domingo, 31 de outubro de 2010

take cover

eu não saberia ser roteirista de cinema nem vendedora de sorvete.

sobre fidelidade

não tenho medo de mim mesma.
não consigo ser de mais ninguém.
não deu, não dá pra ser de mais ninguém.
já tentei relacionamento aberto, amizade com benefícios.
já tentei não me apaixonar, já falei com o peito cheio que amor não existe.
já tentei derrubar todos os clichês e ser alternativa no amor também.
já tentei não ser ciumenta, ser mais relaxada, não sentir nada, ser autossuficiente, não ter medo, ser menos impulsiva.
um idiota me disse que ciúme só ia me prejudicar.
alguns idiotas me disseram pra parar.
alguns idiotas me puseram mesmo no meu lugar.
alguns idiotas só souberam me despedaçar.
alguns idiotas vão mais devagar.
não dá nada disso.
tudo mentira, a gente tem que poder sentir o que sentir.
ciúmes ou dor ou saudade ou amor ou simplesmente pertencer.
não sei a o que exatamente sou fiel, a o que exatamente eu pertenço.
se a ele em si ou se a o que eu sinto.
as duas coisas me prendem e não soltam, me deixam com as pernas bambas e o coração disparado.
tempo e tempo e tempo e tempo e tempo.
tempo é só tempo.
anos e anos vão mais devagar.
coração na mão pronto pra entregar, e quando eu não queria mais entregar entreguei.
delivery de coração.
não dá tempo de nada.
não deu, não dá nada disso.
se te disserem pra ignorar, pra não sentir porque você vai se magoar, pra não ser você mesma, pra não se entregar, pra fingir não gostar, pra jogar, pra não dizer sou sua e prometo que serei sempre.
se é isso que você sente, é verdade.
deve ser verdade isso de amar.
sei lá.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

give a little in, baby

e se eu tivesse um telescópio e
alguém me oferecesse um prêmio e
eu tivesse que colocar seu nome em uma estrela e
só conseguisse ver cometas?
seria o meu preferido

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

que nem aquela música lá

eu não teria ainda tantas lágrimas pra chorar
eu só queria que você me pedisse de volta
eu voltaria, eu voltaria
mas parece impossível, improvável, difícil, distante
eu não sei mais ser feliz
isso é patético, ridículo
nunca me imaginei nessa situação horrível
e eu não paro nunca de chorar
e eu não consigo sair com mais ninguém
porque não paro de comparar
eu não sabia que era assim
eu não sei o que esperar
eu não sei o que fazer
e tudo é recente ainda
como tinta fresca
como reforma e construção
é a coisa mais patética, o clichê mais distorcido
eu sorrio tudo torto porque me esforço pra sorrir agora
eu não sabia que ia ser assim, ninguém me avisou
eu não acho que ele se sinta da mesma forma
a grande idiota aqui sou eu
a maior tonta que já existiu
chorando por amor perdido, amor não-correspondido
até o mundo virar de dentro pra fora
e vou até mais tarde me dizer que ele foi o grande amor da minha vida
que eu perdi
que eu perdi
perdi, perdi, perdi

the last song, camera obscura

Foi a primeira vez que sonhei com ele.

Sonhei que ele vinha até mim de branco, vestido de assistente de cozinha, empurrando um carrinho. Eu estava de amarelo, sentada no chão do ponto de ônibus onde eu pego ônibus pra Rua Clélia. E ele vinha e eu pensava que já sabia o que ele ia falar. Mas tudo bem, eu fingia que estava tudo bem. Como num sonho já sonhado.

E ele veio e começou a falar. E eu já tinha ouvido tudo tantas vezes antes. Eu tapei os ouvidos como uma criança que não consegue suportar barulho alto, ele continuou falando, e saí correndo gritando "eu não posso mais ouvir isso, eu não posso mais ouvir isso."

Tenho a impressão de ter sonhado com ele a noite inteira, inteira

I can't call you
My phone will be relieved
You can't call me
'Cause someone else will feel deceived
I don't understand this
How did you get hold of me?
You've got me questioning my fidelity

I'll send a package in the post
I've got love to send
Should I want you the most?
It feels like I have no defense

The tree in my garden is blossoming still
It's late this year
It's just like me, it's wavering
Going through the motions
I want to be at home
It's an effort to get on this plane at all

It was love for sure
Every cliché in the book
I loved you more and more
With every desperate look

Don't thank me for breakfast
With your naked skin
Don't lie, don't pretend
You feel anything
My heart is no longer a friend of mine
It wants to betray me most of the time

I love you, my darling
I love you, my friend
I love you, my darling
But it feels like this is the end

sábado, 23 de outubro de 2010

quem sou eu?

call me weak and call me stupid
in fact all I am is the most loving of lovers

love's over, but
love's through, but
is it

call me weak
I just can't be anything else

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

the concrete sky of my days

Then the day came around, or it was actually an evening, when you failed
I remember the moment wasn't anywhere close to right,
But will there ever be for those things?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

baby, you have to leave for good

A vida é muito maior que amor despedaçado.
A vida continua e é maior que você, e você nem se dá conta.
Até que se dá conta.
E você se agradece por não ter se matado.
Agradece pela lua amarela no céu azul escuro.
Pelo sol no seu rosto.
Pelas pessoas que você conheceu.
Por viver.

Viver continua mesmo que você não tenha vontade.
Mesmo que você ouça aquela música dos Beach Boys que diz
"Se você me deixar algum dia, apesar de a vida continuar, acredite,
o mundo não me mostraria mais nada. Então que bem me faria viver?"
Viver são os outros.
Você morre por dentro mas os outros continuam, você continua.
Você só é você com os outros.
Minha maquiagem pode borrar, minhas mãos podem tremer,
tudo pode me denunciar,
mas eu continuo.

Porque sei que existe muito mais na vida que o amor.
A vida também é bilhões de outras coisas.
O amor é só uma partinha.
E se não dá certo uma, duas, três, quatro, cinco ou seis vezes?
Quem sabe?
Quem sabe na próxima?
É só virar a página devagar, com ternura, não bruscamente.
Esperando que haja um oceano violento arrasador desenhado na próxima página.
Ou um incêndio acabando com tudo numa floresta, e você não consegue apagar.
Na próxima página não vai haver nada, eu prometo.
Deixa que eu consigo desenhar.

é só isso?

ontem eu disse que era só ele falar que eu voltava correndo de volta pra ele. e disse mais um monte de coisas. e não lembro. e não lembro.

mas enjôo, um coração partido morrendo de saudade, álcool no sangue e dor de cabeça.

é só isso que eu tenho hoje.

domingo, 17 de outubro de 2010

fat cat


pela primeira vez, um desenho meu aqui.

sábado, 16 de outubro de 2010

então quer dizer que isso tudo mudou a sua vida?

DE REPENTE
eu não tenho mais tipo. Não sei mais qual é meu tipo. Eu não tenho mais tipo.
DE REPENTE TAMBÉM
eu não curto mais mãos. Não tenho mais fetiche por mãos. Mãos não importam mais.
DE REPENTE EU NÃO SEI
eu não sei se eu perdi ou se eu ganhei alguma coisa com tudo o que aconteceu. Porque alguém que já tinha se apaixonado de verdade um dia me disse que não tinha tipo.
DE REPENTE TALVEZ
eu não tenha mais tipo porque me apaixonei de verdade. Ou não? A pergunta é sempre ou não?
DE REPENTE É TUDO MENTIRA
eu não acho realmente que eu tenha mais tipo. Estou pouco me lixando para mãos, ou para gordura, ou para barbas.
DE REPENTE É VERDADE SIM
eu não tenho visão de raio X. Eu não tenho um gato pra me consolar.
DE REPENTE EU VOU RIR
eu não tenho visão de raio X mas tenho um coração de chiclete. Gru-u-u-u-dado de 20 faces.
DE REPENTE AMOOOOOOOR
eu não sei de mais nada.

corações solitários mais solitários mais solitários

Dói. Isso dói mais que um furúnculo. Mais que sentir o cirurgião cortando sua axila, empurrando o pus para fora, sem anestesia porque nessa área não tem como dar anestesia. Mais que um corte numa folha de papel. Mais do que cair no meio da rua, dói mais do que a vergonha de cair no meio da rua e ralar suas mãos e seus joelhos. Mais que uma picada de formiga que interrompe seu amasso com alguém embaixo de uma árvore. Dói mais que faringite com antibiótico bravo. Mais que levar um soco na mão, mesmo de brincadeira, de algum amigo da escola. Dói mais que mandar uma carta de amor e receber um não como resposta. Mais que queimar seu braço no ferro enquanto passa roupa. Isso dói mais do que bater seu nariz na parede.

Por que o amor tem que doer mais que o ódio? Mas por que é muito mais fácil, muito, muito mais fácil amar que odiar? Vou tentar ser mais bondosa. Vou tentar amar todo mundo muito mais. Amor pode doer mais mas é mais fácil de sentir. Vou pelo caminho mais fácil porque acho que é o mais certo. O mais certo, o mais fácil, o mais gostoso, o mais doloroso.

Eu gaguejo, eu tropeço, eu tenho espasmos. Eu jogo qualquer coisa o dia inteiro pra tirar minha cabeça de qualquer coisa o dia inteiro. Tudo bem, eu não choro mais. Hoje está tudo bem. Eu tenho vontade de ir na Starbucks e ser feliz. Eu tenho vontade de ser feliz. Eu só quero ser feliz. É só o que eu queria. E eu teria sido tão boa. Teria sido tão amorosa. Vou ser muito mais amorosa. Não brigo com mais ninguém. Não sinto mais nada, porque senti tudo o que tinha pra sentir. Não levo mais nada embora de ninguém, só vou deixar que os outros levem embora algo de mim. Eu angustio, eu ouço músicas lindas. Eu ouço músicas tristes. E nada desvia minha cabeça de tudo que eu queria que minha cabeça se desviasse.

É como se eu tivesse levado uma bronca ou uma bofetada. Me sinto criança de novo, acuada num canto, levando uma bronca, uma bronca merecida... O gato escaldado, uma vez escaldado, vai ter sempre medo de colocar a patinha na água.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

UM DIA

então, né, eu cantei like a virgin pra ele naquele dia. (isso é épico, considerando o que aconteceu depois. hahaha não vou esquecer nunca.)

espero um dia cantar assim: I'm going on a date tonight to try to fall out of love with you, I know I know this is a crime but I don't know what else to do

desabafo do cacete

oi, idiotas.

amor não existe. todo mundo é um bando de filho da puta medroso. e eu não posso ser culpada por amar todos os caras que eu amei até hoje tão intensamente que em algum ponto eles fugiram ou pediram pra eu não me apaixonar ou eu mesma fugi. não é culpa minha. não é culpa minha se eu sou ciumenta e tento causar ciúmes de volta. não é culpa minha, se eu não conseguia sentir nada e me forcei a sentir porque achava que sentiam e na verdade também não sentiam nada. ninguém foi capaz de me amar, nem meu próprio pai.

porra de clichê nenhum é verdade. agora eu só tenho dois pulmões pra respirar, dois olhos e uma boca pra falar, e dedos pra digitar, e tenho o ar do mundo inteiro pra respirar, o mundo inteiro pra ver, pessoas que eu não conheço pra conversar, dedos pra digitar novas besteiras de amor. então sinceramente que vá tudo pra puta que pariu.

o amor não presta e até hoje eu só me fodi. meus olhos já desincharam, tenho mais o que fazer. amor, vai tomar no cu. amor, você é uma puta. amor, você é o maior vagabundo desgraçado que eu já conheci. o amor não presta e não existe. isso que chamam de amor é só uma merda qualquer que colocam na sua cabeça pra você pensar que pode ser feliz enquanto olha fundo nos olhos de alguém e consegue se ver nos olhos da pessoa. aí chamam isso de amor. e a pessoa te leva pra cama dela, e aí chamam isso de amor. e aí você faz todas essas coisas e não se arrepende nunca jamais e você mesmo chama isso de amor. é assim que funciona.

e mesmo que você se foda, você vai se foder de novo no amor, porque é só isso que a gente sabe fazer. o amor vem, você adora ele, você adora ver o mundo colorido de novo e se esquece que ele é bem cinza na verdade. se esquece que seu coração só te levou a fazer merda, cara, você esquece TUDO. como se anos de sofrimento, como se 5 anos atrás não existissem, você entrega seu coração na mão da pessoa e ela ainda tem a cara de pau de te dizer "eu quero acompanhar seu crescimento pessoal, mas só posso ser seu amigo!" ou "não tenho dinheiro pra sair com você agora e não admito que você pague!" ou então "eu gosto de outra pessoa, aqui da escola também!" ou então "desculpa mas tudo aquilo que eu te falei que eu sentia eu não sinto mais!"

meu. que porra é essa? o que diabos acontece comigo? eu tenho algum problema mental, só pode ser. ou então nasci com alguma urucubaca.

só sei de uma coisa: eu nunca mais vou me apaixonar de novo. e por mais que eu queira falar com você, por mais que eu queira que você volte a ser meu amigo, por mais que ontem eu tenha planejado te dizer que a gente não precisa ficar sem se falar...

hoje eu odeio todos vocês. faria uma lista aqui mas vocês sabem quem são. meu ódio é só meu, não é de vocês. a vida segue apesar de eu ainda ser sua. vou demorar MUITO pra curar essa ferida, se é que algum dia vou curar. nós não ficamos juntos porque somos dois idiotas medrosos. essa é a verdade.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

é muito, muito, muito mais simples

Não há comparação que descreva.
Beijar sem sentir é um quase não-beijo.
Tocar sem sentir é a mesma coisa que esbarrar em alguém.

Lembra quando eu te disse, naquele dia, naquela noite,
com os neons da Augusta,
que eu pensava que beijo tinha a ver com sentimentos,
e que tinha acabado de descobrir que não tinha?

Lembra quando eu disse que não ia me apaixonar por você porque seria perigoso?
Lembra quantas coisas a gente deixou de fazer porque eram perigosas?
Quantas músicas eu deixei de ouvir porque falavam de amor?

Nós só nos esbarramos, como dois estranhos numa esquina.
Eu não te beijei, eu não te toquei, eu não te senti, eu falei com você e não falei coisa nenhuma.
Porque não sabia o que é um beijo de verdade, o que é tocar sentindo, o que é falar e não ter medo, o que é amar e ser livre, o que é querer de verdade.
E não tinha como saber.
Nem felicidade, meu deus, nem felicidade eu sabia o que era.

Não há comparação que descreva.

Todos os clichês são verdade.
Toda a felicidade do mundo é possível.
E agora eu só consigo ouvir músicas de amor.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

her beauty nails me to her cross

não tenho graça.
tudo passa.
as árvores, os pombos, o concreto.
as pessoas, suco de maracujá, dias lindos de primavera.
dias lindos com sol e vento.
dias lindos em que você se pergunta se à noite fará frio.
se tudo vai mudar algum dia?
alguma noite?
eu espero

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

que saudade da época em que ele pedia desculpas quando demorava pra responder no MSN.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

bloqueia minha circulação

Estava relendo meus posts de junho/fim de maio, quando beijei e tudo isso começou. NA CARA, NA CARA que eu menti pra mim mesma desde o começo e fingi que estava tudo bem. Não tinha outro fim possível pra essa história a não ser esse. Eu fui usada e usei. Eu fui só um troféu numa prateleira de um idiota aí, e por mim não falava com esse idiota nunca mais. Que há com os homens? Superpoderes? Não. Eu é que sou trouxa. Eu é que sou molenga, mas isso não é novidade. É Honey in The Sun, exatamente Honey in The Sun.

agindo difícil

Tudo tinha cara de chuva naquele dia. Tudo parecia querer cair. Todos se lembravam do dia em que o céu foi posto no céu. Mas ninguém se perguntava quando ele ia cair.
Como um cenário de peça solto, como um pedaço de nuvem sendo sustentado por uma linha de pesca, o céu caiu.
Os sorrisos falsos dela não foram o suficiente para segurar o céu. As lágrimas das mães aflitas, dos filhos afoitos, os gemidos de amor, as súplicas de não me deixe, as carícias nos rostos dos amantes. Nada daquilo foi o suficiente, nada segurou o céu.
E todos começaram a dizer que foi culpa de todos. Que fulano não amou o suficiente, ciclana não fingiu o suficiente, o pai de não sei quem abandonou o filho, não leu a história dos carinhos quentes. E por isso o céu caiu.
Deus avisou! Deus avisou, quando colocou o céu lá, com suas enormes mãos quentes, que o céu poderia cair, sim, Deus avisou. Mas nada do que os idiotas aqui na Terra fizessem impediria o céu de cair.
E aí nesse dia descobriram também que Deus não existia. Todos odiaram Deus, e odiaram aquela mão quente gigante, que não servia para nada. E simplesmente não existia céu. Era tudo preto, tudo branco. Era tudo nada naquele dia.
E aí nesse dia as pessoas começaram a se odiar. E houveram muitos suicídios, muitos assassinatos, muitas chacinas, muito sangue, muita dor. E Deus, que já tinha morrido, porque nunca existiu, foi morto também.
E não existia mais deus, e não existia mais céu, e ninguém se amava mais.
Foi aí que eu virei tudo de cabeça pra baixo, e transformei o vazio que tinha sido o céu em chão, e o que tinha sido o chão em céu. Todos caíram num vazio, como num poço de elevador, e eu ri com prazer.
E o vazio onde você anda é chão. E o céu para onde você olha é o meu chão. É o meu lado bom. O lado que você nunca vai alcançar. Se você olha para baixo, seus pés estão num vazio. Sua cabeça está num cheio.
Tudo é ódio, tudo é a minha vontade. Nessa peça nova, em que o céu é chão, e o céu que era o chão, agora é azul, e agora está fora do seu alcance, agora é meu. Eu escrevi então no final, isso aqui quem escreve sou eu.
Isso é uma história de ódio. Gritando FIM no seu coração.

comes screeching to a halt

Você só quer me jogar nos braços de outro pra poder se livrar de mim.
Você nunca gostou realmente de mim, como dizia.
Você só quer saber da minha vida amorosa pra saber quando vai poder deixar pra lá aquela coisa que eu te pedi, que eu prometi te dar.
Você não passa de material pronto pra ódio.
Você queria transar, eu não quis, não ainda, e ainda bem.
Você tem um cheiro até muito bom, mas que pena.
Você nunca gostou de mim, e eu gostei tanto de você.
Você deve ter percebido, porque não vejo outro motivo pra você ter se afastado.
Você só soube me dar desculpas.
Você só soube me enrolar, e enrolou direitinho.
Você só espera pacientemente que eu me jogue nos braços de outro.

Isso não é poético, é triste. É triste, e se apaixonar é jogar limão num corte aberto, não é meigo, seu ridículo. Se apaixonar é esfregar um machucado num muro de concreto. É tudo o que eu te disse que não aconteceria, e aconteceu.

Mas você quer saber? Você cagou na minha vida amorosa. Vai tomar no meio do seu cu.

Isso não é poético, meu deus, me dê alguém pra eu me jogar nos braços e largar esse filho da puta de uma vez. Nunca me apaixonei por alguém tão cheio de mutriques, não-me-toques, frescuras, desculpas, tão difícil, doloroso, difícil de respirar, nhénhénhé.

Isso não é poético. É um desabafo.

domingo, 3 de outubro de 2010

a falta que a terapia não faz, e é estranho

Então. Vou discursar aqui hoje sobre algo que tem me surpreendido: eu não faço mais terapia, e não tenho sentido falta.
Eu pensei que realmente fosse, logo depois ou pouco tempo depois de parar, me pegar pensando "ah, com isso a Silmara poderia me ajudar muito" ou "ah, como eu queria estar na terapia agora" mas não. Só lembrei da terapia em alguns momentos pra pensar "se eu contasse isso, até já sei qual seria a resposta da Silmara." Pois então.
Eu acho que preciso de ajuda só com uma coisa, mas não acho que a Silmara ajudaria, em alguns momentos ela só piorou. Sou muito ciumenta. Tenho uma mente doentia quando o assunto é olha, essa pessoa vai me deixar. Tento o melhor que posso não pensar besteiras, ser racional, mas é como uma onda que vem por baixo de mim. I'm mental. Com algumas coisas, sim. Adoraria parar com isso, sério, adoraria que alguém me ajudasse com isso, porque sentir ciúmes, como eu já disse aqui nesse blog inclusive (eu acho), não faz sentido. Odeio sentir uma coisa que não faz sentido. Você só sente ciúmes, só pode sentir ciúmes, do que é seu. Não é que eu não entenda meus ciúmes, sim, eu entendo meu medo de ser deixada, entendo porque quando tinha sete anos uma pessoa muito importante me deixou. Pior que seu pai morrer é seu pai ir embora sem praticamente deixar rastro, e treze anos depois nem ligar para te desejar um feliz vigésimo aniversário. É pior justamente por isso, ele ainda existe.
Mas com isso acho que a terapia não me ajudaria. A terapia era só pensar, pensar, pensar, refletir sobre isso e aquilo. Como eu disse quando quis parar, não quero mais pensar, quero só agir. Sei lá se isso é bom, ou correto aos olhos das pessoas, mas nunca me permiti agir sem pensar como ultimamente. Adoro essa liberdade, porque, sim, pra mim, isso é liberdade.
Então, saí da terapia, consegui um emprego novo, finalmente saí do telemarketing, SIM, finalmente minha vida vai pra frente.
E tudo isso sem terapia.
Só espero que eu continue assim. E quanto aos ciúmes, faço o melhor pra me controlar. A única responsável pelo meu sofrimento sou eu, assim como todas as outras pessoas. O único responsável pelo seu sofrimento é você, meu filho.

Resumo de tudo isso? Estou feliz hoje, muito.