segunda-feira, 27 de setembro de 2010

fruta da decepção

Não sei, você sabe? Você consegue dizer quando está apaixonado? Porque eu não.
Eu não sei dizer, só sei que ele foi me decepcionando aos poucos, ao longo dos meses, e hoje meu coração está mais despedaçado do que antes. Adoraria poder dizer obrigada e adeus, obrigada e adeus, vou partir no próximo avião para a Terra do Coração Partido Mais Uma Vez. Mas obrigada por o quê? Se fui eu quem te coloquei nesse pedestal. Agora eu mesma te derrubei e enfiei sua cabeça na lama. Não é a primeira vez que eu faço isso, você não é o primeiro. Uma vez vazia, vazia pra sempre. Até encontrar alguém que saiba quem é, e outro dia, à noite, na cama, pensando em você, me imaginei te chamando de problemático, e eu ri, eu ri, eu ri. Não consigo deixar de gostar de você. Não consigo deixar de te odiar. Se isso é amor, por favor me queimem numa fogueira, ou melhor, se isso é amor, por favor coloquem outra pessoa na minha vida, porque eu não aguento mais me decepcionar com ele. De novo, e de novo, e de novo. Uma escada em espiral que dá num poço d'água, que dá no oceano, e eu estou tentando nadar para fora. Mas só escorrego, caio no vão, caio na água, não vale cair na água, você tem que subir tudo de novo.

É só mais um. Mais um pássaro morto no ninho, ferida aberta, minhocas no estômago. Só mais um caco de vidro espetado no meu coração. Obrigada por mais esse? Obrigada, não. Está chovendo lá fora e eu adoraria que outra pessoa viesse com a chuva. Você me machucou da pior forma possível.

Da pior forma possível,
pouco a pouco,
centímetro por centímetro.
Não por não.
Sim por sim para as outras.

Estou muito machucada, muito. E não deixo aparecer porque eu não deveria estar machucada, e quando ele me pergunta, eu respondo que nada. Não, eu deveria estar feliz.

Sempre haverão os dias
em que eu paro e penso
gostaria de nunca
nunca, nunca, nunca, nunca, nunca,
(e isso não é fácil de se dizer)
gostaria de nunca ter conhecido você.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

só, só tem, só tem

só tem merda escrita aqui.

I feel the need of a husband sometimes

domingo, 12 de setembro de 2010

não sei quem eu sou nem faço questão de saber.
sei que tenho um coração quebrado.
é assim que ele funciona.
meu coração só sabe funcionar quebrado, foi assim que ele aprendeu.
desde pequenininho, coração quebrado.

só sei que minhas lágrimas são salgadas.
hoje pela primeira vez, percebi que minhas lágrimas são salgadas.
e é como se eu já soubesse disso, mas não sabia.
é como se fosse senso comum, lágrimas são salgadas.
pronto.

sábado, 11 de setembro de 2010

morros e ventos

eu não sei mais escrever coisas bonitas, porque agora só sei escrever sobre nada que faça sentido para os outros. agora eu me especializei na arte de despejar palavras aqui.

yeah he's tall

ah, sei lá. preciso sair com você na próxima semana, porque não aguento mais.
não aguento mais segurar tanta vontade dentro de mim.
oh, por favor. vamos sair na próxima semana.
que a chuva e o céu e deus ou sei lá qual força cósmica permita que eu possa sair com você na próxima semana.
porque quero fazer todas aquelas coisas dentro do cinema com você,
porque não aguento mais.
tem uma angústia enorme dentro de mim de te ver,
e não tem nada a ver com amor.
amor fede e machuca.
isso angustia porque
quero sair com você
na próxima semana,
oh, querido, eu quero,
para passar a mão pelo seu rosto, os dedos pelo seu cabelo,
beijar seu pescoço.
na próxima semana, por favor.
na próxima semana, por favor.
porque não aguento mais.
porque não fazer sentido ou não escrever coisas bonitas
ou não querer fazer nada disso,
ou querer só ler suas palavras sinceras em vermelho escuro na tela do meu computador,
e você escreve tão certinho, tão certinho,
ah, como eu gostei de estar com você naquele dia.
como eu lembro daquele dia todos os outros dias.
como eu tenho estado feliz.
só querer sair com você,
é só o que eu quero da minha vida.
por favor, que seja semana que vem.

sábado, 4 de setembro de 2010

POST NÚMERO CEM

babe,
I'm your stalker.
But I'm really not good at it.

oh, babe.
I wanna talk to you.
But I'm really not good at it either.

And now, over an year later, I'm nothing but your stalker.
That's all I ever was, babe, as a matter of fact. Ever since oh so many years ago.
I've known you for many years.
I'm your stalker.
Let me tell you, babe, sometimes I love to be your stalker.

Let me tell you, babe, today I'd like to kiss your lips, run my fingers through your hair, find out if you have a beard, lick your neck and hold you tight.

Let me tell you this, babe, cause I'm really in love with the thought of
you make me wanna
just

Let me fucking tell you this.
I don't wanna be your stalker anymore.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

muitos parênteses

Enquanto subia aqueles degraus, ela se lembrou do conselho que recebeu há alguns anos, de alguém que hoje talvez no mínimo estranhasse sua atitude. Ninguém sobe a escada pelo último degrau, não é mesmo? E ela ainda se lembrava do sorriso de batom rosa, o cabelo enrolado que mais tarde ficou liso, como na época em que ela mesma usava liso e recebia elogios pela melhora na auto-estima. Pensava como aquela época tinha sido benéfica e ao mesmo tempo sem sentido. Continuou subindo os degraus, e pensava no corrimão dos degraus das escadas de metrô, das escadas de prédios alheios, nos quais ela evitava encostar. O único corrimão por onde ela corria suas mãos era aquele da escada do prédio, a escada preta com manchinhas brancas. Mais um lance, e mais um lance, e era o sexto andar, mas naquele dia ela, por algum motivo, não estava prestando atenção enquanto subia. Isso era coisa que nunca acontecia, mas estava dentro de si mesma, dentro de pensamentos que não se lembrava mais de onde vinham, mas que tinham a ver com a incrível, estupenda, enorme, generosa sensação de liberdade e sou-eu-mesma que ela estava vivendo. Beijar não é como andar de bicicleta. Estava livre, e continuou subindo. De repente algo parece estranho. Ela para em frente à parede, curiosa, esperando, como se soubesse que de repente sua cabeça ia fazer clic e ela ia perceber que subiu um lance a mais, já a caminho do oitavo andar. Mas isso nunca acontecia. Só aconteceu uma vez, ela lembra bem, quando foi buscar a pizza, contrariada, e tinha acabado de alisar os cabelos (era naquela época de suposta alta auto-estima, e disso, ah, disso ela discordava profundamente, porque naquela época tinha muito trabalho para alisar os cabelos. Sempre queimava a ponta dos dedos, e detestava o cheiro, e detestava ver as raízes insistindo em enrolar em um dia de calor ou depois de pegar aquela garoinha que ela pensou que não fosse estragar o cabelo, mas estragou. Adorava os cabelos agora que estavam tingidos de ruivo, mesmo sendo um ruivo já meio loiro de desbotado, com as raízes escuras aparecendo bem, as pontas tão deliciosamente enroladas, ao natural, sendo o que são, sem necessidade de queimaduras. Isso, para ela, era verdadeira auto-estima, não cabelo falso, trabalhoso, fedido, com luzes que pareciam verdes depois de um tempo, apagando seu rosto.) e os meninos do prédio, com os quais ela não conversava, (tinha gostado bastante de um. Ele era alto, tinha o cabelo enrolado, era branquinho e fazia muito bem o seu tipo. Pensava, com saudades, se ele ainda morasse no prédio, talvez hoje ela tivesse coragem. Mas ele se mudou há alguns anos.) ou talvez tenha sido um menino e uma menina, uns idiotas, ela nem sabia quem eles eram mas os dois insistiam em mexer com ela toda vez que passava pelo corredor escuro com um toldo lá embaixo, (por isso adquiriu o hábito de só tirar os fones de ouvido quando já estava na porta do apartamento, ou aumentar o som ao cruzar o portão do prédio, para evitar ouvir aquelas pessoas que mexiam com ela sem ter um porquê de mexer com ela, que tanto machucavam sem precisarem realmente machucar) disseram mais uma vez palavras grosseiras dolorosas. Ela estava nervosa, muito nervosa, não via sentido naquilo, e odiava receber xingos assim, sem motivo, odiava quando faziam aquilo com ela na escola, também. Então subiu até o oitavo andar, o último, sem perceber, e deu de cara com a portinha medonha que leva ao telhado, e não com mais um lance de escadas, o nono andar inexistente. Foi pânico, foi medo para tudo quanto é lado, inundando a escada, fazendo tudo difícil de respirar. Ela desceu de volta ao sétimo, chegou em casa, não contou para a família que mexeram com ela lá embaixo, não com as exatas palavras que ainda doiam bastante. Isso ela contou para a senhora de cabelos encaracolados, mais tarde alisados, e batom rosa. Mas desta vez nem sequer chegou até a portinha medonha. Ela percebeu bem antes que tinha subido só um lance a mais. Tem algo errado, não sabia como sabia, mas sabia, e voltou. Encontrou que estava certa, realmente passou do andar certo, e abriu a porta, já sua bem conhecida, sem necessidade de 7 na frente, e chegou em casa.