segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

love doesn't change anything at all

então é isso, de volta à estaca zero, Letícia. de volta à sua situação de um ano e pouco atrás. sozinha, rejeitada, rechaçada, amada por uns, stalkeada por outros, mas de volta à estaca zero. era amor, com certeza, tudo o que eu senti por todos eles? e agora de volta à solidão. adicional de agora? bebida e iPod touch e Nintendo DS. o calendário virou, virou, e eu aqui. agora não consigo mais nada. quem vai ser o outro filho da puta que vai me tirar desse buraco?

por que a gente tem que ficar sozinho? por que eu não consigo um namorado? por que eu tinha que ser tão afetuosa, carinhosa, por que eu tinha que ser assim? eu poderia muito bem ter um coração de gelo mesmo, eu teria sofrido tão menos, meu deus. é algum tipo de doença, alguma coisa contagiosa. como eu sou boba, tonta, como eu fui idiota. eu não entendo. eu não sei o que eu fiz pra merecer. a vida não tem graça e não tem felicidade sem amor, nem que seja uma paixonite boba qualquer. aí vem um cara novo e DO NADA me diz que me ama, e esse filho da puta mora no RN. é muita zica. as coisas não são assim.

por isso eu vou ouvir Aimee Mann. por isso eu vou virar sei lá uma lesma gorda que só se dedica ao trabalho. temos de um lado:
o cara do RN, que eu provavelmente nunca vou conhecer, mas que me jura amor de um jeito que me faz desconfiar
e do outro:
o cara do trabalho, que é virgem, talvez nunca nem tenha beijado (eu suspeito), todo certinho, enquanto eu sou a coisa mais errada, bêbada, (ex?)fumante bêbada, que perdeu a virgindade por impulso e afeição (puta?), que de alguma forma sempre se lembra do ex. sou também a idiota que dá pra ele todas as dicas explicitamente que eu provavelmente gosto dele também, e NÃO, ele não faz nada quando nós dois estamos sozinhos.

sinceramente? eu acho tudo isso uma putaria. um complô de alguma coisa estranha pra que eu fique sozinha. caralho, eu não sou bonita? não sou ruiva e tenho cara de 15 anos? tá, tudo bem que eu uso aparelho, mas e daí? não tenho um emprego bom e razoavelmente bastante dinheiro agora? não sou afetuosa, carinhosa, dedicada, talvez até boa de cama, engraçada, inteligente? caralho, o que acontece?

alguém me explica. já fiz 3 anos de terapia. já segui todo tipo de conselho. já tentei de tudo, menos sei lá, macumba. preciso fazer uma macumba pra arrumar alguém então? mas que bosta, que saco. não sei o que é isso, o que significa isso. agora sou uma bêbada desgraçada e ninguém me pega mais, nem quando eu tô bêbada. saporra de amor, sei lá, namorado, vai aparecer quando eu não quiser mais.

mas vai chegar o dia em que eu não vou querer mais? vai tomar no cu. minha vida é uma palhaçada. um tipo de inferninho e só eu entendo o porquê, acho que todo mundo deve me achar uma idiota por falar isso, minha vida é até boa e nhénhénhé.

é, nada. eu não tenho amor, logo, eu não tenho nada.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

fundo e fundo dos olhos

olhos verdes, sorrisos
olhos castanhos, ruivos
grama, campos
florestas, ursos
abraços, calos nas tuas mãos
suas mãos firmes, seus toques
extinção do mês passado
um rio de cores nos teus olhos
azul com verde, e castanho
não é a cor deles
é o jeito como você me olha
e se eu retribuo, e a gente segura os olhos um do outro
é uma cumplicidade sem fim
é cumplicidade de amor, e você
de onde você apareceu
onde você estava?
onde você nasceu, dez dias depois de mim?
tão perto e eu nunca te descobri
fui te achar tão longe daqui

depois de tudo, que deus permita
que deus me permita, depois de tudo
vamos ser felizes, só um pouquinho
eu só peço, e peço com um por favor sozinho

eu estou apaixonada é estabelecido
se for estabelecido eu sou só sua
se for estabelecido esqueço as outras possibilidades
se eu estabelecer que deus permita
que eu seja feliz com você
que nós sejamos mesmo cúmplices
você é a carne que eu quero comer onde eu ganho o pão
vem buscar meus olhos castanhos
que eu quero buscar os seus verdes

por favor

mais lixo

eu me lembro de ter me jogado nos braços dela.
e chorado e me agarrado nas roupas dela.
era de manhã e eu tinha segurado o choro a noite inteira.
grudada na frente de uma tela, segurando e desviando lágrimas que eu sabia,
eu sabia,
não poderia desviar mais quando amanhecesse.

e assim foi e eu me joguei no sofá.
fingi que tava tudo bem, vi um desenho, não, eu não queria mais chorar.
mas quem escolhe quem te quebra o coração?
você geralmente sabe, aliás, você SEMPRE sabe,
quando alguém vai quebrar o seu coração,
ou quando alguém não vai.

você sente, você cheira algo estranho,
você não consegue sentir nada.
eu pus as duas mãos ao redor do rosto dele.
estava escuro e estava claro.
eu entediada como nunca, decidi fazer alguma coisa diferente.
e pus as duas mãos no rosto dele, segurei.
nós dois tínhamos muito essa coisa dos olhos.
eu lembro dos olhos dele, me olhando meio de lado, de um jeito muito específico,
como se estivesse mesmo apaixonado.
segurei e olhei, e soltei,
e ele me disse que se estivesse mais bêbado, diria eu te amo.
é cedo, eu disse, porque eu não sentia nada.
não adianta mentir mais.
eu não sentia amor daquela forma.
mas queria tanto estar apaixonada que me apaixonei.
e quando ele disse, muito depois, que na verdade não sentia nada,
eu soube.
eu soube mas tentei do mesmo jeito.
ele soube e não quis tentar, talvez ele tenha tido medo.
e agora eu ainda tô parada aqui, amigo, ainda.
ele já tem outra, isso é óbvio, por isso eu me afastei.
foi por isso, pra não ter que aguentar ele com ela.
e eu aqui, parada.
queria que ele soubesse que eu não consegui ficar com mais ninguém até agora.
não sei, só não consegui.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

não fica sério

pensei no meu antigo amor enquanto brincava com material de escritório
talvez agora ele esteja bebendo coca-cola num dormitório
eu acho que prefiro talvez até o seu xixi num mictório
por mais que isso seja nojento, nada do que eu escrevo aqui é mandatório
pra ler precisa ter só um pouco de coragem ou colírio

não vi mais a dona glória
ou esse meu antigo amor, que delírio
não é que este seja um verso aleatório
mas eu queria deixar bem claro meu relatório
pra não ter problemas com você, meu novo martírio

só mais uns meses e alguns amores obrigatórios
e tudo o que aconteceu vai ficar bem mais etéreo
não espere nada, não tem sangue nessas artérias
mas pelo menos não peguei nenhuma doença venérea

sou capaz de gostar de você até ficar na miséria
do seu lado prometo tentar ficar sempre sóbria
nada do que eu cozinhar vai te dar revertério
minha tumba ao lado da sua no cemitério
a gente constrói algo assim como um império
ou nem precisa ser um namoro assim tão sério
mas tem algo mais sexualmente satisfatório?

é típico meu isso de não ter muito critério
mas comigo você jamais duvidaria de adultério
e isso acabaria não sendo nenhum mistério
se você me pedisse pra contar toda essa minha outra história

sábado, 20 de novembro de 2010

só tenho desabafado aqui. tudo o que eu escrevo é enquanto eu choro. por isso vai passar. é puro cansaço, eu juro.
eu quero tentar de novo, que alguém me tenha nos braços de novo. vai dar tudo certo, eu acho, por mais machucada que eu esteja.

só pondo pra fora

chuva e nada é a mesma coisa
alguém do seu lado e você não sente nada
ninguém do seu lado, mas você sente tudo
abraços e lama

solidão é merda
estar sozinho é um buraco negro, um hábito
um medo de não conseguir mais ninguém
um medo de conseguir mais alguém
solidão é medo

pisoteando uvas, vinho, falhas, silhuetas
sons, enquadros, medo, sempre fugindo
não é nisso que eu sou boa?
não, eu nunca fujo
não, eu nunca fui embora
sim, eu sempre aceito
sim, eu sempre digo

sim pra essa porra toda
nada é nada é nada é nada é nada é nada
disso é podre, pé podre, pé podre
vida e nada, e dor, e olhos
tudo fecha sozinho
tudo fecha, nada abre
eu sempre abri mas tudo fecha

eu sempre aceito, eu sempre fácil
nada é fácil é bom é enorme
eu sou o quê dentro de você?
você o quê dentro de mim?
não ouvi, foi a chuva, a porra da chuva sempre

chuva solitária que não traz nada, você respira solidão
porque o ar pra respirar já foi, você transpira solidão
você exala solidão, cara de menina triste
calor porque calor é solidão
calor é solidão demais
calor é calor em excesso que não vai pra lugar nenhum

o que eu escrevo aqui é vergonhoso, sem sentido, produto de dor
produto de frustração sexual
produto de frustração das mais afetivas
não é nada, é só desabafo, é pura merda
merda saindo de mim porque tem que ir pra algum lugar
meu amigo, amigo, meu querido, desgraçado
amor acabou comigo

ele me estraçalhou
ele me estraçalhou
completamente, meu deus, ele me estraçalhou
ELE ME ESTRAÇALHOU MEU DEUS
não me deixa chorar, que eu cansei
meu deus não me deixa aqui
eu não aguento mais
eu aguento sim
eu consigo
mas ele me estraçalhou, sim
deus me chora pelo nariz
porque alguém me estraçalhou, enfiou a mão pela janela de mim
enfiou e segurou o que conseguiu segurar
e chacoalhou, dilatou, enfiou as unhas na carne, até o fundo, até abrir
arrancou todos os pedaços, dedilhou o sangue
jorrou todos os pedaços de mim pra fora
levou tudo pela janela, levou um braço
mordeu, dilacerou, riu
ele adorou
ele me quebrou
me uniu, me jogou
passou por cima de mim, me comprimiu, me matou
acabou comigo, me sugou, me beijou na ponta do nariz
segurou a minha mão, me abraçou, meu deus ele me beijou na ponta do nariz
eu quero tanto esquecer isso, tanto, tanto, que eu choro
eu não consigo lavar o beijo dele da ponta do meu nariz
faz isso parar de rolar, essas lágrimas pararem de sair
que eu paro de chorar
eu não quero mais lembrar

ele acabou comigo, o que vai ser de mim?
segurou meu olho até ele se romper
meu coração martelado, dilacerado, aberto todo, tudo

até tudo ser sangue e eu ser nada
nada a não ser nada
chuva, morte, dor, cansaço
tudo é nada meu deus
não me deixa mais chorar salgado assim, meu deus

terça-feira, 16 de novembro de 2010

gay

como um ralo levando a água, você me levou pelos canos
pra bem fundo, fundo
como um ralo levando a água, eu te ajudei a entrar fundo
pra bem fundo, fundo

como meu coração é vazio, qualquer um que me mostre amor
qualquer um, serei sua vítima
qualquer um, me mantenha perto de você
me abrace, me diga que quer me levar pra casa
e eu serei sua vítima e você tirará de mim tudo o que quiser tirar
me espreme como se eu fosse sua, porque eu sou
só sua vítima, espera

você me levou fundo, fundo, eu te levei fundo, fundo
caules crescendo pra fora da terra
raízes indo fundo, fundo
até o fundo da terra
e caules crescendo, chuva caindo
eu te levei fundo, eu abri caminho
até o inferno de mim
você não viu nem 1/4 de mim
me divida em quatro partes, você levou uma
você não me conheceu
quatro partes desiguais

eu entendo que você tenha levado, você curtia músicas bonitinhas
ainda acho que você era gay
minha vida é isso, um mar de porra nenhuma e nada fresquinho
oh, por favor não me faça reviver isso
meu deus onde eu tava com a cabeça? eu me pergunto
amor é assustador
amor é assustador

se você quiser só sexo de mim, vem que eu conheço um hotel na paulista
um preço módico e três horas num quarto que é até bom
com espelho e coisa e tal
três horas de mim, três horas de você
se você quiser só sexo de mim

se você não quiser nada mais
por favor só não me diga isso aqui
que me ama ou me adora
que casaria comigo ou me levaria pra casa
se você não quiser nada mais, pode dizer
eu não vou fugir, não vou correr
na verdade fica mais fácil pra mim não gostar de você

NÃO PRECISA me iludir, fingir, dizer que me ama, querer me abrir
querer me abrir, me despedaçar pra depois correr
é só dizer
eu tenho amor e tenho desejo também
tenho água e fogo e raiva e sou fácil
sou muito fácil
por que você não disse logo que queria só sexo?
por que você esperou 5 dias?
não teria sido muito menos doloroso, meu querido?
concorda comigo que teria sido muito melhor, não teria?
pra quê mentir?

só tenho raiva e indignação por que as pessoas jogam joguinhos por que mentir por que falar justamente o contrário do que você quer falar por que complicar? a vida é fácil, seu filho da puta, você me quebrou, me quebrou, me quebrou à toa, completamente à toa, é isso. é só isso. é meu inferno.

era só isso que eu queria dizer
dizer a verdade não vai me machucar ou fazer com que eu feche minhas pernas
bando de burros

domingo, 14 de novembro de 2010

hearts breaking in the night



oh the stars burn bright above

there's a devil in her eyes



this is serious, so serious

i water flowers in the rain



crippled by the sound of love, beating in my lonely frame, my lonely frame, so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

my love is lost

I whisper bleeding from my hands and feet

that my love is lost

my love is lost

so please

keep me in your heart

I water flowers in the rain

so please

keep me in your heart

I dance beneath your silver flame

keep me in your heart

I water flowers in the rain

I dance beneath your silver flame

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

sábado, 13 de novembro de 2010

Notas de Rafael

vou escrever alguma coisa bonita aqui, apesar do coração partido e do rosto e dos pés tão tão tão doloridos e dos olhos cheios d'água desgraçada.


Notas de você, Rafael.
Notas que me tocaram, notas que me fizeram mais feliz,
só um pouquinho,
só um pouco, Rafael.
Obrigada pelas suas notas.

Meu querido Rafael.
Agente de suporte do meu coração.
Você é a voz do outro lado do telefone,
a mão que acaricia meus cabelos como se me amasse,
que segura meu rosto e olha no fundo dos meus olhos,
os lábios que beijam meu rosto inteiro devagar,
os dedos que passam pelos cachos do meu cabelo, que ajeitam minha franja,
as cordas vocais que fazem o som daquelas malditas palavras que eu sempre quero ouvir,
os braços que passam pela minha cintura e me seguram perto de você,
é quem fala perto do meu ouvido,
é quem canta uma música,
é quem me busca no trabalho,
quem me leva pra casa,
quem me olha de soslaio e
é quem um dia se confessa, tão tímido,
e é quem eu aceito,
é quem eu namoro,
é quem eu caso,
é o pai dos meus filhos.
Obrigada pelas suas notas.

Oh, Rafael.
Palavras numa tela, palavras em negrito, num email que eu aceitei que você enviasse.
Você tem meu email aí?
Tenho, tenho, é leticiafernandes@gmail.com?
É, mas com um M de maria depois do fernandes.
Ah tá, tudo bem.
Ah tá, Rafael, tudo bem.
Obrigada pelas tuas notas.

Rafael, meu agente de suporte.
É uma pena, você não existe.
É uma pena, e meus olhos estão cheios, cheios de chorar.
E eu choro agora de saber que você não existe.
Talvez seja tudo automático, negrito numa máquina, notas do seu #nomedoagenteaqui.
Mas eu choro porque você não sabe o que eu tenho passado, Rafael.
Sozinha ouvindo violinos, cantando London London perto da Avenida Pompeia.
Sozinha olhando pra um avião rasgar uma nuvem no céu.
Sozinha sem nada, sem nada, sem nada nos meus bolsos.
Sozinha com uma sensação enorme de vazio nas minhas mãos.
Obrigada pelas tuas notas, obrigada.

(baseado num email enviado por um agente de suporte da Apple chamado Rafael. eu solicitei, ao final da minha ligação pra falar sobre meu iPod quebrado, que ele enviasse o número do protocolo pelo meu email, o que ele fez. só que no final da mensagem, em negrito, estava escrito "Notas de Rafael, o seu agente de suporte...")

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

who puts you back together?

céu, cores.
cores de mim, modelos.
alguém me cumprimenta segurando meu rosto, tocando meus cabelos.
alguém me olha e descobrimos que temos amigos em comum.
passou, passou, passou, passou, passou, não falo mais com você, nunca mais.
então passou.

já fiz de tudo.
já fiz o máximo de mim.
já fui, já levei, já disse, já ouvi.
naquele dia sem céu, sem cores, eu me lembro bem.
de não ter dormido a noite inteira, de ter jogado pokémon a noite inteira, inteira, de ter ido pro sofá, de ter visto algum desenho, de ter segurado o choro, até minha mãe vir me segurar, de ter chorado segurando o braço dela, de ter dito, gritado enquanto chorava, que não sobrou nada de mim, de ter dito que eu sou a maior tonta do mundo, a mais burra, e eu sentia que só queria sumir, e sabia que tinha que ir assinar contrato de trabalho naquele mesmo dia, e fui com os olhos inchados, os mais inchados que eu já tive.
nunca tive outros olhos, tive?
eles sempre estiveram inchados de se desfazer por algum nada ou um coisa nenhuma.

chorar é me desfazer.
eu estou seguindo adiante, eu ainda sou eu.
eu era ou não era eu naqueles dias?
eu mereci tudo?
tudo me mereceu?
quem me merece?
ninguém?
por que tudo isso?
no ônibus, pensando
vai voltar a ser difícil agora
como era antes da primeira vez?
vai voltar a ser impossível, tímido e longe
como era antes da primeira vez?
quem vai me salvar agora?
quem eu afastei?
o que eu fiz?
o que eu sou?
o que eu não tenho mais dentro de mim, o que sangrou depois?

o que sobrou de mim, me diz?
pra quê tudo isso?
quem vai juntar meus cacos?
quem vai me colocar de volta em pé?
alguém vai fazer isso?
não?
quem?
por mim?
eu mesma vou?
queria que alguém fizesse, alguém viesse, alguém dissesse, alguém fosse, alguém soubesse
só queria isso, isso, é simples, é só isso
só queria que alguém me amasse de verdade
porque eu sozinha não sei mais se consigo
juntar meus cacos ou
levar tudo de volta
com uma pá e vassoura, juntar meus cacos
eu não sei se consigo
muito mais adiante
o que sobrou de mim
o que vai ser mais difícil
o que vai acontecer de mim
o que vão fazer de mim
como vão me dobrar num orgigami de algum tipo
numa cascata de sangue
cascata de cacos de vidro e sangue e nada e panos pretos

o que sobrou de mim eu vejo
eu sou eu mesma de novo
eu posso sentir tudo de novo por outra pessoa
não posso?
não posso?
não posso?
não posso?
mas o que eu senti, senti mesmo?
não senti nada
pensei que senti
acreditei que senti
quis sentir
então quis sentir e quis e quis e quis

não sei.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

coragem, meu amor

coragem porque eu sou eu mesma de novo

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

É VOLTAR

fidelidade a mim mesma, é isso. voltar a fazer o que eu fazia antes, ficar com quem eu quiser, como eu quiser, quando eu quiser. e agora que não sou mais virgem, posso dar também.

falei nos termos certos. eu não vou ficar parada lá atrás.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

aguentando bosta de você

mas ser fiel a o quê? ao seu quase pseudo semi falso relacionamento imaginário com alguém que obviamente não sente nada por você? a gente pode escolher não ficar com mais ninguém simplesmente porque não consegue largar o passado? pode? ou ficar com outra pessoa me libertaria? ou tenho que simplesmente dar tempo ao tempo e deixar seja lá o que tiver que rolar, rolar?

rolar ladeira abaixo e colidir com o muro de concreto mais duro que já existiu?
minha tia me perguntou onde está meu namorado. e eu respondi na maior naturalidade: dentro do pote de ouro no final do arco-íris. minha tia me perguntou se eu ia sair com algum menininho hoje. eu respondi: não. porque não tem menininho nenhum na minha vida.

é, eu só aguento bosta. essa é a minha vida. um livro aberto pra todos os garotos que quiserem passar na minha frente, dar uma folheada e cair fora depois. o fato é que não encontrei ninguém que encaixasse tão bem comigo, até mesmo no beijo. não sei o que foi que foi aquilo tudo. e não me atrevo a dizer que foi amor, porque parece que eu me machuco mais e mais e mais por causa do medo dele e ele parece tão cruel comigo às vezes, tão frio, que eu acho que ele deveria ser assim mesmo, mas eu não quero ser assim com ele, aí doi, doi, doi, doi.

mas descobri que sol, música, violão, coisas simples, um bronzeado bonitinho, amigos que te ouvem, bebida, risadas, piadas, brinquedos velhos que você reencontra, pokémon, abraços de mãe e gente que diz que gosta de mim curam em boa parte meu coração. <3

domingo, 31 de outubro de 2010

take cover

eu não saberia ser roteirista de cinema nem vendedora de sorvete.

sobre fidelidade

não tenho medo de mim mesma.
não consigo ser de mais ninguém.
não deu, não dá pra ser de mais ninguém.
já tentei relacionamento aberto, amizade com benefícios.
já tentei não me apaixonar, já falei com o peito cheio que amor não existe.
já tentei derrubar todos os clichês e ser alternativa no amor também.
já tentei não ser ciumenta, ser mais relaxada, não sentir nada, ser autossuficiente, não ter medo, ser menos impulsiva.
um idiota me disse que ciúme só ia me prejudicar.
alguns idiotas me disseram pra parar.
alguns idiotas me puseram mesmo no meu lugar.
alguns idiotas só souberam me despedaçar.
alguns idiotas vão mais devagar.
não dá nada disso.
tudo mentira, a gente tem que poder sentir o que sentir.
ciúmes ou dor ou saudade ou amor ou simplesmente pertencer.
não sei a o que exatamente sou fiel, a o que exatamente eu pertenço.
se a ele em si ou se a o que eu sinto.
as duas coisas me prendem e não soltam, me deixam com as pernas bambas e o coração disparado.
tempo e tempo e tempo e tempo e tempo.
tempo é só tempo.
anos e anos vão mais devagar.
coração na mão pronto pra entregar, e quando eu não queria mais entregar entreguei.
delivery de coração.
não dá tempo de nada.
não deu, não dá nada disso.
se te disserem pra ignorar, pra não sentir porque você vai se magoar, pra não ser você mesma, pra não se entregar, pra fingir não gostar, pra jogar, pra não dizer sou sua e prometo que serei sempre.
se é isso que você sente, é verdade.
deve ser verdade isso de amar.
sei lá.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

give a little in, baby

e se eu tivesse um telescópio e
alguém me oferecesse um prêmio e
eu tivesse que colocar seu nome em uma estrela e
só conseguisse ver cometas?
seria o meu preferido

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

que nem aquela música lá

eu não teria ainda tantas lágrimas pra chorar
eu só queria que você me pedisse de volta
eu voltaria, eu voltaria
mas parece impossível, improvável, difícil, distante
eu não sei mais ser feliz
isso é patético, ridículo
nunca me imaginei nessa situação horrível
e eu não paro nunca de chorar
e eu não consigo sair com mais ninguém
porque não paro de comparar
eu não sabia que era assim
eu não sei o que esperar
eu não sei o que fazer
e tudo é recente ainda
como tinta fresca
como reforma e construção
é a coisa mais patética, o clichê mais distorcido
eu sorrio tudo torto porque me esforço pra sorrir agora
eu não sabia que ia ser assim, ninguém me avisou
eu não acho que ele se sinta da mesma forma
a grande idiota aqui sou eu
a maior tonta que já existiu
chorando por amor perdido, amor não-correspondido
até o mundo virar de dentro pra fora
e vou até mais tarde me dizer que ele foi o grande amor da minha vida
que eu perdi
que eu perdi
perdi, perdi, perdi

the last song, camera obscura

Foi a primeira vez que sonhei com ele.

Sonhei que ele vinha até mim de branco, vestido de assistente de cozinha, empurrando um carrinho. Eu estava de amarelo, sentada no chão do ponto de ônibus onde eu pego ônibus pra Rua Clélia. E ele vinha e eu pensava que já sabia o que ele ia falar. Mas tudo bem, eu fingia que estava tudo bem. Como num sonho já sonhado.

E ele veio e começou a falar. E eu já tinha ouvido tudo tantas vezes antes. Eu tapei os ouvidos como uma criança que não consegue suportar barulho alto, ele continuou falando, e saí correndo gritando "eu não posso mais ouvir isso, eu não posso mais ouvir isso."

Tenho a impressão de ter sonhado com ele a noite inteira, inteira

I can't call you
My phone will be relieved
You can't call me
'Cause someone else will feel deceived
I don't understand this
How did you get hold of me?
You've got me questioning my fidelity

I'll send a package in the post
I've got love to send
Should I want you the most?
It feels like I have no defense

The tree in my garden is blossoming still
It's late this year
It's just like me, it's wavering
Going through the motions
I want to be at home
It's an effort to get on this plane at all

It was love for sure
Every cliché in the book
I loved you more and more
With every desperate look

Don't thank me for breakfast
With your naked skin
Don't lie, don't pretend
You feel anything
My heart is no longer a friend of mine
It wants to betray me most of the time

I love you, my darling
I love you, my friend
I love you, my darling
But it feels like this is the end

sábado, 23 de outubro de 2010

quem sou eu?

call me weak and call me stupid
in fact all I am is the most loving of lovers

love's over, but
love's through, but
is it

call me weak
I just can't be anything else

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

the concrete sky of my days

Then the day came around, or it was actually an evening, when you failed
I remember the moment wasn't anywhere close to right,
But will there ever be for those things?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

baby, you have to leave for good

A vida é muito maior que amor despedaçado.
A vida continua e é maior que você, e você nem se dá conta.
Até que se dá conta.
E você se agradece por não ter se matado.
Agradece pela lua amarela no céu azul escuro.
Pelo sol no seu rosto.
Pelas pessoas que você conheceu.
Por viver.

Viver continua mesmo que você não tenha vontade.
Mesmo que você ouça aquela música dos Beach Boys que diz
"Se você me deixar algum dia, apesar de a vida continuar, acredite,
o mundo não me mostraria mais nada. Então que bem me faria viver?"
Viver são os outros.
Você morre por dentro mas os outros continuam, você continua.
Você só é você com os outros.
Minha maquiagem pode borrar, minhas mãos podem tremer,
tudo pode me denunciar,
mas eu continuo.

Porque sei que existe muito mais na vida que o amor.
A vida também é bilhões de outras coisas.
O amor é só uma partinha.
E se não dá certo uma, duas, três, quatro, cinco ou seis vezes?
Quem sabe?
Quem sabe na próxima?
É só virar a página devagar, com ternura, não bruscamente.
Esperando que haja um oceano violento arrasador desenhado na próxima página.
Ou um incêndio acabando com tudo numa floresta, e você não consegue apagar.
Na próxima página não vai haver nada, eu prometo.
Deixa que eu consigo desenhar.

é só isso?

ontem eu disse que era só ele falar que eu voltava correndo de volta pra ele. e disse mais um monte de coisas. e não lembro. e não lembro.

mas enjôo, um coração partido morrendo de saudade, álcool no sangue e dor de cabeça.

é só isso que eu tenho hoje.

domingo, 17 de outubro de 2010

fat cat


pela primeira vez, um desenho meu aqui.

sábado, 16 de outubro de 2010

então quer dizer que isso tudo mudou a sua vida?

DE REPENTE
eu não tenho mais tipo. Não sei mais qual é meu tipo. Eu não tenho mais tipo.
DE REPENTE TAMBÉM
eu não curto mais mãos. Não tenho mais fetiche por mãos. Mãos não importam mais.
DE REPENTE EU NÃO SEI
eu não sei se eu perdi ou se eu ganhei alguma coisa com tudo o que aconteceu. Porque alguém que já tinha se apaixonado de verdade um dia me disse que não tinha tipo.
DE REPENTE TALVEZ
eu não tenha mais tipo porque me apaixonei de verdade. Ou não? A pergunta é sempre ou não?
DE REPENTE É TUDO MENTIRA
eu não acho realmente que eu tenha mais tipo. Estou pouco me lixando para mãos, ou para gordura, ou para barbas.
DE REPENTE É VERDADE SIM
eu não tenho visão de raio X. Eu não tenho um gato pra me consolar.
DE REPENTE EU VOU RIR
eu não tenho visão de raio X mas tenho um coração de chiclete. Gru-u-u-u-dado de 20 faces.
DE REPENTE AMOOOOOOOR
eu não sei de mais nada.

corações solitários mais solitários mais solitários

Dói. Isso dói mais que um furúnculo. Mais que sentir o cirurgião cortando sua axila, empurrando o pus para fora, sem anestesia porque nessa área não tem como dar anestesia. Mais que um corte numa folha de papel. Mais do que cair no meio da rua, dói mais do que a vergonha de cair no meio da rua e ralar suas mãos e seus joelhos. Mais que uma picada de formiga que interrompe seu amasso com alguém embaixo de uma árvore. Dói mais que faringite com antibiótico bravo. Mais que levar um soco na mão, mesmo de brincadeira, de algum amigo da escola. Dói mais que mandar uma carta de amor e receber um não como resposta. Mais que queimar seu braço no ferro enquanto passa roupa. Isso dói mais do que bater seu nariz na parede.

Por que o amor tem que doer mais que o ódio? Mas por que é muito mais fácil, muito, muito mais fácil amar que odiar? Vou tentar ser mais bondosa. Vou tentar amar todo mundo muito mais. Amor pode doer mais mas é mais fácil de sentir. Vou pelo caminho mais fácil porque acho que é o mais certo. O mais certo, o mais fácil, o mais gostoso, o mais doloroso.

Eu gaguejo, eu tropeço, eu tenho espasmos. Eu jogo qualquer coisa o dia inteiro pra tirar minha cabeça de qualquer coisa o dia inteiro. Tudo bem, eu não choro mais. Hoje está tudo bem. Eu tenho vontade de ir na Starbucks e ser feliz. Eu tenho vontade de ser feliz. Eu só quero ser feliz. É só o que eu queria. E eu teria sido tão boa. Teria sido tão amorosa. Vou ser muito mais amorosa. Não brigo com mais ninguém. Não sinto mais nada, porque senti tudo o que tinha pra sentir. Não levo mais nada embora de ninguém, só vou deixar que os outros levem embora algo de mim. Eu angustio, eu ouço músicas lindas. Eu ouço músicas tristes. E nada desvia minha cabeça de tudo que eu queria que minha cabeça se desviasse.

É como se eu tivesse levado uma bronca ou uma bofetada. Me sinto criança de novo, acuada num canto, levando uma bronca, uma bronca merecida... O gato escaldado, uma vez escaldado, vai ter sempre medo de colocar a patinha na água.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

UM DIA

então, né, eu cantei like a virgin pra ele naquele dia. (isso é épico, considerando o que aconteceu depois. hahaha não vou esquecer nunca.)

espero um dia cantar assim: I'm going on a date tonight to try to fall out of love with you, I know I know this is a crime but I don't know what else to do

desabafo do cacete

oi, idiotas.

amor não existe. todo mundo é um bando de filho da puta medroso. e eu não posso ser culpada por amar todos os caras que eu amei até hoje tão intensamente que em algum ponto eles fugiram ou pediram pra eu não me apaixonar ou eu mesma fugi. não é culpa minha. não é culpa minha se eu sou ciumenta e tento causar ciúmes de volta. não é culpa minha, se eu não conseguia sentir nada e me forcei a sentir porque achava que sentiam e na verdade também não sentiam nada. ninguém foi capaz de me amar, nem meu próprio pai.

porra de clichê nenhum é verdade. agora eu só tenho dois pulmões pra respirar, dois olhos e uma boca pra falar, e dedos pra digitar, e tenho o ar do mundo inteiro pra respirar, o mundo inteiro pra ver, pessoas que eu não conheço pra conversar, dedos pra digitar novas besteiras de amor. então sinceramente que vá tudo pra puta que pariu.

o amor não presta e até hoje eu só me fodi. meus olhos já desincharam, tenho mais o que fazer. amor, vai tomar no cu. amor, você é uma puta. amor, você é o maior vagabundo desgraçado que eu já conheci. o amor não presta e não existe. isso que chamam de amor é só uma merda qualquer que colocam na sua cabeça pra você pensar que pode ser feliz enquanto olha fundo nos olhos de alguém e consegue se ver nos olhos da pessoa. aí chamam isso de amor. e a pessoa te leva pra cama dela, e aí chamam isso de amor. e aí você faz todas essas coisas e não se arrepende nunca jamais e você mesmo chama isso de amor. é assim que funciona.

e mesmo que você se foda, você vai se foder de novo no amor, porque é só isso que a gente sabe fazer. o amor vem, você adora ele, você adora ver o mundo colorido de novo e se esquece que ele é bem cinza na verdade. se esquece que seu coração só te levou a fazer merda, cara, você esquece TUDO. como se anos de sofrimento, como se 5 anos atrás não existissem, você entrega seu coração na mão da pessoa e ela ainda tem a cara de pau de te dizer "eu quero acompanhar seu crescimento pessoal, mas só posso ser seu amigo!" ou "não tenho dinheiro pra sair com você agora e não admito que você pague!" ou então "eu gosto de outra pessoa, aqui da escola também!" ou então "desculpa mas tudo aquilo que eu te falei que eu sentia eu não sinto mais!"

meu. que porra é essa? o que diabos acontece comigo? eu tenho algum problema mental, só pode ser. ou então nasci com alguma urucubaca.

só sei de uma coisa: eu nunca mais vou me apaixonar de novo. e por mais que eu queira falar com você, por mais que eu queira que você volte a ser meu amigo, por mais que ontem eu tenha planejado te dizer que a gente não precisa ficar sem se falar...

hoje eu odeio todos vocês. faria uma lista aqui mas vocês sabem quem são. meu ódio é só meu, não é de vocês. a vida segue apesar de eu ainda ser sua. vou demorar MUITO pra curar essa ferida, se é que algum dia vou curar. nós não ficamos juntos porque somos dois idiotas medrosos. essa é a verdade.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

é muito, muito, muito mais simples

Não há comparação que descreva.
Beijar sem sentir é um quase não-beijo.
Tocar sem sentir é a mesma coisa que esbarrar em alguém.

Lembra quando eu te disse, naquele dia, naquela noite,
com os neons da Augusta,
que eu pensava que beijo tinha a ver com sentimentos,
e que tinha acabado de descobrir que não tinha?

Lembra quando eu disse que não ia me apaixonar por você porque seria perigoso?
Lembra quantas coisas a gente deixou de fazer porque eram perigosas?
Quantas músicas eu deixei de ouvir porque falavam de amor?

Nós só nos esbarramos, como dois estranhos numa esquina.
Eu não te beijei, eu não te toquei, eu não te senti, eu falei com você e não falei coisa nenhuma.
Porque não sabia o que é um beijo de verdade, o que é tocar sentindo, o que é falar e não ter medo, o que é amar e ser livre, o que é querer de verdade.
E não tinha como saber.
Nem felicidade, meu deus, nem felicidade eu sabia o que era.

Não há comparação que descreva.

Todos os clichês são verdade.
Toda a felicidade do mundo é possível.
E agora eu só consigo ouvir músicas de amor.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

her beauty nails me to her cross

não tenho graça.
tudo passa.
as árvores, os pombos, o concreto.
as pessoas, suco de maracujá, dias lindos de primavera.
dias lindos com sol e vento.
dias lindos em que você se pergunta se à noite fará frio.
se tudo vai mudar algum dia?
alguma noite?
eu espero

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

que saudade da época em que ele pedia desculpas quando demorava pra responder no MSN.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

bloqueia minha circulação

Estava relendo meus posts de junho/fim de maio, quando beijei e tudo isso começou. NA CARA, NA CARA que eu menti pra mim mesma desde o começo e fingi que estava tudo bem. Não tinha outro fim possível pra essa história a não ser esse. Eu fui usada e usei. Eu fui só um troféu numa prateleira de um idiota aí, e por mim não falava com esse idiota nunca mais. Que há com os homens? Superpoderes? Não. Eu é que sou trouxa. Eu é que sou molenga, mas isso não é novidade. É Honey in The Sun, exatamente Honey in The Sun.

agindo difícil

Tudo tinha cara de chuva naquele dia. Tudo parecia querer cair. Todos se lembravam do dia em que o céu foi posto no céu. Mas ninguém se perguntava quando ele ia cair.
Como um cenário de peça solto, como um pedaço de nuvem sendo sustentado por uma linha de pesca, o céu caiu.
Os sorrisos falsos dela não foram o suficiente para segurar o céu. As lágrimas das mães aflitas, dos filhos afoitos, os gemidos de amor, as súplicas de não me deixe, as carícias nos rostos dos amantes. Nada daquilo foi o suficiente, nada segurou o céu.
E todos começaram a dizer que foi culpa de todos. Que fulano não amou o suficiente, ciclana não fingiu o suficiente, o pai de não sei quem abandonou o filho, não leu a história dos carinhos quentes. E por isso o céu caiu.
Deus avisou! Deus avisou, quando colocou o céu lá, com suas enormes mãos quentes, que o céu poderia cair, sim, Deus avisou. Mas nada do que os idiotas aqui na Terra fizessem impediria o céu de cair.
E aí nesse dia descobriram também que Deus não existia. Todos odiaram Deus, e odiaram aquela mão quente gigante, que não servia para nada. E simplesmente não existia céu. Era tudo preto, tudo branco. Era tudo nada naquele dia.
E aí nesse dia as pessoas começaram a se odiar. E houveram muitos suicídios, muitos assassinatos, muitas chacinas, muito sangue, muita dor. E Deus, que já tinha morrido, porque nunca existiu, foi morto também.
E não existia mais deus, e não existia mais céu, e ninguém se amava mais.
Foi aí que eu virei tudo de cabeça pra baixo, e transformei o vazio que tinha sido o céu em chão, e o que tinha sido o chão em céu. Todos caíram num vazio, como num poço de elevador, e eu ri com prazer.
E o vazio onde você anda é chão. E o céu para onde você olha é o meu chão. É o meu lado bom. O lado que você nunca vai alcançar. Se você olha para baixo, seus pés estão num vazio. Sua cabeça está num cheio.
Tudo é ódio, tudo é a minha vontade. Nessa peça nova, em que o céu é chão, e o céu que era o chão, agora é azul, e agora está fora do seu alcance, agora é meu. Eu escrevi então no final, isso aqui quem escreve sou eu.
Isso é uma história de ódio. Gritando FIM no seu coração.

comes screeching to a halt

Você só quer me jogar nos braços de outro pra poder se livrar de mim.
Você nunca gostou realmente de mim, como dizia.
Você só quer saber da minha vida amorosa pra saber quando vai poder deixar pra lá aquela coisa que eu te pedi, que eu prometi te dar.
Você não passa de material pronto pra ódio.
Você queria transar, eu não quis, não ainda, e ainda bem.
Você tem um cheiro até muito bom, mas que pena.
Você nunca gostou de mim, e eu gostei tanto de você.
Você deve ter percebido, porque não vejo outro motivo pra você ter se afastado.
Você só soube me dar desculpas.
Você só soube me enrolar, e enrolou direitinho.
Você só espera pacientemente que eu me jogue nos braços de outro.

Isso não é poético, é triste. É triste, e se apaixonar é jogar limão num corte aberto, não é meigo, seu ridículo. Se apaixonar é esfregar um machucado num muro de concreto. É tudo o que eu te disse que não aconteceria, e aconteceu.

Mas você quer saber? Você cagou na minha vida amorosa. Vai tomar no meio do seu cu.

Isso não é poético, meu deus, me dê alguém pra eu me jogar nos braços e largar esse filho da puta de uma vez. Nunca me apaixonei por alguém tão cheio de mutriques, não-me-toques, frescuras, desculpas, tão difícil, doloroso, difícil de respirar, nhénhénhé.

Isso não é poético. É um desabafo.

domingo, 3 de outubro de 2010

a falta que a terapia não faz, e é estranho

Então. Vou discursar aqui hoje sobre algo que tem me surpreendido: eu não faço mais terapia, e não tenho sentido falta.
Eu pensei que realmente fosse, logo depois ou pouco tempo depois de parar, me pegar pensando "ah, com isso a Silmara poderia me ajudar muito" ou "ah, como eu queria estar na terapia agora" mas não. Só lembrei da terapia em alguns momentos pra pensar "se eu contasse isso, até já sei qual seria a resposta da Silmara." Pois então.
Eu acho que preciso de ajuda só com uma coisa, mas não acho que a Silmara ajudaria, em alguns momentos ela só piorou. Sou muito ciumenta. Tenho uma mente doentia quando o assunto é olha, essa pessoa vai me deixar. Tento o melhor que posso não pensar besteiras, ser racional, mas é como uma onda que vem por baixo de mim. I'm mental. Com algumas coisas, sim. Adoraria parar com isso, sério, adoraria que alguém me ajudasse com isso, porque sentir ciúmes, como eu já disse aqui nesse blog inclusive (eu acho), não faz sentido. Odeio sentir uma coisa que não faz sentido. Você só sente ciúmes, só pode sentir ciúmes, do que é seu. Não é que eu não entenda meus ciúmes, sim, eu entendo meu medo de ser deixada, entendo porque quando tinha sete anos uma pessoa muito importante me deixou. Pior que seu pai morrer é seu pai ir embora sem praticamente deixar rastro, e treze anos depois nem ligar para te desejar um feliz vigésimo aniversário. É pior justamente por isso, ele ainda existe.
Mas com isso acho que a terapia não me ajudaria. A terapia era só pensar, pensar, pensar, refletir sobre isso e aquilo. Como eu disse quando quis parar, não quero mais pensar, quero só agir. Sei lá se isso é bom, ou correto aos olhos das pessoas, mas nunca me permiti agir sem pensar como ultimamente. Adoro essa liberdade, porque, sim, pra mim, isso é liberdade.
Então, saí da terapia, consegui um emprego novo, finalmente saí do telemarketing, SIM, finalmente minha vida vai pra frente.
E tudo isso sem terapia.
Só espero que eu continue assim. E quanto aos ciúmes, faço o melhor pra me controlar. A única responsável pelo meu sofrimento sou eu, assim como todas as outras pessoas. O único responsável pelo seu sofrimento é você, meu filho.

Resumo de tudo isso? Estou feliz hoje, muito.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

fruta da decepção

Não sei, você sabe? Você consegue dizer quando está apaixonado? Porque eu não.
Eu não sei dizer, só sei que ele foi me decepcionando aos poucos, ao longo dos meses, e hoje meu coração está mais despedaçado do que antes. Adoraria poder dizer obrigada e adeus, obrigada e adeus, vou partir no próximo avião para a Terra do Coração Partido Mais Uma Vez. Mas obrigada por o quê? Se fui eu quem te coloquei nesse pedestal. Agora eu mesma te derrubei e enfiei sua cabeça na lama. Não é a primeira vez que eu faço isso, você não é o primeiro. Uma vez vazia, vazia pra sempre. Até encontrar alguém que saiba quem é, e outro dia, à noite, na cama, pensando em você, me imaginei te chamando de problemático, e eu ri, eu ri, eu ri. Não consigo deixar de gostar de você. Não consigo deixar de te odiar. Se isso é amor, por favor me queimem numa fogueira, ou melhor, se isso é amor, por favor coloquem outra pessoa na minha vida, porque eu não aguento mais me decepcionar com ele. De novo, e de novo, e de novo. Uma escada em espiral que dá num poço d'água, que dá no oceano, e eu estou tentando nadar para fora. Mas só escorrego, caio no vão, caio na água, não vale cair na água, você tem que subir tudo de novo.

É só mais um. Mais um pássaro morto no ninho, ferida aberta, minhocas no estômago. Só mais um caco de vidro espetado no meu coração. Obrigada por mais esse? Obrigada, não. Está chovendo lá fora e eu adoraria que outra pessoa viesse com a chuva. Você me machucou da pior forma possível.

Da pior forma possível,
pouco a pouco,
centímetro por centímetro.
Não por não.
Sim por sim para as outras.

Estou muito machucada, muito. E não deixo aparecer porque eu não deveria estar machucada, e quando ele me pergunta, eu respondo que nada. Não, eu deveria estar feliz.

Sempre haverão os dias
em que eu paro e penso
gostaria de nunca
nunca, nunca, nunca, nunca, nunca,
(e isso não é fácil de se dizer)
gostaria de nunca ter conhecido você.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

só, só tem, só tem

só tem merda escrita aqui.

I feel the need of a husband sometimes

domingo, 12 de setembro de 2010

não sei quem eu sou nem faço questão de saber.
sei que tenho um coração quebrado.
é assim que ele funciona.
meu coração só sabe funcionar quebrado, foi assim que ele aprendeu.
desde pequenininho, coração quebrado.

só sei que minhas lágrimas são salgadas.
hoje pela primeira vez, percebi que minhas lágrimas são salgadas.
e é como se eu já soubesse disso, mas não sabia.
é como se fosse senso comum, lágrimas são salgadas.
pronto.

sábado, 11 de setembro de 2010

morros e ventos

eu não sei mais escrever coisas bonitas, porque agora só sei escrever sobre nada que faça sentido para os outros. agora eu me especializei na arte de despejar palavras aqui.

yeah he's tall

ah, sei lá. preciso sair com você na próxima semana, porque não aguento mais.
não aguento mais segurar tanta vontade dentro de mim.
oh, por favor. vamos sair na próxima semana.
que a chuva e o céu e deus ou sei lá qual força cósmica permita que eu possa sair com você na próxima semana.
porque quero fazer todas aquelas coisas dentro do cinema com você,
porque não aguento mais.
tem uma angústia enorme dentro de mim de te ver,
e não tem nada a ver com amor.
amor fede e machuca.
isso angustia porque
quero sair com você
na próxima semana,
oh, querido, eu quero,
para passar a mão pelo seu rosto, os dedos pelo seu cabelo,
beijar seu pescoço.
na próxima semana, por favor.
na próxima semana, por favor.
porque não aguento mais.
porque não fazer sentido ou não escrever coisas bonitas
ou não querer fazer nada disso,
ou querer só ler suas palavras sinceras em vermelho escuro na tela do meu computador,
e você escreve tão certinho, tão certinho,
ah, como eu gostei de estar com você naquele dia.
como eu lembro daquele dia todos os outros dias.
como eu tenho estado feliz.
só querer sair com você,
é só o que eu quero da minha vida.
por favor, que seja semana que vem.

sábado, 4 de setembro de 2010

POST NÚMERO CEM

babe,
I'm your stalker.
But I'm really not good at it.

oh, babe.
I wanna talk to you.
But I'm really not good at it either.

And now, over an year later, I'm nothing but your stalker.
That's all I ever was, babe, as a matter of fact. Ever since oh so many years ago.
I've known you for many years.
I'm your stalker.
Let me tell you, babe, sometimes I love to be your stalker.

Let me tell you, babe, today I'd like to kiss your lips, run my fingers through your hair, find out if you have a beard, lick your neck and hold you tight.

Let me tell you this, babe, cause I'm really in love with the thought of
you make me wanna
just

Let me fucking tell you this.
I don't wanna be your stalker anymore.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

muitos parênteses

Enquanto subia aqueles degraus, ela se lembrou do conselho que recebeu há alguns anos, de alguém que hoje talvez no mínimo estranhasse sua atitude. Ninguém sobe a escada pelo último degrau, não é mesmo? E ela ainda se lembrava do sorriso de batom rosa, o cabelo enrolado que mais tarde ficou liso, como na época em que ela mesma usava liso e recebia elogios pela melhora na auto-estima. Pensava como aquela época tinha sido benéfica e ao mesmo tempo sem sentido. Continuou subindo os degraus, e pensava no corrimão dos degraus das escadas de metrô, das escadas de prédios alheios, nos quais ela evitava encostar. O único corrimão por onde ela corria suas mãos era aquele da escada do prédio, a escada preta com manchinhas brancas. Mais um lance, e mais um lance, e era o sexto andar, mas naquele dia ela, por algum motivo, não estava prestando atenção enquanto subia. Isso era coisa que nunca acontecia, mas estava dentro de si mesma, dentro de pensamentos que não se lembrava mais de onde vinham, mas que tinham a ver com a incrível, estupenda, enorme, generosa sensação de liberdade e sou-eu-mesma que ela estava vivendo. Beijar não é como andar de bicicleta. Estava livre, e continuou subindo. De repente algo parece estranho. Ela para em frente à parede, curiosa, esperando, como se soubesse que de repente sua cabeça ia fazer clic e ela ia perceber que subiu um lance a mais, já a caminho do oitavo andar. Mas isso nunca acontecia. Só aconteceu uma vez, ela lembra bem, quando foi buscar a pizza, contrariada, e tinha acabado de alisar os cabelos (era naquela época de suposta alta auto-estima, e disso, ah, disso ela discordava profundamente, porque naquela época tinha muito trabalho para alisar os cabelos. Sempre queimava a ponta dos dedos, e detestava o cheiro, e detestava ver as raízes insistindo em enrolar em um dia de calor ou depois de pegar aquela garoinha que ela pensou que não fosse estragar o cabelo, mas estragou. Adorava os cabelos agora que estavam tingidos de ruivo, mesmo sendo um ruivo já meio loiro de desbotado, com as raízes escuras aparecendo bem, as pontas tão deliciosamente enroladas, ao natural, sendo o que são, sem necessidade de queimaduras. Isso, para ela, era verdadeira auto-estima, não cabelo falso, trabalhoso, fedido, com luzes que pareciam verdes depois de um tempo, apagando seu rosto.) e os meninos do prédio, com os quais ela não conversava, (tinha gostado bastante de um. Ele era alto, tinha o cabelo enrolado, era branquinho e fazia muito bem o seu tipo. Pensava, com saudades, se ele ainda morasse no prédio, talvez hoje ela tivesse coragem. Mas ele se mudou há alguns anos.) ou talvez tenha sido um menino e uma menina, uns idiotas, ela nem sabia quem eles eram mas os dois insistiam em mexer com ela toda vez que passava pelo corredor escuro com um toldo lá embaixo, (por isso adquiriu o hábito de só tirar os fones de ouvido quando já estava na porta do apartamento, ou aumentar o som ao cruzar o portão do prédio, para evitar ouvir aquelas pessoas que mexiam com ela sem ter um porquê de mexer com ela, que tanto machucavam sem precisarem realmente machucar) disseram mais uma vez palavras grosseiras dolorosas. Ela estava nervosa, muito nervosa, não via sentido naquilo, e odiava receber xingos assim, sem motivo, odiava quando faziam aquilo com ela na escola, também. Então subiu até o oitavo andar, o último, sem perceber, e deu de cara com a portinha medonha que leva ao telhado, e não com mais um lance de escadas, o nono andar inexistente. Foi pânico, foi medo para tudo quanto é lado, inundando a escada, fazendo tudo difícil de respirar. Ela desceu de volta ao sétimo, chegou em casa, não contou para a família que mexeram com ela lá embaixo, não com as exatas palavras que ainda doiam bastante. Isso ela contou para a senhora de cabelos encaracolados, mais tarde alisados, e batom rosa. Mas desta vez nem sequer chegou até a portinha medonha. Ela percebeu bem antes que tinha subido só um lance a mais. Tem algo errado, não sabia como sabia, mas sabia, e voltou. Encontrou que estava certa, realmente passou do andar certo, e abriu a porta, já sua bem conhecida, sem necessidade de 7 na frente, e chegou em casa.

sábado, 28 de agosto de 2010

urso

gemer durante o beijo é minha prova de deleite
durante o seu beijo é minha prova de deleite
gemer entre seus braços, gemer porque gemer vem de dentro
vem e sai, não segura, não prende

gemer é a prova de que eu sou só gemido
nos seus lábios
nos seus braços
meu coração geme
e sai, e sai, e sai, e sai, não segura

gemer é como eu saio, durante seu beijo, gemer é como eu me saio, é como eu adoro
sentir seus lábios... gemer
gemer não sai, gemer não machuca, gemer não doi

gemer treme, gemer me banha em querer, em leite, em cheiro...
gemer me faz querer, só mais, mais
gemer me leva para dentro disso, um aquário, um oceano, mil litros de você
me leva para fora das minhas pernas
me leva para dentro disso que arde, gemer arde

gemer é assim, não se segura, não se prende
gemer é só o que eu sou
quando gemo
durante você
durante seus braços
durante meus tempos sozinha
durante meus dedos em mim
gemer só sai, não segura
eu não prendo
que vontade de gemer, meu bem, meu querido,
gemer nos seus lábios
gemer com você

que vontade, que vontade, meu bem, oh, meu amor, meu bem, meu bem
lembrar você
ah, gemer... meu deus

sábado, 21 de agosto de 2010

é engraçado, muito.

É assim, então. Ninguém tira sua solidão de você. Não tem como. Grudada igual a um chiclete no seu coração, enquanto ele pulsa. Bum bum bum, chiclete.

É assim a solidão, é assim, então, só assim, só assim, simples assim, não sai quase de jeito nenhum.

Quero ser sua namorada quero ser sua namorada quero ser sua namorada

só significa

quero transar com você quero transar com você quero transar com você

e aí vêm os

olhares escandalizados! oh! oh! ooooh.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

terra, suicídio, amanhecer, cigarro, quente em minhas mãos

Parar. Parar no meio do caminho, voltar.
Voltar para onde? Para quê voltar? Por quê? Por quem?
Se você queria tanto, por que não se jogou na frente daquele carro, ou daquele ônibus, naquela avenida, naquele farol?
Talvez um caminhão viesse, te atropelasse e ainda jogasse a caçamba cheia de terra em cima de você.
Ela tinha só 19 anos, poderia ter sido você, que pena, que pena.
Já teria até o túmulo encaminhado, pronto, esperando, caindo por cima, nada sobre nada.

Por que tudo isso, por quê? Eu não entendo porque cansei de entender.
Lágrimas e mais lágrimas contidas, eu paro e volto.
O banco sentado, o banco esperando, o banco é nada.
Eu sento, nada sobre nada, eu sozinha.
Não vejo as pessoas passando, eu estou parada.
Vi o sol se descobrir do prédio, onde os homens trabalhavam,
vi suas silhuetas no sol, não tapei os olhos, não desviei,
num mísero pedido de queime minhas retinas.
Não queimou.
O sol diminuiu, por trás das nuvens.
Um círculo branco no céu.
Os homens trabalhando, onde estou e quem sou eu.
As pessoas passando, onde estou e quem sou eu.
Meu coração doendo, onde estou e quem sou eu.
A vida não vale mais nada.
A vida não vale mais as piadas, não vale mais as risadas, não vale mais os rostos ou as roupas, não vale mais os horários, não vale mais as refeições.

A vida agora só vale cigarros.
Só vale seu corpo, só vale seu gozo.
A vida agora só vale você.
Só vale seus dedos dentro de mim, só vale seus lábios nos meus.
A vida agora só vale fazer tudo ao contrário.
Só vale o meu corpo tremendo por você.

Só vale levar o cigarro à boca, tragar, olhar para as pessoas, a senhora com seu olhar horrorizado,
e dizer,
SIM! estou vivendo, eu só valho isso.
Só um cigarro, por favor, me deixa viver, sentir prazer, gozar de cigarro.

Nunca escrevi nada mais cheio de palavras simples, nada mais cheio de sinceridade quanto a minha vontade de transar e fumar um cigarro.

domingo, 8 de agosto de 2010

carinhoso sofrido

Meu coração, não sei porque, bate em mim feliz, quando te vê.
E os meus olhos, injetados de sangue, dilacerados em hematomas, cansados de lágrimas, tentam ficar sorrindo,
e pelas ruas de lajotas escuras, sujas e pontudas, tropeçando e caindo, vão te seguindo...
mas mesmo assim, foges de mim, e não te culpo, pois fujo também.

Ah se tu soubesses como tento ser tão carinhosa e não consigo por causa das bandagens, e o muito, muito, tanto que te quero
e como é sincera a minha dor, eu sei que fugirias muito mais de mim.

Vem, vem, vem, vem, vem sentir o calor dos meus machucados à procura dos seus esparadrapos,
vem matar essa doença que me devora o coração
e só assim então serei feliz, bem curada, sairei do hospital, com meu peito aberto, meu coração nas suas mãos,
bem feliz.

marsh-lista

Não sei o que dizer aqui, quero dizer alguma coisa. Vou fazer uma lista de coisas que quero dizer.

1. que um dia vou poder dizer abertamente o que eu sinto, mas hoje não.
2. que estou com medo.
3. que aprendi que não preciso ter medo.
4. que quero sair.
5. que falo dormindo, que mostro dormindo que quero quebrar tudo.
6. que dentro de mim tem um oceano imenso, batendo de um lado para o outro.
7. que adoro quando ele mexe nas minhas coisas, me excito quando ele mexe nas minhas coisas.
8. que não posso dizer isso exatamente como quero.
9. quero dizer só que não sei o que quero dizer.
10. não tenho muito medo de cair no seu conceito, só um pouco.
11. não tenho muita certeza ainda de quem eu sou, mas gosto do que vejo que eu sou.
12. que não tenho saudades do meu passado, que acho que mudei muito, mas perguntei para as pessoas se eu tinha mudado, e elas disseram que não.
13. que tentei contar por quantos homens eu já me apaixonei, e descobri de novo que não sei se algum dia eu realmente me apaixonei.
14. que não sei o que é me apaixonar.
15. que tive sentimentos muito fortes, muito doídos, por alguém cujo nome começava com Y.
16. que acho que as pessoas podem achar isso muito estranho. nomes com Y SÃO estranhos.
17. que chorei por noites seguidas, por meses seguidos.
18. que realmente, certas feridas o tempo não cura, mesmo.
19. que a minha cama é uma espécie de casulo de madeira, com armários em cima, madeira para todo o lado, não sei explicar.
20. que eu usei minhas unhas para desenhar coisas na madeira, coisas como coraçõezinhos quebrados, coisas como um rabisco forte, forte, que eu apertava contra a minha unha, cravava, encravava minha unha do dedão naquele risco, chorando, chorando, apertando cada pele de mágoa em mim, de um lado para o outro, um corte fundo na madeira.
21. que esse risco ficou muito profundo mesmo, e que, se algum dia alguém comprar a minha cama ou levar embora daqui, leva junto uma porção de mágoas que eu revejo todos os dias, quando viro pro lado e me encosto na madeira, e acaricio aqueles desenhos, e lembro.
22. que essa pessoa, provavelmente, não vai querer levar embora a cama por causa dos rabiscos (são muitos)
23. que aquele risco profundo, mais tarde, depois que eu estava calma e não chorava mais, virou um cachorro, com orelhas bonitas em pé, um rabo enrolado, como um husky siberiano, como eu sempre quis. um bom cachorro, com cara de feliz.
24. que gosto de madeira, de cheiro de madeira.
25. que adoro quando olho para o céu, antes de entrar no trabalho, vejo aquele guindaste alto, alto, da obra do prédio que estão construindo ao lado, e sinto o vento gelado, e vejo as nuvens, e penso que talvez, talvez eu esteja realmente lá, esteja realmente viva, e que queria parar e sentir aquele vento, e que não quero ser vista como louca, mas acho que já sou.
26. que existe uma quantidade imensa de maldade no mundo.
27. que existe uma quantidade maravilhosa de pessoas como ele no mundo. difíceis de encontrar, mas estão lá.
28. que somos todos humanos. ser humano é fazer um monte de besteiras.
29. que eu fui salva.
30. que acenderam a luz para mim.
31. que há algo muito perigoso em se apaixonar, apesar de eu não saber dizer muito bem o que é se apaixonar, então não sei dizer muito bem o que é perigoso nisso, se é o risco de querer passar o resto dos seus dias com aquela pessoa e saber que aquela pessoa não quer passar o resto dos dias com você. vai ver é isso (mas eu nunca quis passar o resto dos meus dias com alguém. quero passar muitos dias, mas não o resto deles)
32. que não podemos nos apaixonar por alguém quando estamos nos relacionando sexualmente com essa pessoa. se apaixonar é querer passar o resto dos seus dias com alguém?
33. que se nos apegarmos, podemos nos dar mal e acabar com um coração (mais) fodido.
34. que as pessoas legais fazem sexo casual sem se apaixonar.
35. que eu não tenho mais nenhuma dúvida quanto à certitude do que eu faço. para mim é a coisa mais certa do mundo porque me ajuda a respirar.
36. que ultimamente tenho tido muita falta de ar dentro do ônibus, quando ele sacoleja e eu estou ouvindo música, não consigo respirar.
37. que isso não acontecia antes, e eu pensei que fosse normal.
38. que tem coisas que a gente pensa que é normal, que acontecem com a gente, mas quando a gente vê, não acontece com mais ninguém. então dizem, então, né, dizem que não é normal.
39. talvez eu morra dentro do ônibus.
40. que não tenho mais dado ouvidos àquela vozinha dentro de mim que me diz "as coisas vão acontecer" ou "as coisas não vão acontecer." eu mesma tenho dito que as coisas vão acontecer, e elas têm acontecido.
41. talvez seja patético ser otimista. eu nunca fui; só comecei a ser recentemente.
42. que não quero pensar muito. quando penso muito, penso besteiras, e gosto de mim mesma assim.
43. que quero começar a colocar marcadores aqui.
44. que esse blog é meio obsoleto, deixado de lado, porque às vezes eu acho que só escrevo merda.
45. que deveria desenhar mais.
46. que sou eu mesma, acima de tudo, não vou ouvir as mesmas músicas de você só porque às vezes paro e penso caramba, como eu gosto de você.
47. que não sei ser mal-agradecida, mas aí não sei ser um monte de coisas.
48. que não quero pensar no que o futuro está carregando, o futuro é um filho da puta, ele me persegue, vem por trás de mim mesmo dizendo que ele está na frente.
49. que quero pensar assim, agora estou feliz, agora tenho isto isto e aquilo nos meus braços, agora estou me sentindo mais independente do que nunca, agora é o que eu planejo fazer com você no futuro, e que farei, porque o futuro é o presente também.
50. não sei porque estou falando com alguém como se fosse "você." isso é patético e meloso. tudo o que é meloso é patético, tudo o que eu faço, como ter ciúmes ou comer sem fome, quando é sem sentido, é patético.
51. que tenho que tomar mais cuidado com as coisas que eu sinto (apesar de não querer tomar cuidado nenhum)
52. vou colocar marcadores.
53. que me excito muito com mãos. não sei de onde vem isso. adoro quando minha cabeça gira, quando penso em mãos. eu pensava que meu fetiche envolvia pernas, mas envolve mãos.
54. o que é fetiche?
55. o que tem de mais humano em mim? o coração? meu coração é um trocinho ali.
56. é, estou feliz
57. e feliz
58. e feliz
59. e feliz
60. e fiz uma lista com sessenta coisas que não fazem sentido. estou feliz.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

mr. sandman!

Pisei no hall, e ouvi aquela música. Eu coloquei de propósito. Você pode até dizer que eu gosto de sofrer, e eu talvez goste, mesmo. Não sei dizer essas coisas de mim. Mas, bem, pisei no hall, minha garganta doendo, eu sabia que deveria ter fechado a blusa dentro do cinema, porque fazia frio e meus dedos formigavam.
Mas então, abri a porta da escada, e não acendi a luz. Tudo escuro. Não sei se consegui ver os degraus, mas tive a impressão que sim, degraus impressos na minha memória. Quis subir no escuro para chorar em paz, mas só conseguia ouvir a música e sentir os músculos do meu rosto se contorcendo, meus olhos queimando, e as lágrimas que eu tanto me espremi para escorrer escorrendo. E se vier alguém, que patético a menina chorando na escada? Chorei, sim. Chorei por perceber que gostei muito de deixar minha infância para trás. Como chorar se estou feliz? Estou com vontade de chorar agora.
Acendi a luz. Segurei no corrimão de metal pintado de preto, frio, gelado. Deixei meu corpo para um lado, pisei para cima, para a frente, degrau por degrau, nem me percebi subindo, porque estava chorando.
Só subi, só subi. Queria subir até as nuvens, me jogar, me espatifar no chão. Que medo de você me odiar. Ouço essa música, e concordo, e concordo. Sua terapia é a que eu mais adoro. Mas só subi.
E quando vi, já tinha chegado. Sei dizer que é o sétimo andar não porque há um número que me diz 7, porque só tem um número no quinto andar, que diz 5. A porta do sexto é branca. A porta do sétimo é preta. A luz começou a piscar do sexto para o sétimo. Eu desejei que ela apagasse. Mas alguém, em algum outro andar, acendeu a luz.

E acendeu em todos os outros andares.
E acendeu a luz para mim.
Quando eu queria que ela apagasse.
Alguém, em algum andar, acima ou abaixo dessa terra para onde eu volto e revolto, acendeu a luz, apertou o botão, ouviu o clac, barulho tão gostoso, tão gostoso. E não apagou para mim.
Aprendi que isso é o que é, e é o que é, e é o que é.

de sementinha de emoção

Pequenos jardineiros de mim, que me enchem, me preenchem. Em alguns dias, me jogam terra, em outros, me jogam água, em outros dias, me fertilizam. O que eu era, o que eu fui? Cresci, decresci? Virei as fases da lua ao contrário em mim? A árvore sabe que é árvore, quando já é árvore? Sabe que é semente, e a semente sabe que é intenção de árvore?

O que fui, que não tenha sido preparação dos meus pequenos jardineiros? Todo o mundo é meu jardineiro. Todos os meus jardineiros são assim, como você. São vozes lindas, são fortes, são emoções que não sei mais resgatar. Me fazem desesperar, me plantam, me adubam, me cheiram e dizem como é frondosa aquela árvore. Eu, broto que sou, olho e penso, e se algum dia eu for frondosa assim também? Sou terra, sou semente, sou solidão, sou um pedacinho de vida colocado num pedacinho interessante de mundo para crescer. O que faço agora? O que vejo atrás, o que vejo à frente? Minha seiva escorre, meu tronco lasca.

Estou chegando ao céu. Acima de mim, os pássaros. Tenho frutos, olha! E os pássaros... E o céu. Quero ser árvore para sempre. Não quero pensar no dia em que não serei mais árvore. Só olha, e fecha os olhos, porque a vida é agora, não amanhã, não ontem, não depois, é agora. E teu farfalhar me leva, me leva para longe, e você pergunta por quê? Porque quis ouvir, porque quis levar, porque quis ficar, porque quis te querer demais.

Vem, vamos combinar de céu e árvore. Da janela da casa dentro de mim, vejo o céu e vejo árvore. E tudo é branco, e eu sou árvore em casa, vou ser sua casa, seu móvel, seu corrimão, vou te ajudar a respirar, respirar fundo, te amar sem te saber.

Até o dia em que meu tronco estiver cinza, e minhas flores já escassas. Te guardo uma flor. Te guardo uma folha. Te guardo uma lasquinha de mim, para você estilhaçar, para você brincar, para você ver e rir e lembrar, que aquela árvore te ajudou a respirar, te amou sem te saber, e porque esse é só o jeito dela de amar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

não

Não estou parando, não parei. Sei que por você e pelos outros ainda hei de chorar, hei e hei de chorar.

chora, que chorar é uma bosta

você vê, perdido de mim? que você ainda me faz chorar? depois de um ano, e nem que passem mil, você ainda me faz chorar. e todo o tempo que eu joguei ali, todos os textos que escrevi pra tentar te ver no meu coração, tudo o que te fiz, eu fiz pra mim. eu te amo. mas que porcaria é essa? eu não sei mais ser verdadeira. você ainda me faz chorar. e isso tudo é tão patético. eu talvez goste de chorar por você, ainda. só pra ver se você consegue sentir uma pontada no seu coração.

A SUA PONTADA SOU EU CHORANDO, SOU EU CHORANDO, SOU EU CHORANDO.
e você que não se atreva a se esquecer dessa porcaria de pontada. eu te amo, eu só quero dizer que estou chorando. eu te amo não significa eu te amo e eu não estou realmente chorando. por dentro eu te amo significa eu amo alguém, alguma coisa que não sei se é você, se você é o meu te e eu sou o meu eu, e eu estou chorando significa estou chorando por dentro.

grita CHORA dentro de mim, me joga contra a parede, me pega para você. porque isso é tudo que eu tenho agora, meu amor, ah, meu amor, agora sim eu estou chorando... como ainda doi. me desculpa, meu codinome, me desculpa por chorar por um passado que passou. por que isso tem voltado tanto a tona ultimamente? quem sou eu para chorar por alguma coisa que nunca aconteceu? é tão quentinho. minhas lágrimas, mãe, são tão quentinhas. eu estou com muita dor.

chora, chora que essa merda, essa bosta, esse INFERNO de choro tem que sair, não pode ficar. não pode ficar aí dentro, eu te amo. não pode ficar aí dentro de você, minha querida, eu estou chorando porque digitei as palavras "meu amor" com um "ah" no meio. é dor demais. vou parar. estou parando, parei.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

I fried my head, I'm not a brunette

Faz tempo que eu não posto aqui, hein? Tenho desenhado mais que escrito. Talvez eu esteja me tornando a boa desenhista que eu sempre quis ser. Mas sério, estou sempre com o meu caderninho. Simplesmente não tenho escrito nada.

É bom sinal, eu juro.

sábado, 17 de julho de 2010

amor de mochila

escrito no dia 15/07/2010, no escuro, dentro de um cinema, chovia lá fora.

Estamos a sós,
somos só nós.
Você, minha, e eu.
Só nós.

Gente estranha lá atrás.
Quero disfarçar, amiga minha.
Que estou com medo,
que estou sozinha,
que estamos a sós.

A acústica da sala não é das melhores, não me agrada.
Eu ouço o vibrando, vibrando, tremendo, do som da sala ao lado passar por você.

Estamos nós.
Estamos a sós.
Eu e você, minha cúmplice-comparsa,
eu e você e você e só eu.

Companheira inseparável, sempre agarrada às minhas costas.
Ah, amiga minha, amiga minha, de tantos momentos, de tantas lembranças.

Estou com sono, amiga minha,
e talvez seja isso,
talvez não,
mas te vi como amiga.

terça-feira, 6 de julho de 2010

o tremendamente imenso amor de neve e vento

Abismo, abismo enorme.
A neve cobriu todo o solo, toda a planície, a casa, as roupas no varal, as luzes e as flores, tudo, de branco.
Até onde seus olhos forem, até onde se estenderem, você vê o céu se misturar com o chão.
Tudo é branco, tudo é sereno, tudo dorme, respira, e o vento escuta, o vento vem.
Você não sabe mais onde está pisando, ou sabe, meu bem?

Segura a minha mão. Olha.
Olha onde pisa, meu coração.
Um pouco de neve, um pouco de vento, um guarda-chuva na mão.
Chorou a noite inteira, meu amor?
Te levo para longe, te sinto respirar, te rodeio e te acaricio, te toco e te invado, meu doce, doce, doce branco.
Há anos te quero porque te amo, há anos te levo porque te amo. Mas sabe?

Fiz tudo branco, agora, e tudo é nuvem, tudo é céu, tudo é chão.
Me desola daqui. Meu amor me arrastou.
Meu amor é imenso, meu amor cobre todo o mundo, meu amor toca tantas outras ao mesmo tempo que a mim.
Me salva e me levanta, me sente cair, me sabe a hora certa, me vê no horizonte, e vem, vem, vem.
Há quanto, quanto, quanto, tanto, tanto que te amo. Mas sei.

E é assim que, quanto ele te levanta pela manhã,
quando te vê no espelho,
quando te sente viver,
quando te beija e te entra, te é o que é, te acalma e te sente os dedos quentes, te faz os dedos úmidos de nervoso,
te é um amante, te é um outro amante, te faz viver.

O vento não esquece jamais, jamais.
De profundo e de amor, de claro e de escuro, de doce e de amargo, de guarda-chuva na mão,
lembra de seu vento.
Lembra de sua neve.
E não esquece jamais, jamais.

amor desses bem épicos

Tenho uma grande queda, praticamente uma foz do Iguaçu, por histórias de amor com algo de heroico. V de Vingança, por exemplo, é um filme que mexeu muito comigo. Talvez em uma vida passada eu tenha sido amante de um heroi, de um revolucionário, de alguém importante, alguém que lutou pelos seus ideais e teve que me deixar por isso. Essa ideia me parece a de amor completo.

Você sabe que amor, amor mesmo, a gente simplesmente sabe que sente por alguém, e a gente sabe desde o primeiro momento em que vê a pessoa. Nunca passei por essa experiência. Digo que já fui apaixonada por muitos meninos, mas quando faço uma retrospectiva, vejo que amar, amar, mesmo, nunca amei. Gostei muito de alguns, dediquei todo o espaço dentro da minha cabeça e do meu coração a esses meninos, mas isso nunca valeu muito a pena. Exceto pelo aprendizado. Hoje eu vejo que não sou mais a mesma de antes, que se apaixonava por qualquer coisa que se movia. Veja você, eu estive uma semana na faculdade de biologia. E nessa uma semana, conheci algumas pessoas que me receberam muito bem lá. Uma delas era um cara chamado Fernando. Como eu já fui para a faculdade com a ideia de "opa, aqui é que eu vou encontrar alguém, finalmente" confesso que me apaixonei por esse cara, sem nem saber quem ele era. É como se o meu coração fosse uma arma, procurando por um alvo, procurando, procurando, escolhendo e atirando. Não tem que ser assim. Se eu tiver que me apaixonar, não posso sair escolhendo dessa maneira. Teve também um outro caso, em que eu me apaixonei por um menino da escola só porque ele me pediu emprestado um pedaço de vassoura (ele era do grupo de teatro. É uma longa história, mas acho que ele era homossexual.) Só teve uma pessoa, um menino cujo nome eu prefiro não dizer, lógico, por motivos de apego pessoal, que talvez tenha se aproximado de um amor real, mas também não foi. Sei que gostei dele por cerca de um ano, e até hoje ainda o vejo de vez em quando, de longe. Também acho isso interessante, tem pessoas de quem eu gostei muito e que nunca mais vi (as duas me traumatizaram bastante) mas esse menino, eu sei onde encontrar, eu sei onde ele mora, e o vejo mais ou menos de um em um ano, ou em menos tempo, porque eu simplesmente acabo achando ele por aí, por acaso. É muito interessante. Mas não nos falamos, em nenhuma dessas ocasiões.

Nem eu mesma sabia quem eu era, quando estava apaixonada. Hoje eu sei quem eu sou, e aprendi muitas coisas a respeito do amor. Voltei a acreditar nele, mas num amor diferente do que eu acreditava antes. Amor é uma coisa única, uma coisa cuja banalização deveria ser um crime, é uma coisa que acontece uma vez na vida entre duas pessoas, uma vez, uma vez e nunca mais. E tenho me divertido bastante pensando nessas coisas todas. Só sei que nunca aconteceu comigo, mas isso não é motivo para me reservar ou chorar as pitangas loucamente, esperando desesperadamente.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

não tem graça nenhuma

Viu só. Hoje eu estou muito triste. Meus olhos estão inchados. Por uma coisa besta que não é bem uma coisa besta. Eu sei lá. Não sei bem no que acreditar, sei que não estou feliz. Não me importo com ninguém. As pessoas que eu amo, que eu gosto, também são aquelas a quem eu odeio. Na aula de desenho, eu esqueço de tudo, sombreio, lápis 6B, HB, lencinho. Lencinho que eu posso usar também para secar lágrimas. Estou cansada de secar lágrimas. Nossa, o que acontece comigo? Eu sou diferente das outras? Não sei ser só simplesmente amante das horas vagas? Nossa, nossa. Eu queria tanto que o "cara certo" aparecesse, que nem sei mas quem eu sou. Tenho esperado por esse cara certo. Queria que ele aparecesse e andasse de mãos dadas comigo, e me beijasse durante um abraço, me segurasse pela cintura, saísse comigo, fosse a um museu comigo, tomasse sorvete comigo, me desse alguma coisa de presente, me amasse. Nenhum homem jamais me amou. Cadê todas essas coisas? Ainda falta alguma coisa, é óbvio que falta. E até lá eu vou continuar me derretendo em lágrimas e mentindo, fingindo, quando deveria estar falando a verdade, quando deveria estar sendo o que eu sou, ou dizendo o que eu penso. Sou patética. Mas não posso mais viver com isso. Sou ciumenta e sou terrivelmente complicada. Nem sei quem é que pode me aguentar, nem sei onde ele está. Mas não está aqui. Eu não conheço esse cara. É um filho da puta, eu te digo, é um filho da puta.

cada dia de tristeza é um poema. cada dia de tristeza sai de mim como isso.

isso que eu já sei fazer muito bem. deus, estou cansada disso. a revolta volta.

lunar sea lullaby

Tenho uma novidade para contar.
Meu vazio continua dentro de mim.
Eu ainda estou vazia.

Tenho uma novidade para te contar.
Coloquei a mão lá dentro do meu coração, e ainda tem uma boa parte faltando.
Meus remendos ainda estão todos lá, meus curativos, meus machucados.

Não queria ter que contar essa novidade para ninguém.
Estou vazia.
Quero roubar alguma coisa.

Acima de tudo, tenho uma coisa para contar para mim mesma.
Que talvez eu não seja forte o suficiente para aguentar tudo isso.
Que não sei onde estão minhas respostas,
que não sei o que fazer agora.
Que nada aconteceu fora de mim.
Mas alguma coisa aconteceu dentro de mim.

Quero contar para mim mesma que estive mentindo.
Sou uma grande mentirosa, minto para mim mesma.
Minto para quem não deveria mentir.
Estou morrendo, morrendo de dores.
Estou chorando.

Só te dizer:
continuo vazia.
E adoraria acabar com tudo agora,
mas não quero.

A dor de continuar é maior ou menor do que a dor de acabar com tudo?
Um dia eu vou descobrir.
Só sei que, agora,
nesse momento,
nesse momento horrível,
triste, acabado,
pronto, fim,
eu percebi que não sirvo pra isso.

Mas te conto que vou fazer o meu melhor.
Essa é a minha novidade.
Continuo sozinha.

domingo, 27 de junho de 2010

u-hum

já é a terceira vez que eu falo, mas quando estou feliz, realmente não tenho nenhum tipo de inspiração concreta (vide abaixo). estou esperando essa inspiração aparecer. quando aparecer, vou postar um puta dum texto ou poema aqui.

até lá, até.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

porque em inglês é melhor

Não sei o que dizer aqui, só sei que quero dizer alguma coisa. A casa está silenciosa, a rua está silenciosa, exceto pelos meus sons, pelo tlic tlac do teclado, pela música revoltada que eu estou ouvindo agora. Agora são 1:35. Só quero dizer alguma coisa, mas não sei o quê. Meu método é simplesmente escrever. Não sei realmente o que dizer sobre mim. Parece que eu estou cheia até a borda, e cansada de dizer que estou cheia até a borda. Dormi a tarde inteira. O que fazer de mim? Eu não sei. Eu estou cansada, estou com sono. São 1:36 agora. O tempo passa devagar demais. E devagar às vezes é rápido. Meus sentimentos, o que é isso. São 1:36 ainda. O tempo não passa, eu insisto, e observo o relógio. São 1:37 agora. Os minutos passam, se tornam horas, se tornam dias, se tornam meses, se tornam uma coisa enorme chamada vida, mas eu estou aqui ainda. Não passou tempo nenhum. Não sei medir esse tempo. Adoro essa música. Ela tem três minutos e quarenta e quatro segundos, e eu vou ouvir esse tempo de música, e o tempo vai passar, e eu não vou perceber. Mas se eu parar a música e olhar para o relógio, o tempo não passa. Eu preciso de natureza. Estou precisando de natureza. Quero tantas coisas. Me sinto quebrada por dentro, como se alguém tivesse me dado uma paulada, como se eu fosse um cachorrinho acuado, ferido, vermelho, num canto, que tomou uma paulada, mas esse cachorrinho tem consciência de que mereceu a paulada. E quer essa paulada novamente, deseja a paulada de volta, mas sente que fez alguma coisa grave, e a paulada está prestes a ir embora. O cachorrinho sempre sente que está sendo deixado para trás. Todo mundo algum dia vai abandoná-lo. Todos vão embora. Ninguém vai ficar com ele. Ele vai ficar sozinho, sozinho, e que medo enorme de todo mundo ir embora. Cachorro carente, cachorro que ama fácil, que desama fácil. Cachorro. Eu sou muito mais um cachorro do que eu. Assim, me represento agora, como me sinto nesse momento. Eu sinto que fiz alguma coisa gravíssima, alguma coisa irreversível, que disse algo que não deveria, como se alguém tivesse aberto uma válvula em mim hoje. Hoje falei e não falei nada. Hoje não falei nada e falei alguma coisa. Estou com vontade de chorar, e com vontade de bocejar. Olha, já são 1:42. Estou me sentindo melhor. Estou melhor. Já é outra música, mal prestei atenção naquela que eu disse que adoro. Não sei se sei fechar minhas feridas sozinha. Vou ficar assim para sempre, por causa do meu pai? É por isso que não vou ter filhos. Meu pai foi embora, e agora eu penso que todas as outras pessoas vão, também. Não é que seja mentira isso, porque todo mundo vai embora, sim, mas eu tenho que aprender a aproveitar enquanto as pessoas estão aqui. Por que ficar esperando o momento em que meu pai vai embora (meu pai aqui é qualquer pessoa que se aproxime de mim), por que não aproveitar enquanto ele ainda está aqui? Tenho que aprender a fazer isso, faz-de-mim. Vou fazer o meu melhor, vou fazer o meu melhor! E um ponto de exclamação para que fique bem claro. É tudo tão dramático. Será que é verdade? Eu sou assim mesmo? Ou sou só eu, eu e eu? Sou só eu. Não sou assim, tudo isso de drama. Sou só eu. Eu sou tudo isso, e me aceito com tudo isso, e me quero com tudo isso, e não aceito de outra forma. Pai é uma coisa estranha. Eu não sei se amo meu pai. Acho que sim. Apesar de tudo, todo mundo ama os pais, e, se falta um, amamos mesmo assim. E agora são 1:47. Dez minutos se passaram. Eu estou bem melhor. Adoro essa música aqui, também. Minhas costas estão coçando. Tudo continua em silêncio, exceto pelo tlac tlic do meu teclado.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

ai de mim

Essa maldita terapeuta continua me cobrando amor. Amor é o seu cu, é o seu cu, é o seu cu. Eu não amo ninguém. Não sei o que acontece com ela. Estou fora dos padrões. Sabe, oi, tem alguma coisa de angústia dentro de mim. Angústia pequena que eu não sei dizer de onde vem. Estou me repetindo uma pergunta. Sou eu quem cobra ou são os outros? Eu amo minha mãe. Mas não amo ninguém. Coisas difíceis, coisas que não me perturbam, eu estou bem, haha, estou muito bem. Não quero encontrar algo de errado, porque não tem nada errado. Eu estou feliz. Estou bem, muito bem, muito bem, mas não quero que ninguém mais me cobre amor. Não vou aceitar mais isso, a partir de hoje não vou mais aceitar isso. Percebi que o amor é muito maior do que qualquer coisa que eu já tenha sentido por qualquer cara que passou pela minha vida. Nada daquilo foi amor. O amor virá? Ainda está por vir? Não é irônico, extremamente engraçado, que o amor não tenha NADA a ver com beijos? Estou organizando meus sentimentos dentro de mim. Esse texto sou eu organizando os meus sentimentos. Minha cabeça é um armário. Ele já esteve lotado de jarras de lágrimas. Já esteve lotado de brinquedos. Já esteve lotado de preocupações. Lotado de tempo, e outras vezes sem tempo nenhum.

Não aceito mais, NÃO ACEITO MAIS que ninguém me cobre amor por um homem. Nem eu mesma. Não tolero mais isso. Vocês querem o meu bem? Você quer é que eu seja como você, que tenha um marido, que viva o grande amor que você julga ter vivido. Eu não sou, eu não vou, eu não quero. NÃO ME COBRE MAIS AMOR.

Não me cobre mais amor, não me cobre mais nada. Eu não aceito mais. Acabou o meu tempo, já fazem 4 anos. Já tirei tudo o que eu podia daqui.

Letícia, lembrete: acaba logo com a terapia. Deixa de ser a cagona que você é.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

letras, música

já me disseram que sou tantas coisas.
sou tantas coisas.
não sou nada, absolutamente nada.
sem essa sonolência, esse frio na barriga.
é meu.
é hoje, é amanhã.
quero chorar de frio na barriga.
é bom, é gostoso.
quando isso tudo vem,
tudo é tudo.
tudo é isso.
sono, sono, é luz lá fora.
é sol, é felicidade.
saindo.
todo mundo sai correndo.
deus é lindo.
quem é deus?
isto, que representa deus, é lindo.
obrigada por me dar o melhor dia da minha vida.
tenho medo, às vezes.
mas faço o meu melhor, todas as vezes.
é exatamente do jeito que você disse que seria.
continuo, continuo.
o que é feliz?
o que me define?
vejo meus contornos.
vejo os carros, vejo as pessoas, vejo isto, vejo aquilo.
não tem estética, não está certo, não tem letra maiúscula no começo.
são os meus sentimentos.
tem coisas que eu não entendo,
e pessoas que eu conheço que gostam de sofrer.
sou minha única amiga, não sou?
pensei ter visto seu rosto hoje.
quantas memórias do seu querido rosto.
e quanto sono.
quantas memórias.
eu sou amor de inverno.
eu sou oito,
sete, nove, dez.
sou tinta, sou tudo.
sou carne, sou partes, sou tudo junto, sou eu.

é exatamente do jeito que você disse que seria.
não é nada,
nada,
nada,
nada,
nada mesmo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

você nunca me viu triste, acredite em mim

de todos os dias, não há dias mais felizes.
não há dias mais cheios, dias mais lotados.
pronto, desisti, tirei meu corpo fora, e a história saiu.

vida, o que é isso?
o que está acontecendo com você, que sempre foi sólida, pesada, triste, e vazia, que sempre seguiu viva, apesar de morta?

lembra daquela época, quando você estava lá, sozinha, com aquela sua classe que você odiava, com aquelas pessoas que você detestava, com aquele corrimão azul e aquele sol gostoso batendo no seu rosto?

lembra que naquela época você se considerava feliz?
o que é isso, então? um passo além da felicidade? aquilo não era felicidade, não.
isto, agora, é.

não entendo a minha felicidade, pode ser?
não entendo o que acontece, ultimamente, pode ser?
quero chorar agora, pode ser?

porque ontem desejei que o ônibus viesse, e ele VEIO.
porque ontem não quis mais que as coisas acontecessem, e deixei nas mãos das outras pessoas, e as coisas ACONTECERAM.

coisas simples, coisas assim e assim, que me fazem pensar que tem alguma coisa diferente no ar.
estou livre.
estou livre.
finalmente.

folly, folly, adoro essa palavra

I told you how I felt the earth could move
the folly of
a monster love
like you

houve uma época em que essa música exprimia perfeitamente meus sentimentos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

bonança?

Minha cabeça: uma confusão tremenda. "Não vou ter tempo para nada, hoje, e isso me sufoca".
Bichos sem pernas correm para todos os lados. Um funcionário de um escritório corre de um lado para o outro, vestido de bailarina. Aquele idiota não entendeu o que é o "surreal".

Faço o meu melhor, é o meu melhor, sempre, não posso colocar meu coração. Não posso colocar meu coração em tudo, assim, dessa forma, porque é assim que ele se destroça. Meu coração está, sem dúvida, em tudo o que eu faço, em tudo o que eu toco, em tudo o que eu escrevo, eu tudo o que eu digo. Não tenho como negar meu coração, fluindo pelos meus gestos. Não posso ser culpada por isso. Meu coração deveria ficar guardado dentro de mim, mas não está. Ele se intromete, entra por cada trabalho meu. E escrevo isso aqui só porque quero que os outros saibam o que eu estou passando, quando na verdade ninguém lê essa porcaria toda. Meu coração está em profusão, está escorrendo, estou chorando. Mas que saco, que revolta, que indignação. Não me entendo, não me entendo. Só sei as coisas que eu quero, e que posso lutar por elas. E não me sinto bem, me sinto mal, mal, mal. Quero chutar tudo, acabar com tudo, ser quem eu sou. E ser quem eu sou é o último passo, a última etapa, o último grito, a última linha de criatividade dentro de mim. Uma teia enorme sai de dentro do meu peito, tecida por mim mesma, e leva para longe, longe. Estou presa, estou solta. E meu deus, quero voltar pro trabalho. Odiei férias, odiei espaço ocioso, odiei tempo de sobra, e tempo para nada. Quero minha ocupação de volta. Quero outro emprego.

Na verdade, sou uma filha da puta que só sabe chorar. Eu me odeio agora, aqui, agora, eu me odeio. Mas que revolta, que coisa crescendo dentro de mim que me impede de ser feliz. Mas não é isso, querida, eu estou feliz, não é que eu não esteja feliz, eu estou feliz, mas não me sinto bem porque estou frustrada, porque a vida não é um mar de rosas, e sei que vou aprender com tudo isso, mas sou novae burra e justifico meus erros por ser nova e burra e burra e burra e burra e lerda e tudo isso junto, tudo isso junto me leva a ser triste, sou triste ou estou triste?

Onde estão as respostas, meu deus? Deus está rindo, deus está gargalhando, deus está me percorrendo por dentro. E eu não sei mais o que eu sou, massa de carne disforme frustrada, jogada no chão. Isso é forte demais para mim, que escrevo e leio. Ninguém vai ler isso aqui. Queria que alguém lesse. Mas queria que ninguém visse nada. Não sei escrever direito. Estou puta da vida, estou frustrada, e já são duas horas. Meu dia está passando, escorrendo. Amo o dia, odeio o dia, odeio tudo, odeio tudo, estou brava, só me sinto mal. Despolpe-me novamente. Onde estou eu? E você? Quem é você, terceiro? Meu ausente? Quem sou eu? Não sei de mais nada.

Sumo.

sábado, 12 de junho de 2010

?

O frio tem trazido de volta dores que eu pensei que não estivessem mais comigo. Dores físicas nas mãos, dores emocionais, dores de passado de escola, de vento em dia ensolarado, de cartas de amor platônico, de cores escuras. E eu não deveria reclamar, meus dias têm sido bons, meus dias têm sido felizes, mas não é isso. Não sei se meus dias têm sido felizes. Hoje foi um dia feliz, mas tudo parece frustrante quando eu chego em casa. Ou não?

Eu não sei qual é o meu tipo sanguíneo. E parece que estou sempre com sono. Se sou forçada a acordar cedo, me arrumo, deito no sofá, cochilo e só depois saio. Perco a hora, procuro por lugares que ninguém sabe dizer onde ficam, tomo um ônibus, e garoa. Leio um livro, trinta páginas, depois mais dez, onde estou? Mãe, onde eu estou? Quero só ficar aqui em casa. Preciso de uma cirurgia. Vou conseguir uma cirurgia, will it cure my blushes, will it bring out my best?

E é tarde, não posso ficar acordada até tarde, estou com muito sono, estou com muito sono e muita dor nas mãos e muita dor nas entranhas e muita dor nos olhos e muitas lágrimas nos olhos e muita sujeira debaixo das unhas e muitas expectativas e muitas e muitas e muitas e muitas mais semanas de vida já nas minhas costas, já se agarrando na minha pele, gritando que eu estou viva, estou viva, estou viva, por mais que tenha dor, que tenha lágrimas, estou viva, estou viva

e não vou fugir mais.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

olha, um soneto!

O que eu ganhei de você, quando passar, meu bem, meu querido,
não há de levar
nada disso, ah,
não há de levar.

Não há de lavar toda essa tolice, toda essa insensatez,
mas num sentido bom, meu bem,
ah, não há de lavar, não,
não há de lavar.

Eu digo que não deixo, não te deixo levar, e você não há de levar, mesmo,
quando você for embora, meu bem, meu querido,
não te deixo levar.

Trago comigo quando te ver, meu bem, meu querido,
esse sentimento meu, lavo e levo e trago e vou.
Não, isso não há de lavar, eu te digo, não há.

ninguém

Mais um texto encontrado por acaso (e, minutos atrás, com um pouco de dificuldade) no meu caderno. Escrito há alguns meses.

Acabou o leite.
Acabou o leite.
É porque o meu sabonete acabou.
E o sonho que eu tive não muda nada.
Não, não muda absolutamente nada dentro de mim.
As lágrimas que eu já derramei ao longo desses sei lá quantos anos, 12, 15, 14, quem está contando?
E as que eu derramei hoje de manhã, os sentimentos do sonho, e as lágrimas causadas por esses sentimentos, quem conta?
QUEM ESTÁ CONTANDO?
Nunca fui amada por homem nenhum.
Nem meu pai foi capaz de me amar.
Nem você, nem os outros serão capazes.
Eu tenho um vazio que você sozinho não cobre.
Um vazio que vai daqui até o oceano, daqui até o outro lado dessa bosta de mundo.
Ele é como o Universo, sempre em expansão.
Um dia ele vai explodir, BIG BANG, e tudo vai ser engolido num branco total, neste papel, num branco que de tão vazio, não é branco, e todos vão ver e ouvir o VAZIO dentro de mim.
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
Ele grita, ele grita: VAZIO!

vamos tentar não falar sério, agora?

Primeiro vem o amor, depois vem o namoro, depois o casamento, depois os filhos, depois a velhice e por fim a morte.
Não, não é nada disso. Hoje em dia as pessoas não são livres pra amar. Por que será que sempre se espera que alguém, em algum ponto da vida, se case e tenha filhos? Nada disso é possível. A maioria das pessoas simplesmente em algum ponto deixa escapar a única pessoa que realmente ama, para anos depois encontrar alguma outra pessoa e se casar com ela. O que é isso, método de substituição? E quem decide deixar escapar o tal amor da sua vida e ficar sozinho para sempre? E quem nunca encontra o tal amor da sua vida, nem nada? E quanto àquelas pessoas que um dia simplesmente se dão conta de que nunca se apaixonaram de verdade, só reuniram um monte de sentimentos e jogaram na cara de alguém pra depois ficar reclamando que "eu estraguei tudo?" Já coloquei isso em pratos limpos comigo mesma. Não vou me casar, não vou ter filhos, não vou ser como as outras pessoas da minha família, que tem uma profissão, um casamento e filhos. Quero ser uma ridícula anormal, quero me formar e me dedicar a pesquisas, sair viajando pelo mundo e esquecer da minha família e da sociedade. Não é que eu não ame a minha família, amo sim e muito, simplesmente não quero fazer parte dos padrões dela. Quero ser uma louca inconsequente, quero encontrar a minha Pasárgada, lá sou amiga do rei.
Estou cansada de me exigir casamento, estou cansada das outras pessoas me exigirem amor. Não sei porque fico pensando sobre isso, mas eu sou testemunha de casamentos podres, casamentos forçados, pessoas que acham que se casaram com o amor de suas vidas, que exigem fidelidade e são fieis, e de repente BAM! descobrem que foram traídas. O que é isso, meu deus, o que acontece nesse mundo? Como você pode exigir a porra da fidelidade de alguém, se ninguém é de ninguém e todo mundo nasce livre, nasce ser humano, animal? O pior de tudo é que eu sou a coisinha mais hipócrita que existe. Falo tudo isso, banco a "ah, se um dia eu for traída, e daí? é da natureza humana trair, todo mundo trai" mas eu não acho que trairia. Não sei mesmo o que é essa coisa de amor. Talvez daqui a uns 50 anos eu entenda. Mas por enquanto não, por enquanto prefiro nem entender.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Para dentro da Terra

Hoje achei um texto escrito por mim logo após fugir de uma pessoa, fugir dos meus sentimentos. Me lembro de ter chorado e sentido a tal corrente me arrastando para o fundo da Terra. É realmente impressionante que a solidão total e completa possa fazer isso com uma pessoa. Desculpem pelos erros gramaticais, esse texto foi escrito rápido e sem caps lock ligado, eu editei depois.



Porque há muito mais na vida do que o amor. Há muito mais na vida do que a religião. Há muito mais na vida do que a felicidade, há muito mais na vida do que nossos brilhantes princípios. há muito mais para se viver na vida. É difícil viver. Sacrificamos tudo pelo amor mas no último momento, damos razão à nossa razão, e não fugimos, e não sacrificamos. Simplesmente voltamos, e então um dia pensamos em tudo o que poderia ter acontecido, e sentimos um vazio nos arrastar para o centro da Terra, para o centro de tudo, lava vermelha flamejante, lama suja, terra, metais. A saudade. É essa corrente, forjada vermelha escaldante no centro da Terra, depois metálica, nos unindo àquela parte que sempre sacrificamos, mesmo quando nossa intenção era na verdade sacrificar tudo menos essa parte. Então paramos e pensamos que realmente fizemos a coisa certa. Matamos o amor. Sim, matamos a sangue frio, e depois do crime, paramos e olhamos para trás, primeiro com saudade, depois com orgulho, depois com aquele senso de "sou importante, me sacrifiquei, sobrevivi, e fiz a coisa certa (apesar de ser infeliz.)" As coisas quentes que escorrem para dentro de nossas bocas, e nossas idades, e as idades dos nossos corpos. Os desejos e as coisas que acontecem, e toda a vontade que você tem dentro de si quando tem só dezoito anos, mas esses dezoito parecem ser um fardo, porque você nunca teve ninguém. E você não sabe dizer se quem te cobra isso é você mesmo ou os outros. Os olhares dos outros te dizem que fugiriam se soubessem, e você pensa que o melhor que pôde fazer foi despertar desejo sexual na pessoa por quem estava apaixonado. A vontade, ah, a vontade de ser amado, e de amar. Nos leva a apressar as coisas, a estragar amizades. Não há conexão, não há corrente ou ligação que não sucumba ao amor. Sucumbimos porque amamos e temos o desejo desesperado, desesperado e desesperado, de dizer àquela pessoa o que sentimos, e o desejo de ser amado depois de tanto tempo vem e te possui, e você estraga tudo. Você não vê as verdades, as obscuras e tristes verdades que te levam a tudo, e que te levam a fazer isso, porque você simplesmente faz, e acha que tudo bem se estragar tudo, oh, tudo bem, tudo ótimo, porque pelo menos você disse o que sentia, pelo menos você foi corajoso. Ser corajoso nunca levou ninguém a ser realmente feliz. Coragem não traz felicidade. O que traz felicidade é você não querer ser corajoso, é você querer simplesmente ser, lentamente ser, ou amar mesmo sem ser amado. É você entender que esse sentimento é seu, e se ele te faz feliz, guarde-o para você. Deixe que as coisas aconteçam, pelo amor de deus não queira fazer tudo acontecer. Você é você, seu papel nisto é ser você, não é se mascarar ou tentar se tornar a mesma pessoa que a outra pessoa, numa tentativa triste e patética de ser amado. O amor não tem vez neste mundo. Somente nas nossas imaginações. Então, se você não for feliz, pelo menos é para isso que a imaginação serve. Porque ninguém é feliz, então os livros, filmes, os frutos da nossa imaginação, são felizes. O pensamento é o dobro do pensamento, é o desdobro do que queremos, e por pensar demais nos sufocamos, e então queremos. Cavalgar um cavalo sem pernas ou estar um barco sem casco, é afundar na lama ou no mar por acaso. Você complica demais as coisas, por pensar que elas são simples, você tenta fazê-las simples, e acaba complicando. Então você não sabe mais o que é simples e o que é complicado, só sente e sabe o que sente, e localiza e diz "é isso". E tudo começa a se estragar a partir daí. Se você guarda os sentimentos, faz nascer um tumor, e se você os põe para fora, estraga tudo. Você não poderia ter visto naquele momento que estava estragando tudo. E sempre seguiu os conselhos das pessoas erradas. E o mundo à sua volta gira, e por simplesmente visualizar palavras, sente-se cansado e vazio, e pronto para desistir de tudo. Seu amor próprio te desvia do maldito suicídio, das noites passadas chorando no escuro, em esperanças de dias melhores. Os dias melhores chegaram, e passaram, e chegaram e passaram, mas nunca se foi, nunca se é, feliz completamente. Não existe felicidade completa. Uma parte da sua vida está faltando, essa mísera parte acaba com sua alma e a destrói em pedaços e faz você se perguntar a cada minuto onde foi que errou, como acabou onde está. Você não sabe explicar, e passa assim a vida, martelando seus dedos em matéria preta, martelando, martelando, errando, irritando, escorrendo, adoentando. Você quer morrer, no fundo quer morrer, se houvesse algum triste episódio na sua vida, como um acidente ou uma doença fatal, você não se importaria em se entregar, seria um suicida, e iria direto para o inferno, queimar ao lado de todos os outros malditos suicidas cheios de sentimentos envazados. Por que esse sentimento de que nada vai ser o suficiente? Mesmo se aquela pessoa aparecer, ela não será o suficiente, e seu coração vai estar sempre assim, pesado, e seus olhos cheios de lágrimas, e seu cérebro cheio de pensamentos? Uma vez que se é assim, e a vida faz de você isso, uma pessoa sozinha por tanto tempo, tão cobrada, infeliz, quebrada, solitária, nojenta, triste, largada, assassinada, irritada, assassinada, dolorida, você não volta nunca a ser aquele ser imaculado e genuinamente feliz que foi antes de conhecer, antes de te contarem o que é este sentimento, essa praga, essa dor que te corrói lentamente, te faz ter miragens e se sentir tão vazio quanto o mais vazio dos vazios, no meio do vazio, que nem no universo fica, é um vazio que não existe, pois mesmo flutuando no meio do nada, você não está no vazio, nada no nosso universo é vazio, tão vazio como o fundo do seu coração. É um branco, um nada, um preto, uma coisa que você não consegue tocar, nem cheirar nem ver, é um buraco sem fundo, um poço seco, é um corpo morto, é um terreno baldio, uma terra infértil, um deserto árido, mas mais vazio que isso, pois não há desertos ou terras ou corpos ou poços no vazio, simplesmente não há nada, nada, e você teme que isso nunca vai passar, mesmo quando você preencher esse vazio. Mesmo que você preencha todo o vazio, ele não vai deixar de ser um vazio. E o amor não vai ser nada daquilo que você pensa, é exatamente isso que você se recusa a acreditar que o amor é, porque uma parte da sua alma se recusa, por um motivo que você não entende. Quisera ter um coração duro, gélido, sem vazio, pois os corações que não tem vazios amam livremente, conseguem amar pois não há nada neles para preencher, então eles simplesmente amam, sem esperar que aquele vazio se preencha. Você sabe que é jovem e que tem muita vida pela frente, mas conhece pessoas que passaram a vida inteira sem amar realmente. Esse é seu maior medo. É seu maior medo. Afirme, sem ponto de interrogação, é o seu maior medo. Terminar vazio. Chegar ao final da vida dizendo "não vivi". Mas o que é não viver? Você acha que é muito jovem para entender. E vai rir de todo o seu drama - será? Será? Você continuará cometendo os mesmos erros, erros de condição humana, e espera morrer jovem, mas sabe que não vai. Essa vida vai fazer de você um ser penado, um ser sofrido, vai te bater e arrancar sua pele, pouco a pouco. E vai levar uma vida inteira para isso. Sim, você vai sofrer a maior parte de sua vida, e sente que está no fim dela quando está no começo.