Só capturo momentos, e ninguém me interessa. As pessoas na rua são sempre iguais. Me encosto no banco. Adoro os bancos desses mini-ônibus, esses que ficam no cantinho, sozinhos, virados de frente para todos os outros. Fecho os olhos. Não quero mais ver pessoas desinteressantes, sempre as mesmas todos os dias. Quero saber como essas pessoas vivem. Como elas conseguem. Eu disse para ela ontem, isso é uma coisa que eu não entendo desde os meus catorze anos. Como as pessoas se conhecem? Como as coisas acontecem entre elas? Não entendo. Como um desconhecido se interessa por você e as coisas simplesmente acontecem? Não tem essa de simplesmente. Ultimamente tenho tentado reunir pensamentos de homens a respeito de mulheres em geral. Nunca tinha parado para pensar nisso, mas li que o que os homens sentem, em sentido romântico, é sempre mais forte do que o que as mulheres sentem. E que eles são "injustiçados", pois cabe a eles o passo inicial, cabe a eles o julgamento, e cabe às mulheres a decisão. A decisão é sempre da mulher, foi o que eu li. É verdade, de certa forma. Mas vi homens mais desiludidos com a vida, li o que eles disseram e fiquei extremamente impressionada, admito. O que eles falavam que sentiam, essa coisa de não conseguir encontrar ninguém e já ter perdido completamente as esperanças, uma revolta interna que podia ser lida perfeitamente nas entrelinhas, é exatamente o que eu sinto. Até mais forte. Me pergunto se eles se indignam mais por estarem sozinhos. Com certeza, sim. Alguns parecem odiar as mulheres. Dizem que hoje em dia elas só querem saber dos cafajestes, dos safados, dos "bombadões", e os supostos românticos (por que usei a palavra "supostos" aqui?) são taxados de coisas como "só grandes amigos", até mesmo homossexuais. Onde estão essas putas desses mulheres? Essas desgraçadas, que estragam tudo para nós? Quero matar todas elas. Rejeitar uma pessoa decente por uma que te faz sofrer e é mais atraente? Elas acabam com tudo. Por causa dessa maioria de mulheres filhas da puta (a revolta faz a gente falar palavrões), a minoria é vítima de preconceito, e nesse jogo de argumentação para ver qual sexo é o mais preconceituoso, sujo, criminoso, as mulheres sempre parecem perder (na argumentação. Em todos os pequenos debates que eu li, as mulheres perdiam os argumentos, e mais homens se juntavam ao grupo de homens, até que só sobrassem homens na conversa, como se as mulheres tivessem desistido). Mas na verdade, é a mesma coisa dos dois lados. A maioria das mulheres, pelo menos aqui no Brasil, é um bando de idiotas, nojentinhas, sujas, que dão para o primeiro que aparecer na esquina e só sabem dançar com a bunda de fora. A maioria dos homens, pelo menos pelo que eu vejo, é de safados, estranhos, extremamente burros, sem caráter, como as mulheres, a única diferença é que eles não engravidam, então quando a transa toda dá em merda, eles fogem e as mulheres largam as crianças com as avós para irem dançar no baile funk, e começa tudo de novo. Por isso que eu acho que nasci 1. na época errada 2. no país errado. Como é que alguém pode ser feliz e encontrar uma pessoa com quem tenha afinidades no meio dessa bosta toda? É como chapinhar na lama para encontrar um alfinete, mais sujo que um palheiro. Ainda mais quando você mora num bairro mais pobre, tem um emprego que é aquela coisa de "é um trabalho sujo, mas alguém tem de fazê-lo", as coisas ficam difíceis, eu te digo. Não é nenhum milagre eu não ter encontrado nenhum homem que fosse REALMENTE interessante. Não, não encontrei, e não tenho esperanças de encontrar. Li também o depoimento de uma quarentona dizendo que vê muitas pessoas jovens sem esperanças, apesar de terem a vida toda pela frente. Ela não sabe que, quando se é assim (jovem e já sem esperança), as pessoas fazem o favor de te repetir sempre a mesma coisa ("você tem a vida inteira pela frente", "calma que um dia uma pessoa vai chegar e vai mover o seu coração de certa maneira que blá blá blá") e essas coisas não fazem mais o mínimo sentido, e por mais que você tente, não consegue, e não consegue explicar. Acredito que existam pessoas como eu por aí, sim, mas onde elas estão se escondendo, não me pergunte. E se algum dia eu encontrar realmente alguém que seja o suficiente para mim, coisa que até agora eu não vi mesmo, não vai acontecer nada, porque eu me escondo, não olho e não faço nada. Mas, é basicamente isso, corações solitários talvez sejam feitos para ficarem sozinhos, porque têm uma missão maior a cumprir nesse mundo. Talvez as pessoas fiquem sozinhas porque simplesmente não vieram para cá para namorar, transar, ser feliz no amor e essas coisas. Um propósito maior. Me agarro nisso, gosto de acreditar que tenho um propósito maior. Eu espero. Não sou muito inteligente, não tenho convicções profundas, não tenho nada de especial, mas não quero ser como todo mundo. Não sou uma mulher como aquelas putas, não sou, e leio essas coisas por aí e fico pensando em como adoraria dar amor para um homem como aquele. Fazê-lo feliz, fazê-lo mudar de idéia. Quero amar, mas acho que estou sendo hipócrita. Quero ser amada. Não sinto que sou isso realmente, não me vejo tão egoísta assim, mas sei que essa é a natureza do ser humano: o egoísmo. Analisando as palavras "eu te amo". É uma frase egoísta ao extremo. EU te amo. EU. Tudo é EU, EU, EU. As pessoas por aí quando dizem eu te amo estão dizendo isso somente da parte delas. Não dizem eu te amo pensando que quando a pessoa ouvir, vai pensar "puta merda, eu sou amado". Dizem porque querem, porque acham bonito, porque acham que devem dizer. Egoístas do caramba.
Bom, são só algumas reflexões. Interessante escrever essas coisas. Penso bastante em coisas como essas.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
leia
Leia cada frase separada. Cada frase nasce separada. Fale alto. Pronuncie cada coisa, cada pensamento. Leia cada vida separada. Frases nascem separadas. Nós juntamos, mas nascem separadas. Uma frase nasce sozinha. Matamos em nossas mentes, pouco a pouco. Descartam-se frases. Vendem-se frases. Leia cada frase separada. Separadas, elas se gravam mais facilmente. As pessoas. Frases e pessoas separadas. Desfaça um texto. Separe seu próprio texto. Esmigalhe. Junte. Separe novamente. Faça sentido. Não faça, seja humano. Leia todas, descarte todas. Fique com uma. Então sinta. Pergunte-se. Sinta-se. Troque. Encontre outra. Faça a sua. Então, pergunte-se novamente. E lembre-se de ler cada frase, cada palavra, cada vírgula, cada refrão, cada soneto, cada estrofe, cada verso, cada sussurro, cada respiração, cada descompasso, cada toque. Segure. Solte. Segure novamente. Abrace. O mais forte possível. Isso é seu. Não se desespere. Sentimentos nascem. Seguem. Mão-única. Separadamente.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
é assim
Certas coisas são impossíveis. Ondas no mar. Sentada na areia, ela se perguntava a respeito de tudo. A origem das coisas, a essência mais essencial das coisas. O porquê das coisas acontecerem. Toda vez que pensava nisso, chegava à conclusão de que certas coisas são impossíveis e não têm explicação. Os dias pareciam tão longos naquela época. Não poderia esperar mais nada de ninguém, não poderia mais esperar por ele, ou vê-lo todos os dias. Ele quem? Ela achava engraçado como confundia os nomes dos homens por quem já se apaixonara, dentro de sua cabeça. Chegava a usar três nomes até acertar o certo.
Observava novamente as ondas do mar. Tão naturais. Para ela nada era natural, nada parecia acontecer com suavidade. Ultimamente, ela tinha se conformado, e pensava que, se estava naquela situação já há tanto tempo, não havia mais necessidade de se preocupar, pois provavelmente merecia aquilo. Sim, provavelmente merecia. Ela pegou um punhado de areia, observou a textura e a cor, e lentamente deixou sua mão pender para o lado, deixando a areia escapar. Olhou ao redor. Areia até onde a vista alcança. Deixar escapar só aquele punhado não ia fazer nenhum mal. Haviam mais milhões e milhões de grãos, só naquela praia.
Mesmo assim, ela não acreditava que fosse encontrar nada ali. Somente a beleza do mar, que não era dela. Ela não é uma estranha, mas somente observa, de longe, desejando que a vida fosse boa com ela também, e lhe desse um pouco de felicidade. Não queria muito. Seu coração estava conformado em só observar. Se revoltava às vezes, mas ela não chorava mais. Aqueles dias longos em que ela estivera apaixonada tantas vezes, aqueles dias sempre lhe trouxeram lágrimas e sofrimento.
Ela tinha sua vida normal de volta, e apesar de continuar sozinha, não chorava mais. Ela se levantou. Andou até as escadas de madeira. Olhou para trás, seus pés descalços sentindo a areia suave. O mar era maravilhoso. Mas não era para ela. Conformou-se. Subiu as escadas e foi para casa. Era final de tarde.
Observava novamente as ondas do mar. Tão naturais. Para ela nada era natural, nada parecia acontecer com suavidade. Ultimamente, ela tinha se conformado, e pensava que, se estava naquela situação já há tanto tempo, não havia mais necessidade de se preocupar, pois provavelmente merecia aquilo. Sim, provavelmente merecia. Ela pegou um punhado de areia, observou a textura e a cor, e lentamente deixou sua mão pender para o lado, deixando a areia escapar. Olhou ao redor. Areia até onde a vista alcança. Deixar escapar só aquele punhado não ia fazer nenhum mal. Haviam mais milhões e milhões de grãos, só naquela praia.
Mesmo assim, ela não acreditava que fosse encontrar nada ali. Somente a beleza do mar, que não era dela. Ela não é uma estranha, mas somente observa, de longe, desejando que a vida fosse boa com ela também, e lhe desse um pouco de felicidade. Não queria muito. Seu coração estava conformado em só observar. Se revoltava às vezes, mas ela não chorava mais. Aqueles dias longos em que ela estivera apaixonada tantas vezes, aqueles dias sempre lhe trouxeram lágrimas e sofrimento.
Ela tinha sua vida normal de volta, e apesar de continuar sozinha, não chorava mais. Ela se levantou. Andou até as escadas de madeira. Olhou para trás, seus pés descalços sentindo a areia suave. O mar era maravilhoso. Mas não era para ela. Conformou-se. Subiu as escadas e foi para casa. Era final de tarde.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
vinho e cigarras
vinho sangrento, cor de cigarras
o som das cigarras e o vinho sangrento
nada a ver com nada
ressaca de sentimentos
sangria, cigarras
é como meu pai há muito tempo me disse
quando as cigarras fazem tanto barulho,
é porque estão para morrer
mas não ouço mais as cigarras
sangria de cigarras, som de sangria
não ouço mais minhas cigarras
há muito tempo já não as ouço mais
o som das cigarras e o vinho sangrento
nada a ver com nada
ressaca de sentimentos
sangria, cigarras
é como meu pai há muito tempo me disse
quando as cigarras fazem tanto barulho,
é porque estão para morrer
mas não ouço mais as cigarras
sangria de cigarras, som de sangria
não ouço mais minhas cigarras
há muito tempo já não as ouço mais
did you mean to?
me olhei no espelho, olhei meus olhos, meus cabelos, meu rosto, meu dedos, meus cílios, meu nariz, minha boca.
levei a mão ao peito.
olhei para mim e disse
e disse, e pensei
levei a mão ao peito,
pensei
"não tem nada lá dentro"
levei a mão ao peito.
olhei para mim e disse
e disse, e pensei
levei a mão ao peito,
pensei
"não tem nada lá dentro"
corra, corra, corra
com sono e vergonha, quero piano. quero chá, quero campo. quero mãos, quero noite. com sono e vergonha. quero limão, quero praia. desculpa. des-culpe-me, tire a minha culpa. culpa. polpa. despolpe-me. a culpa é parte de mim
sábado, 14 de fevereiro de 2009
sente-se hoje
sei lá.
não sou como as outras pessoas.
que tiveram um amor aos dezessete anos.
um rapaz não tão bonito, mas bonito aos olhos dela.
um rapaz que cantou uma última canção de despedida,
um rapaz que ela nunca mais viu.
uma moça que apareceu do nada em sua vida, na escola.
uma moça que disse que gostava dele também,
uma moça que ele nunca mais viu.
não tive nada disso.
não sei explicar porquê.
sinto muita dor.
vivem me dizendo que tudo tem sua hora.
que até agora não aconteceu porque eu não conheci a pessoa certa.
que beijar é mais fácil que andar de bicicleta.
meu deus, quanta besteira.
nem sei andar de bicicleta.
não sou como as outras pessoas.
que tiveram um amor aos dezessete anos.
um rapaz não tão bonito, mas bonito aos olhos dela.
um rapaz que cantou uma última canção de despedida,
um rapaz que ela nunca mais viu.
uma moça que apareceu do nada em sua vida, na escola.
uma moça que disse que gostava dele também,
uma moça que ele nunca mais viu.
não tive nada disso.
não sei explicar porquê.
sinto muita dor.
vivem me dizendo que tudo tem sua hora.
que até agora não aconteceu porque eu não conheci a pessoa certa.
que beijar é mais fácil que andar de bicicleta.
meu deus, quanta besteira.
nem sei andar de bicicleta.
passos
Andando pela rua, sempre me pergunto para onde e o porque estou indo. Meu deus, que vontade de voltar para trás. Voltar para casa. Ando muito assim ultimamente. Quase paro. Ando devagar. Sozinha. Penso, vou voltar. Vejo meus pés e a calçada cinza, tudo cinza, e quero muito voltar. Olho para a frente e me sinto tragada pelos meus próprios pés, malditos traidores de mim. Meus olhos se enchem de lágrimas, eu me sinto explodir por dentro. Sinto que poderia sentar no chão e chorar, fazer escândalo, me jogar na frente de um carro. Lágrimas, então tudo o que eu vejo são lágrimas, e não ligo de não enxergar nada na minha frente, porque não quero ir pra frente, mesmo.
Tudo embaça e desfoca, só vejo luzes brilhantes. Não posso chorar. Sempre banco a idiota. Não gosto de segurar o choro, mas sempre seguro. Tudo me pega, tudo me transforma, a paisagem me bate e me machuca, me chuta, me enlouquece de dor, de dor, de lágrimas. Quero voltar para casa. Mas eu sei que se eu voltar, não saio mais. E morro. Quero morrer. E choro porque quero morrer, e porque quero voltar e não volto.
Quantas vezes já fiz isso? Quantas vezes cheguei na esquina e me senti fazer a curva de volta para dentro. Dentro da minha rua, dentro de um lugar que é meu, mas que não é o suficiente. Ninguém acha feio. Ninguém acha bonito. Ninguém diz nada. Eu quero voltar, e quase choro. Sujo tudo, sujo minha vida, não quero pensar assim, quero ir para a frente. Não desejei por isso, e desejei com todas as minhas fibras, com cada pedacinho meu.
Querer voltar para casa no meio do caminho representa muitas coisas para mim. Representa fracasso. Fracasso total, infelicidade. Vida morta. Murcha. Solta. Fim.
Tudo embaça e desfoca, só vejo luzes brilhantes. Não posso chorar. Sempre banco a idiota. Não gosto de segurar o choro, mas sempre seguro. Tudo me pega, tudo me transforma, a paisagem me bate e me machuca, me chuta, me enlouquece de dor, de dor, de lágrimas. Quero voltar para casa. Mas eu sei que se eu voltar, não saio mais. E morro. Quero morrer. E choro porque quero morrer, e porque quero voltar e não volto.
Quantas vezes já fiz isso? Quantas vezes cheguei na esquina e me senti fazer a curva de volta para dentro. Dentro da minha rua, dentro de um lugar que é meu, mas que não é o suficiente. Ninguém acha feio. Ninguém acha bonito. Ninguém diz nada. Eu quero voltar, e quase choro. Sujo tudo, sujo minha vida, não quero pensar assim, quero ir para a frente. Não desejei por isso, e desejei com todas as minhas fibras, com cada pedacinho meu.
Querer voltar para casa no meio do caminho representa muitas coisas para mim. Representa fracasso. Fracasso total, infelicidade. Vida morta. Murcha. Solta. Fim.
virtudes
um quadro pintado pela metade
o resto em branco
gramado, paisagem, nuvens no céu
só até a metade
a outra metade, só riscada
a lápis ou a carvão
borrado, num canto
o quadro aguarda, parado, aguarda
o pincel de seu pintor
mas o pintor não vem, não veio, não chega
o quadro abandonado
se rasga e se pinta
de lágrimas, lápis, tinta velha e carvão
corrói, apodrece, envelhece e fica
sempre se perguntando, o quadro
até que o tempo, os rasgos, suas eternas lágrimas, água sofrida
tragam a morte
então o pintor saberá de seu quadro
agora no lixo, sujo e rasgado
sua bela paisagem pintada em forma de choro
uma única palavra se lê, em preto, em dores
"sempre"
em dores.
o resto em branco
gramado, paisagem, nuvens no céu
só até a metade
a outra metade, só riscada
a lápis ou a carvão
borrado, num canto
o quadro aguarda, parado, aguarda
o pincel de seu pintor
mas o pintor não vem, não veio, não chega
o quadro abandonado
se rasga e se pinta
de lágrimas, lápis, tinta velha e carvão
corrói, apodrece, envelhece e fica
sempre se perguntando, o quadro
até que o tempo, os rasgos, suas eternas lágrimas, água sofrida
tragam a morte
então o pintor saberá de seu quadro
agora no lixo, sujo e rasgado
sua bela paisagem pintada em forma de choro
uma única palavra se lê, em preto, em dores
"sempre"
em dores.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
I'm awake and feel the ache
não quero, não quero, não quero. não quero dormir, porque não quero que amanhã chegue, porque não quero acordar amanhã.
ah, a merda que é um dia após o outro.
ah, a merda que é um dia após o outro.
forte, fortitude, fortaleza
tempo bom, tempo ruim
é tempo ruim lá fora
é tempo de ser forte
é tempo de ser chuva, de resistir
ainda sou forte?
ainda é tempo?
não me sinto mais tão forte
é tempo de ser relâmpago, efêmero, de desistir
não tenho mais tempo
esgotei-me
meu tempo se esgotou
escorreu pelas minhas mãos
e agora eu não sei mais ser forte
quando devo ser
só sei chorar
é tempo de voltar a ser menina
menina forte, que não chora
mas minha alma foi se quebrando com o tempo
agora só sei chorar
é tempo ruim aqui dentro
é tempo ruim lá fora, também
é tempo de ser forte,
e eu desaprendi a ser forte,
e não consigo ter forças sequer para ser forte,
pois algo dentro de mim perdeu tudo,
algo dentro de mim, uma parte, um pedaço rasgado de mim,
não quer mais ser forte
uma parte de mim, uma grande parte de mim
só quer deitar e dormir, e desaparecer
é tempo de desaparecer,
mas devo ser forte,
devo ser forte?
devo ser forte para quê?
para quê
para ser forte
é preciso ser forte
e eu não sou forte
se disser que sou,
estou mentindo
pois não sou
já fui
forte
fui
forte
é tempo ruim lá fora
é tempo de ser forte
é tempo de ser chuva, de resistir
ainda sou forte?
ainda é tempo?
não me sinto mais tão forte
é tempo de ser relâmpago, efêmero, de desistir
não tenho mais tempo
esgotei-me
meu tempo se esgotou
escorreu pelas minhas mãos
e agora eu não sei mais ser forte
quando devo ser
só sei chorar
é tempo de voltar a ser menina
menina forte, que não chora
mas minha alma foi se quebrando com o tempo
agora só sei chorar
é tempo ruim aqui dentro
é tempo ruim lá fora, também
é tempo de ser forte,
e eu desaprendi a ser forte,
e não consigo ter forças sequer para ser forte,
pois algo dentro de mim perdeu tudo,
algo dentro de mim, uma parte, um pedaço rasgado de mim,
não quer mais ser forte
uma parte de mim, uma grande parte de mim
só quer deitar e dormir, e desaparecer
é tempo de desaparecer,
mas devo ser forte,
devo ser forte?
devo ser forte para quê?
para quê
para ser forte
é preciso ser forte
e eu não sou forte
se disser que sou,
estou mentindo
pois não sou
já fui
forte
fui
forte
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
tradução de To America
É certo, meu amor, é certo?
É uma pergunta sem resposta.
Eu tenho certeza de que quero estar no mar aberto,
Sentir o conforto da espuma em meu rosto.
Não, não estou chorando.
É certo, meu amor, é certo?
Você está feliz dentro de seus olhos?
Você não vê sua amante
se desfazer em suas linhas de seda.
No tempo certo o caçador encontrará o rastro de sangue.
É uma pergunta sem resposta.
Eu tenho certeza de que quero estar no mar aberto,
Sentir o conforto da espuma em meu rosto.
Não, não estou chorando.
É certo, meu amor, é certo?
Você está feliz dentro de seus olhos?
Você não vê sua amante
se desfazer em suas linhas de seda.
No tempo certo o caçador encontrará o rastro de sangue.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
domingo, 8 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
estrangeiro
Vai voltar, o pássaro, depois de queimar o ninho. Ele queimou seu próprio ninho. Com um pio triste, como se de repente acordasse para a vida, o pássaro olhou ao seu redor. Registrou cada cor daquele fogo, e o ninho, e o ninho? Ele queimou seu próprio ninho. O pássaro se pergunta, terá sido intenção sua? Terá sido seu instinto animal? O pássaro não se sente mais animal. O pássaro, que é pássaro, quer meios de ser pássaro. Surge algo em seu peito de ave frágil. Seu coração bate forte. Medo, medo. O ninho está queimando. O ninho está queimando. O medo vem, mas o pássaro só olha simplesmente. Pânico não é para pássaros. E o calor do fogo dá prazer, é quente. Ainda assim, ele tem medo. Medo, porque queimou seu próprio ninho! O pássaro frágil, seu ninho frágil. Ele não quer o ninho de volta, mas não sabe porque queimou. Aquele ninho que ele construiu durante tantos meses, buscando alimentar uma família, alimentando uma esperança maravilhosa. Sabe, esperança de pássaro.
O pássaro olha. E agora, o que fazer? O pássaro não sabe. Sua almazinha está inquieta, mas ele não se move. O pássaro se resigna. Foi a morte de seu ninho. O fogo, é real? O medo do fogo, é real? Mas o que tem de mais nesse tal fogo? Pássaro e fogo. Combinariam. O fogo é natural, assim como ele, o pássaro. O fogo está se sentindo observado. Quem o ateou, o pássaro, agora observa. Pássaro, engula o fogo. O pássaro olha os reflexos de seu fogo. Coraçãozinho. Ambos esperam. Ambos chegam mais perto, desejo, desejo de conhecer um ao outro. Pássaro e fogo. O fogo, lambendo as penas do pássaro, o pássaro num júbilo de indecência sentindo prazer dentro do fogo. Se entregam, pássaro e fogo. Duas coisas naturais. O ninho já queimou. Não há mais nada para o pássaro, a não ser buscar o fogo. Não há mais nada para o fogo, exceto querer o pássaro.
O pássaro olha. E agora, o que fazer? O pássaro não sabe. Sua almazinha está inquieta, mas ele não se move. O pássaro se resigna. Foi a morte de seu ninho. O fogo, é real? O medo do fogo, é real? Mas o que tem de mais nesse tal fogo? Pássaro e fogo. Combinariam. O fogo é natural, assim como ele, o pássaro. O fogo está se sentindo observado. Quem o ateou, o pássaro, agora observa. Pássaro, engula o fogo. O pássaro olha os reflexos de seu fogo. Coraçãozinho. Ambos esperam. Ambos chegam mais perto, desejo, desejo de conhecer um ao outro. Pássaro e fogo. O fogo, lambendo as penas do pássaro, o pássaro num júbilo de indecência sentindo prazer dentro do fogo. Se entregam, pássaro e fogo. Duas coisas naturais. O ninho já queimou. Não há mais nada para o pássaro, a não ser buscar o fogo. Não há mais nada para o fogo, exceto querer o pássaro.
sozinha, sozinha, alarme viva
let's make it clear
let's make it clear
let's make it clear
let's make it clear
let's make it clear
let's make it clear
let's make it, dear
let's make it clear
let's make it clear
let's make it clear
let's make it clear
let's make it clear
let's make it, dear
domingo, 1 de fevereiro de 2009
esse instrumento que eu adoro mas não sei o nome
eu vivo minha vida perdendo as esperanças quase todo dia.
ninguém, não pode ser e não existe, ninguém tem um coração tão desoladamente vazio quanto o meu.
como é que pode? o que as outras pessoas têm que eu não tenho?
ninguém tem um coração tão vazio, tão assustadoramente vazio, se você abrir, olhar lá dentro e gritar, você só vai ver escuridão e ouvir ecos.
é de dar medo, como uma pessoa por fora pode parecer alegre e ter tudo que as outras têm, mas por dentro ecoa e chora sem parar?
não sei como ninguém percebe que eu tenho um coração tão vazio, tão murchinho, acuado num canto, esperando numa fila.
pobrezinho do meu coração.
ninguém é tão vazio quanto ele. eu o mimo, eu o amo, mas não adianta.
meu coraçãozinho querido. nada adianta para você, não é?
ninguém tem um coração tão querido, tão desoladamente, assustadoramente, terrivelmente, sombriamente vazio, tão sofrido, tão amargo, tão triste quanto o meu.
ninguém, não pode ser e não existe, ninguém tem um coração tão desoladamente vazio quanto o meu.
como é que pode? o que as outras pessoas têm que eu não tenho?
ninguém tem um coração tão vazio, tão assustadoramente vazio, se você abrir, olhar lá dentro e gritar, você só vai ver escuridão e ouvir ecos.
é de dar medo, como uma pessoa por fora pode parecer alegre e ter tudo que as outras têm, mas por dentro ecoa e chora sem parar?
não sei como ninguém percebe que eu tenho um coração tão vazio, tão murchinho, acuado num canto, esperando numa fila.
pobrezinho do meu coração.
ninguém é tão vazio quanto ele. eu o mimo, eu o amo, mas não adianta.
meu coraçãozinho querido. nada adianta para você, não é?
ninguém tem um coração tão querido, tão desoladamente, assustadoramente, terrivelmente, sombriamente vazio, tão sofrido, tão amargo, tão triste quanto o meu.
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