor mas no último momento, damos razão à nossa razão, e não fugimos, e não sacrificamos. Simplesmente voltamos, e então um dia pensamos em tudo o que poderia ter acontecido, e sentimos um vazio nos arrastar para o centro da Terra, para o centro de tudo, lava vermelha flamejante, lama suja, terra, metais. A saudade. É essa corrente, forjada vermelha escaldante no centro da Terra, depois metálica, nos unindo àquela parte que sempre sacrificamos, mesmo quando nossa intenção era na verdade sacrificar tudo menos essa parte. Então paramos e pensamos que realmente fizemos a coisa certa. Matamos o amor. Sim, matamos a sangue frio, e depois do crime, paramos e olhamos para trás, primeiro com saudade, depois com orgulho, depois com aquele senso de "sou importante, me sacrifiquei, sobrevivi, e fiz a coisa certa (apesar de ser infeliz.)" As coisas quentes que escorrem para dentro de nossas bocas, e nossas idades, e as idades dos nossos corpos. Os desejos e as coisas que acontecem, e toda a vontade que você tem dentro de si quando tem só dezoito anos, mas esses dezoito parecem ser um fardo, porque você nunca teve ninguém. E você não sabe dizer se quem te cobra isso é você mesmo ou os outros. Os olhares dos outros te dizem que fugiriam se soubessem, e você pensa que o melhor que pôde fazer foi despertar desejo sexual na pessoa por quem estava apaixonado. A vontade, ah, a vontade de ser amado, e de amar. Nos leva a apressar as coisas, a estragar amizades. Não há conexão, não há corrente ou ligação que não sucumba ao amor. Sucumbimos porque amamos e temos o desejo desesperado, desesperado e desesperado, de dizer àquela pessoa o que sentimos, e o desejo de ser amado depois de tanto tempo vem e te possui, e você estraga tudo. Você não vê as verdades, as obscuras e tristes verdades que te levam a tudo, e que te levam a fazer isso, porque você simplesmente faz, e acha que tudo bem se estragar tudo, oh, tudo bem, tudo ótimo, porque pelo menos você disse o que sentia, pelo menos você foi corajoso. Ser corajoso nunca levou ninguém a ser realmente feliz. Coragem não traz felicidade. O que traz felicidade é você não querer ser corajoso, é você querer simplesmente ser, lentamente ser, ou amar mesmo sem ser amado. É você entender que esse sentimento é seu, e se ele te faz feliz, guarde-o para você. Deixe que as coisas aconteçam, pelo amor de deus não queira fazer tudo acontecer. Você é você, seu papel nisto é ser você, não é se mascarar ou tentar se tornar a mesma pessoa que a outra pessoa, numa tentativa triste e patética de ser amado. O amor não tem vez neste mundo. Somente nas nossas imaginações. Então, se você não for feliz, pelo menos é para isso que a imaginação serve. Porque ninguém é feliz, então os livros, filmes, os frutos da nossa imaginação, são felizes. O pensamento é o dobro do pensamento, é o desdobro do que queremos, e por pensar demais nos sufocamos, e então queremos. Cavalgar um cavalo sem pernas ou estar um barco sem casco, é afundar na lama ou no mar por acaso. Você complica demais as coisas, por pensar que elas são simples, você tenta fazê-las simples, e acaba complicando. Então você não sabe mais o que é simples e o que é complicado, só sente e sabe o que sente, e localiza e diz "é isso". E tudo começa a se estragar a partir daí. Se você guarda os sentimentos, faz nascer um tumor, e se você os põe para fora, estraga tudo. Você não poderia ter visto naquele momento que estava estragando tudo. E sempre seguiu os conselhos das pessoas erradas. E o mundo à sua volta gira, e por simplesmente visualizar palavras, sente-se cansado e vazio, e pronto para desistir de tudo. Seu amor próprio te desvia do maldito suicídio, das noites passadas chorando no escuro, em esperanças de dias melhores. Os dias melhores chegaram, e passaram, e chegaram e passaram, mas nunca se foi, nunca se é, feliz completamente. Não existe felicidade completa. Uma parte da sua vida está faltando, essa mísera parte acaba com sua alma e a destrói em pedaços e faz você se perguntar a cada minuto onde foi que errou, como acabou onde está. Você não sabe explicar, e passa assim a vida, martelando seus dedos em matéria preta, martelando, martelando, errando, irritando, escorrendo, adoentando. Você quer morrer, no fundo quer morrer, se houvesse algum triste episódio na sua vida, como um acidente ou uma doença fatal, você não se importaria em se entregar, seria um suicida, e iria direto para o inferno, queimar ao lado de todos os outros malditos suicidas cheios de sentimentos envazados. Por que esse sentimento de que nada vai ser o suficiente? Mesmo se aquela pessoa aparecer, ela não será o suficiente, e seu coração vai estar sempre assim, pesado, e seus olhos cheios de lágrimas, e seu cérebro cheio de pensamentos? Uma vez que se é assim, e a vida faz de você isso, uma pessoa sozinha por tanto tempo, tão cobrada, infeliz, quebrada, solitária, nojenta, triste, largada, assassinada, irritada, assassinada, dolorida, você não volta nunca a ser aquele ser imaculado e genuinamente feliz que foi antes de conhecer, antes de te contarem o que é este sentimento, essa praga, essa dor que te corrói lentamente, te faz ter miragens e se sentir tão vazio quanto o mais vazio dos vazios, no meio do vazio, que nem no universo fica, é um vazio que não existe, pois mesmo flutuando no meio do nada, você não está no vazio, nada no nosso universo é vazio, tão vazio como o fundo do seu coração. É um branco, um nada, um preto, uma coisa que você não consegue tocar, nem cheirar nem ver, é um buraco sem fundo, um poço seco, é um corpo morto, é um terreno baldio, uma terra infértil, um deserto árido, mas mais vazio que isso, pois não há desertos ou terras ou corpos ou poços no vazio, simplesmente não há nada, nada, e você teme que isso nunca vai passar, mesmo quando você preencher esse vazio. Mesmo que você preencha todo o vazio, ele não vai deixar de ser um vazio. E o amor não vai ser nada daquilo que você pensa, é exatamente isso que você se recusa a acreditar que o amor é, porque uma parte da sua alma se recusa, por um motivo que você não entende. Quisera ter um coração duro, gélido, sem vazio, pois os corações que não tem vazios amam livremente, conseguem amar pois não há nada neles para preencher, então eles simplesmente amam, sem esperar que aquele vazio se preencha. Você sabe que é jovem e que tem muita vida pela frente, mas conhece pessoas que passaram a vida inteira sem amar realmente. Esse é seu maior medo. É seu maior medo. Afirme, sem ponto de interrogação, é o seu maior medo. Terminar vazio. Chegar ao final da vida dizendo "não vivi". Mas o que é não viver? Você acha que é muito jovem para entender. E vai rir de todo o seu drama - será? Será? Você continuará cometendo os mesmos erros, erros de condição humana, e espera morrer jovem, mas sabe que não vai. Essa vida vai fazer de você um ser penado, um ser sofrido, vai te bater e arrancar sua pele, pouco a pouco. E vai levar uma vida inteira para isso. Sim, você vai sofrer a maior parte de sua vida, e sente que está no fim dela quando está no começo.
Porque há muito mais na vida do que o amor. Há muito mais na vida do que a religião. Há muito mais na vida do que a felicidade, há muito mais na vida do que nossos brilhantes princípios. há muito mais para se viver na vida. É difícil viver. Sacrificamos tudo pelo amor mas no último momento, damos razão à nossa razão, e não fugimos, e não sacrificamos. Simplesmente voltamos, e então um dia pensamos em tudo o que poderia ter acontecido, e sentimos um vazio nos arrastar para o centro da Terra, para o centro de tudo, lava vermelha flamejante, lama suja, terra, metais. A saudade. É essa corrente, forjada vermelha escaldante no centro da Terra, depois metálica, nos unindo àquela parte que sempre sacrificamos, mesmo quando nossa intenção era na verdade sacrificar tudo menos essa parte. Então paramos e pensamos que realmente fizemos a coisa certa. Matamos o amor. Sim, matamos a sangue frio, e depois do crime, paramos e olhamos para trás, primeiro com saudade, depois com orgulho, depois com aquele senso de "sou importante, me sacrifiquei, sobrevivi, e fiz a coisa certa (apesar de ser infeliz.)" As coisas quentes que escorrem para dentro de nossas bocas, e nossas idades, e as idades dos nossos corpos. Os desejos e as coisas que acontecem, e toda a vontade que você tem dentro de si quando tem só dezoito anos, mas esses dezoito parecem ser um fardo, porque você nunca teve ninguém. E você não sabe dizer se quem te cobra isso é você mesmo ou os outros. Os olhares dos outros te dizem que fugiriam se soubessem, e você pensa que o melhor que pôde fazer foi despertar desejo sexual na pessoa por quem estava apaixonado. A vontade, ah, a vontade de ser amado, e de amar. Nos leva a apressar as coisas, a estragar amizades. Não há conexão, não há corrente ou ligação que não sucumba ao amor. Sucumbimos porque amamos e temos o desejo desesperado, desesperado e desesperado, de dizer àquela pessoa o que sentimos, e o desejo de ser amado depois de tanto tempo vem e te possui, e você estraga tudo. Você não vê as verdades, as obscuras e tristes verdades que te levam a tudo, e que te levam a fazer isso, porque você simplesmente faz, e acha que tudo bem se estragar tudo, oh, tudo bem, tudo ótimo, porque pelo menos você disse o que sentia, pelo menos você foi corajoso. Ser corajoso nunca levou ninguém a ser realmente feliz. Coragem não traz felicidade. O que traz felicidade é você não querer ser corajoso, é você querer simplesmente ser, lentamente ser, ou amar mesmo sem ser amado. É você entender que esse sentimento é seu, e se ele te faz feliz, guarde-o para você. Deixe que as coisas aconteçam, pelo amor de deus não queira fazer tudo acontecer. Você é você, seu papel nisto é ser você, não é se mascarar ou tentar se tornar a mesma pessoa que a outra pessoa, numa tentativa triste e patética de ser amado. O amor não tem vez neste mundo. Somente nas nossas imaginações. Então, se você não for feliz, pelo menos é para isso que a imaginação serve. Porque ninguém é feliz, então os livros, filmes, os frutos da nossa imaginação, são felizes. O pensamento é o dobro do pensamento, é o desdobro do que queremos, e por pensar demais nos sufocamos, e então queremos. Cavalgar um cavalo sem pernas ou estar um barco sem casco, é afundar na lama ou no mar por acaso. Você complica demais as coisas, por pensar que elas são simples, você tenta fazê-las simples, e acaba complicando. Então você não sabe mais o que é simples e o que é complicado, só sente e sabe o que sente, e localiza e diz "é isso". E tudo começa a se estragar a partir daí. Se você guarda os sentimentos, faz nascer um tumor, e se você os põe para fora, estraga tudo. Você não poderia ter visto naquele momento que estava estragando tudo. E sempre seguiu os conselhos das pessoas erradas. E o mundo à sua volta gira, e por simplesmente visualizar palavras, sente-se cansado e vazio, e pronto para desistir de tudo. Seu amor próprio te desvia do maldito suicídio, das noites passadas chorando no escuro, em esperanças de dias melhores. Os dias melhores chegaram, e passaram, e chegaram e passaram, mas nunca se foi, nunca se é, feliz completamente. Não existe felicidade completa. Uma parte da sua vida está faltando, essa mísera parte acaba com sua alma e a destrói em pedaços e faz você se perguntar a cada minuto onde foi que errou, como acabou onde está. Você não sabe explicar, e passa assim a vida, martelando seus dedos em matéria preta, martelando, martelando, errando, irritando, escorrendo, adoentando. Você quer morrer, no fundo quer morrer, se houvesse algum triste episódio na sua vida, como um acidente ou uma doença fatal, você não se importaria em se entregar, seria um suicida, e iria direto para o inferno, queimar ao lado de todos os outros malditos suicidas cheios de sentimentos envazados. Por que esse sentimento de que nada vai ser o suficiente? Mesmo se aquela pessoa aparecer, ela não será o suficiente, e seu coração vai estar sempre assim, pesado, e seus olhos cheios de lágrimas, e seu cérebro cheio de pensamentos? Uma vez que se é assim, e a vida faz de você isso, uma pessoa sozinha por tanto tempo, tão cobrada, infeliz, quebrada, solitária, nojenta, triste, largada, assassinada, irritada, assassinada, dolorida, você não volta nunca a ser aquele ser imaculado e genuinamente feliz que foi antes de conhecer, antes de te contarem o que é este sentimento, essa praga, essa dor que te corrói lentamente, te faz ter miragens e se sentir tão vazio quanto o mais vazio dos vazios, no meio do vazio, que nem no universo fica, é um vazio que não existe, pois mesmo flutuando no meio do nada, você não está no vazio, nada no nosso universo é vazio, tão vazio como o fundo do seu coração. É um branco, um nada, um preto, uma coisa que você não consegue tocar, nem cheirar nem ver, é um buraco sem fundo, um poço seco, é um corpo morto, é um terreno baldio, uma terra infértil, um deserto árido, mas mais vazio que isso, pois não há desertos ou terras ou corpos ou poços no vazio, simplesmente não há nada, nada, e você teme que isso nunca vai passar, mesmo quando você preencher esse vazio. Mesmo que você preencha todo o vazio, ele não vai deixar de ser um vazio. E o amor não vai ser nada daquilo que você pensa, é exatamente isso que você se recusa a acreditar que o amor é, porque uma parte da sua alma se recusa, por um motivo que você não entende. Quisera ter um coração duro, gélido, sem vazio, pois os corações que não tem vazios amam livremente, conseguem amar pois não há nada neles para preencher, então eles simplesmente amam, sem esperar que aquele vazio se preencha. Você sabe que é jovem e que tem muita vida pela frente, mas conhece pessoas que passaram a vida inteira sem amar realmente. Esse é seu maior medo. É seu maior medo. Afirme, sem ponto de interrogação, é o seu maior medo. Terminar vazio. Chegar ao final da vida dizendo "não vivi". Mas o que é não viver? Você acha que é muito jovem para entender. E vai rir de todo o seu drama - será? Será? Você continuará cometendo os mesmos erros, erros de condição humana, e espera morrer jovem, mas sabe que não vai. Essa vida vai fazer de você um ser penado, um ser sofrido, vai te bater e arrancar sua pele, pouco a pouco. E vai levar uma vida inteira para isso. Sim, você vai sofrer a maior parte de sua vida, e sente que está no fim dela quando está no começo.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
tudo jogado aqui, confuso, confuso, confuso
como eu já postei aqui há um ano, quando estou feliz, não me vem inspiração que preste. postei essa coisa cheesy aí embaixo e me arrependi depois.
Não consigo ser doce, não consigo criar afeto. Não me incomoda, mas não me convem ser doce. O doce de ser doce é ser vista como doce, doce como cores calmas e suaves, doce como cor de rosa doce. Mas eu mesma não gosto da sensação de ser doce. Nunca gostei de ser assim, nunca gostei de ser vista como bonita, nunca me senti confortável com os elogios de parentes. Talvez eu nunca tenha gostado de mim mesma, ou talvez não queira que essas pessoas tão próximas me vejam como o que eu não consigo ver. Timidez é doce? As pessoas gostam disso, acham bonitinha a minha timidez. Mas isso só me trouxe problemas, sabe disso? E você, que não tem timidez, que não tem freios na língua, que não precisa beber pra soltar palavras naturais, palavras soltas, como você? Ninguém nunca vai saber como é ser eu, só eu. E se começo a dizer que gosto de mim, já não gosto do que digo, me confundo em mim e na minha felicidade, que parece tão alheia a mim. Estive pensando que sou feliz de novo, e se sou feliz de novo, logo parece que alguma coisa está errada. Essa minha porcaria de busca pela perfeição me persegue por todos os lados, por todos os meios, saindo por uma porta, entrando pela outra, sede de perfeição escorrendo pelos craqueados do piso no chão, pelos dutos de respiração, pelas minhas lágrimas. Não quero ser assim, mas não sei o que eu quero. Ser doce não está incluído nessa perfeição. Ser uma esposa ou mãe, encontrar alguém para casar também não está incluído nessa perfeição. Ou então está, e eu estou negando isso. Não quero voltar a discutir esse assunto comigo mesma. Talvez exista alguma punição para a felicidade. Não dizem que depois da bonança vem a tempestade? Eu sempre fico ou esperando pela bonança, ou pela tempestade.
Nunca consigo ver onde estou, nunca, nunca, nunca. Se na bonança ou na tempestade. Estou só aqui. Só aqui. Poderia escrever até morrer, até sangrar, escrever é tudo o que eu sinto nesse momento. Poderia ficar vazia de palavras, encher o saco de quem ler isto aqui, de tão comprido e chato e cheio de sentimentos inúteis despejados por alguém que não sabe o que quer ou o que sente e se perde no meio do que sente e do que acha que deveria sentir.
Quero só sentir, meu deus do céu, quero SÓ sentir.
Não consigo ser doce, não consigo criar afeto. Não me incomoda, mas não me convem ser doce. O doce de ser doce é ser vista como doce, doce como cores calmas e suaves, doce como cor de rosa doce. Mas eu mesma não gosto da sensação de ser doce. Nunca gostei de ser assim, nunca gostei de ser vista como bonita, nunca me senti confortável com os elogios de parentes. Talvez eu nunca tenha gostado de mim mesma, ou talvez não queira que essas pessoas tão próximas me vejam como o que eu não consigo ver. Timidez é doce? As pessoas gostam disso, acham bonitinha a minha timidez. Mas isso só me trouxe problemas, sabe disso? E você, que não tem timidez, que não tem freios na língua, que não precisa beber pra soltar palavras naturais, palavras soltas, como você? Ninguém nunca vai saber como é ser eu, só eu. E se começo a dizer que gosto de mim, já não gosto do que digo, me confundo em mim e na minha felicidade, que parece tão alheia a mim. Estive pensando que sou feliz de novo, e se sou feliz de novo, logo parece que alguma coisa está errada. Essa minha porcaria de busca pela perfeição me persegue por todos os lados, por todos os meios, saindo por uma porta, entrando pela outra, sede de perfeição escorrendo pelos craqueados do piso no chão, pelos dutos de respiração, pelas minhas lágrimas. Não quero ser assim, mas não sei o que eu quero. Ser doce não está incluído nessa perfeição. Ser uma esposa ou mãe, encontrar alguém para casar também não está incluído nessa perfeição. Ou então está, e eu estou negando isso. Não quero voltar a discutir esse assunto comigo mesma. Talvez exista alguma punição para a felicidade. Não dizem que depois da bonança vem a tempestade? Eu sempre fico ou esperando pela bonança, ou pela tempestade.
Nunca consigo ver onde estou, nunca, nunca, nunca. Se na bonança ou na tempestade. Estou só aqui. Só aqui. Poderia escrever até morrer, até sangrar, escrever é tudo o que eu sinto nesse momento. Poderia ficar vazia de palavras, encher o saco de quem ler isto aqui, de tão comprido e chato e cheio de sentimentos inúteis despejados por alguém que não sabe o que quer ou o que sente e se perde no meio do que sente e do que acha que deveria sentir.
Quero só sentir, meu deus do céu, quero SÓ sentir.
domingo, 6 de junho de 2010
haha, meu deus. estou curtindo demais a minha vida ultimamente. descobri uma banda maravilhosa e estou lendo reich. estou pintando minhas unhas de novo, estou fazendo curso de desenho e não desisti da terapia. adoro meu cabelo, adoro minha maquiagem. estou escrevendo de novo. tive meu primeiro beijo, vi meu primeiro show. meu deus, quem sou eu? estou apaixonada pela minha vida.
e de repente me dá um medo do que vem depois, de quando isso acabar. mas mesmo que acabe, já aconteceu, está acontecendo. vamos comemorar, amigos, a letícia está feliz.
e de repente me dá um medo do que vem depois, de quando isso acabar. mas mesmo que acabe, já aconteceu, está acontecendo. vamos comemorar, amigos, a letícia está feliz.
sábado, 5 de junho de 2010
ah, transbordo
É noite e é madrugada.
As janelas batem com um barulho doce, insurdecedor, um barulho de medo, que te remete à sua infância.
A madrugada é fria, será que você ainda sente medo?
Aquele medo de janelas batendo, de vento e de chuva, de assobios e tempestades e gritos e uivos?
Medos de criança, medos de seu pai, medos de um casamento que se desfaz,
mas que nunca esteve feito, desde o último começo.
É um medo frio, é uma madrugada enorme.
Como dizer a todos os pássaros,
e a todos os gatos e cães,
e a todas as ruas e a todas as pessoas que você ama que estão lá fora,
que seu medo enorme, medo gigante, seu pai se foi, seu pai está longe?
Bate de janelas, bate de asas, bate do seu coração, gritando, dizendo, gemendo, querendo,
querendo transbordar.
Sair por essas janelas batentes, escorrer nas paredes como chuva de azul, azul como chuva parece, mas não é.
Transbordo levado pelo vento, que carrega seus cabelos, delícia, delícia de vento, infinito, me viaja até o meio do nada do oceano.
Vem, carrega meus medos, carrega meus ventos que são o próprio vento, que são amor suave, amor grosso, amor de mel.
E escorre pelos meus dedos, escorre pelas minhas paredes, azul como chuva, branco como céu, branco como negro de nuvens, como vento e água e janelas ao contrário.
As janelas batem com um barulho doce, insurdecedor, um barulho de medo, que te remete à sua infância.
A madrugada é fria, será que você ainda sente medo?
Aquele medo de janelas batendo, de vento e de chuva, de assobios e tempestades e gritos e uivos?
Medos de criança, medos de seu pai, medos de um casamento que se desfaz,
mas que nunca esteve feito, desde o último começo.
É um medo frio, é uma madrugada enorme.
Como dizer a todos os pássaros,
e a todos os gatos e cães,
e a todas as ruas e a todas as pessoas que você ama que estão lá fora,
que seu medo enorme, medo gigante, seu pai se foi, seu pai está longe?
Bate de janelas, bate de asas, bate do seu coração, gritando, dizendo, gemendo, querendo,
querendo transbordar.
Sair por essas janelas batentes, escorrer nas paredes como chuva de azul, azul como chuva parece, mas não é.
Transbordo levado pelo vento, que carrega seus cabelos, delícia, delícia de vento, infinito, me viaja até o meio do nada do oceano.
Vem, carrega meus medos, carrega meus ventos que são o próprio vento, que são amor suave, amor grosso, amor de mel.
E escorre pelos meus dedos, escorre pelas minhas paredes, azul como chuva, branco como céu, branco como negro de nuvens, como vento e água e janelas ao contrário.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
isto NÃO é um acidente
sorrir é simplesmente sorrir. e eu tenho sorrido muito mais ultimamente.
sou assim, como um guarda-chuva de sorrisos ao contrário.
sempre segurei um pouquinho, e agora parece que está tudo saindo ao mesmo tempo.
um guarda-chuva não guarda nada, ele protege.
mas eu fui um guarda-chuva que guarda.
um guarda-chuvas de chuva de pingos dessa coisa estranha,
que eu ouso chamar só de alegria.
sou assim, como um guarda-chuva de sorrisos ao contrário.
sempre segurei um pouquinho, e agora parece que está tudo saindo ao mesmo tempo.
um guarda-chuva não guarda nada, ele protege.
mas eu fui um guarda-chuva que guarda.
um guarda-chuvas de chuva de pingos dessa coisa estranha,
que eu ouso chamar só de alegria.
young bridge
posso dizer que foi uma situação ridícula?
e juntar todas essas coisas, e esses momentos,
e esses meus sorrisos, antes tão fracos, antes tão mornos, antes tão secos
e formar uma viagem de volta para casa?
e então eu vejo prédios, pontes, rios
e passo por um bairro conhecido, ou dois, ou o seu bairro
e vejo um desconhecido de azul, de olhos azuis
posso juntar tudo isso e dizer que não consigo nada mais poético?
e juntar todas essas coisas, e esses momentos,
e esses meus sorrisos, antes tão fracos, antes tão mornos, antes tão secos
e formar uma viagem de volta para casa?
e então eu vejo prédios, pontes, rios
e passo por um bairro conhecido, ou dois, ou o seu bairro
e vejo um desconhecido de azul, de olhos azuis
posso juntar tudo isso e dizer que não consigo nada mais poético?
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