quarta-feira, 28 de julho de 2010

I fried my head, I'm not a brunette

Faz tempo que eu não posto aqui, hein? Tenho desenhado mais que escrito. Talvez eu esteja me tornando a boa desenhista que eu sempre quis ser. Mas sério, estou sempre com o meu caderninho. Simplesmente não tenho escrito nada.

É bom sinal, eu juro.

sábado, 17 de julho de 2010

amor de mochila

escrito no dia 15/07/2010, no escuro, dentro de um cinema, chovia lá fora.

Estamos a sós,
somos só nós.
Você, minha, e eu.
Só nós.

Gente estranha lá atrás.
Quero disfarçar, amiga minha.
Que estou com medo,
que estou sozinha,
que estamos a sós.

A acústica da sala não é das melhores, não me agrada.
Eu ouço o vibrando, vibrando, tremendo, do som da sala ao lado passar por você.

Estamos nós.
Estamos a sós.
Eu e você, minha cúmplice-comparsa,
eu e você e você e só eu.

Companheira inseparável, sempre agarrada às minhas costas.
Ah, amiga minha, amiga minha, de tantos momentos, de tantas lembranças.

Estou com sono, amiga minha,
e talvez seja isso,
talvez não,
mas te vi como amiga.

terça-feira, 6 de julho de 2010

o tremendamente imenso amor de neve e vento

Abismo, abismo enorme.
A neve cobriu todo o solo, toda a planície, a casa, as roupas no varal, as luzes e as flores, tudo, de branco.
Até onde seus olhos forem, até onde se estenderem, você vê o céu se misturar com o chão.
Tudo é branco, tudo é sereno, tudo dorme, respira, e o vento escuta, o vento vem.
Você não sabe mais onde está pisando, ou sabe, meu bem?

Segura a minha mão. Olha.
Olha onde pisa, meu coração.
Um pouco de neve, um pouco de vento, um guarda-chuva na mão.
Chorou a noite inteira, meu amor?
Te levo para longe, te sinto respirar, te rodeio e te acaricio, te toco e te invado, meu doce, doce, doce branco.
Há anos te quero porque te amo, há anos te levo porque te amo. Mas sabe?

Fiz tudo branco, agora, e tudo é nuvem, tudo é céu, tudo é chão.
Me desola daqui. Meu amor me arrastou.
Meu amor é imenso, meu amor cobre todo o mundo, meu amor toca tantas outras ao mesmo tempo que a mim.
Me salva e me levanta, me sente cair, me sabe a hora certa, me vê no horizonte, e vem, vem, vem.
Há quanto, quanto, quanto, tanto, tanto que te amo. Mas sei.

E é assim que, quanto ele te levanta pela manhã,
quando te vê no espelho,
quando te sente viver,
quando te beija e te entra, te é o que é, te acalma e te sente os dedos quentes, te faz os dedos úmidos de nervoso,
te é um amante, te é um outro amante, te faz viver.

O vento não esquece jamais, jamais.
De profundo e de amor, de claro e de escuro, de doce e de amargo, de guarda-chuva na mão,
lembra de seu vento.
Lembra de sua neve.
E não esquece jamais, jamais.

amor desses bem épicos

Tenho uma grande queda, praticamente uma foz do Iguaçu, por histórias de amor com algo de heroico. V de Vingança, por exemplo, é um filme que mexeu muito comigo. Talvez em uma vida passada eu tenha sido amante de um heroi, de um revolucionário, de alguém importante, alguém que lutou pelos seus ideais e teve que me deixar por isso. Essa ideia me parece a de amor completo.

Você sabe que amor, amor mesmo, a gente simplesmente sabe que sente por alguém, e a gente sabe desde o primeiro momento em que vê a pessoa. Nunca passei por essa experiência. Digo que já fui apaixonada por muitos meninos, mas quando faço uma retrospectiva, vejo que amar, amar, mesmo, nunca amei. Gostei muito de alguns, dediquei todo o espaço dentro da minha cabeça e do meu coração a esses meninos, mas isso nunca valeu muito a pena. Exceto pelo aprendizado. Hoje eu vejo que não sou mais a mesma de antes, que se apaixonava por qualquer coisa que se movia. Veja você, eu estive uma semana na faculdade de biologia. E nessa uma semana, conheci algumas pessoas que me receberam muito bem lá. Uma delas era um cara chamado Fernando. Como eu já fui para a faculdade com a ideia de "opa, aqui é que eu vou encontrar alguém, finalmente" confesso que me apaixonei por esse cara, sem nem saber quem ele era. É como se o meu coração fosse uma arma, procurando por um alvo, procurando, procurando, escolhendo e atirando. Não tem que ser assim. Se eu tiver que me apaixonar, não posso sair escolhendo dessa maneira. Teve também um outro caso, em que eu me apaixonei por um menino da escola só porque ele me pediu emprestado um pedaço de vassoura (ele era do grupo de teatro. É uma longa história, mas acho que ele era homossexual.) Só teve uma pessoa, um menino cujo nome eu prefiro não dizer, lógico, por motivos de apego pessoal, que talvez tenha se aproximado de um amor real, mas também não foi. Sei que gostei dele por cerca de um ano, e até hoje ainda o vejo de vez em quando, de longe. Também acho isso interessante, tem pessoas de quem eu gostei muito e que nunca mais vi (as duas me traumatizaram bastante) mas esse menino, eu sei onde encontrar, eu sei onde ele mora, e o vejo mais ou menos de um em um ano, ou em menos tempo, porque eu simplesmente acabo achando ele por aí, por acaso. É muito interessante. Mas não nos falamos, em nenhuma dessas ocasiões.

Nem eu mesma sabia quem eu era, quando estava apaixonada. Hoje eu sei quem eu sou, e aprendi muitas coisas a respeito do amor. Voltei a acreditar nele, mas num amor diferente do que eu acreditava antes. Amor é uma coisa única, uma coisa cuja banalização deveria ser um crime, é uma coisa que acontece uma vez na vida entre duas pessoas, uma vez, uma vez e nunca mais. E tenho me divertido bastante pensando nessas coisas todas. Só sei que nunca aconteceu comigo, mas isso não é motivo para me reservar ou chorar as pitangas loucamente, esperando desesperadamente.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

não tem graça nenhuma

Viu só. Hoje eu estou muito triste. Meus olhos estão inchados. Por uma coisa besta que não é bem uma coisa besta. Eu sei lá. Não sei bem no que acreditar, sei que não estou feliz. Não me importo com ninguém. As pessoas que eu amo, que eu gosto, também são aquelas a quem eu odeio. Na aula de desenho, eu esqueço de tudo, sombreio, lápis 6B, HB, lencinho. Lencinho que eu posso usar também para secar lágrimas. Estou cansada de secar lágrimas. Nossa, o que acontece comigo? Eu sou diferente das outras? Não sei ser só simplesmente amante das horas vagas? Nossa, nossa. Eu queria tanto que o "cara certo" aparecesse, que nem sei mas quem eu sou. Tenho esperado por esse cara certo. Queria que ele aparecesse e andasse de mãos dadas comigo, e me beijasse durante um abraço, me segurasse pela cintura, saísse comigo, fosse a um museu comigo, tomasse sorvete comigo, me desse alguma coisa de presente, me amasse. Nenhum homem jamais me amou. Cadê todas essas coisas? Ainda falta alguma coisa, é óbvio que falta. E até lá eu vou continuar me derretendo em lágrimas e mentindo, fingindo, quando deveria estar falando a verdade, quando deveria estar sendo o que eu sou, ou dizendo o que eu penso. Sou patética. Mas não posso mais viver com isso. Sou ciumenta e sou terrivelmente complicada. Nem sei quem é que pode me aguentar, nem sei onde ele está. Mas não está aqui. Eu não conheço esse cara. É um filho da puta, eu te digo, é um filho da puta.

cada dia de tristeza é um poema. cada dia de tristeza sai de mim como isso.

isso que eu já sei fazer muito bem. deus, estou cansada disso. a revolta volta.

lunar sea lullaby

Tenho uma novidade para contar.
Meu vazio continua dentro de mim.
Eu ainda estou vazia.

Tenho uma novidade para te contar.
Coloquei a mão lá dentro do meu coração, e ainda tem uma boa parte faltando.
Meus remendos ainda estão todos lá, meus curativos, meus machucados.

Não queria ter que contar essa novidade para ninguém.
Estou vazia.
Quero roubar alguma coisa.

Acima de tudo, tenho uma coisa para contar para mim mesma.
Que talvez eu não seja forte o suficiente para aguentar tudo isso.
Que não sei onde estão minhas respostas,
que não sei o que fazer agora.
Que nada aconteceu fora de mim.
Mas alguma coisa aconteceu dentro de mim.

Quero contar para mim mesma que estive mentindo.
Sou uma grande mentirosa, minto para mim mesma.
Minto para quem não deveria mentir.
Estou morrendo, morrendo de dores.
Estou chorando.

Só te dizer:
continuo vazia.
E adoraria acabar com tudo agora,
mas não quero.

A dor de continuar é maior ou menor do que a dor de acabar com tudo?
Um dia eu vou descobrir.
Só sei que, agora,
nesse momento,
nesse momento horrível,
triste, acabado,
pronto, fim,
eu percebi que não sirvo pra isso.

Mas te conto que vou fazer o meu melhor.
Essa é a minha novidade.
Continuo sozinha.