terça-feira, 23 de novembro de 2010

não fica sério

pensei no meu antigo amor enquanto brincava com material de escritório
talvez agora ele esteja bebendo coca-cola num dormitório
eu acho que prefiro talvez até o seu xixi num mictório
por mais que isso seja nojento, nada do que eu escrevo aqui é mandatório
pra ler precisa ter só um pouco de coragem ou colírio

não vi mais a dona glória
ou esse meu antigo amor, que delírio
não é que este seja um verso aleatório
mas eu queria deixar bem claro meu relatório
pra não ter problemas com você, meu novo martírio

só mais uns meses e alguns amores obrigatórios
e tudo o que aconteceu vai ficar bem mais etéreo
não espere nada, não tem sangue nessas artérias
mas pelo menos não peguei nenhuma doença venérea

sou capaz de gostar de você até ficar na miséria
do seu lado prometo tentar ficar sempre sóbria
nada do que eu cozinhar vai te dar revertério
minha tumba ao lado da sua no cemitério
a gente constrói algo assim como um império
ou nem precisa ser um namoro assim tão sério
mas tem algo mais sexualmente satisfatório?

é típico meu isso de não ter muito critério
mas comigo você jamais duvidaria de adultério
e isso acabaria não sendo nenhum mistério
se você me pedisse pra contar toda essa minha outra história

sábado, 20 de novembro de 2010

só tenho desabafado aqui. tudo o que eu escrevo é enquanto eu choro. por isso vai passar. é puro cansaço, eu juro.
eu quero tentar de novo, que alguém me tenha nos braços de novo. vai dar tudo certo, eu acho, por mais machucada que eu esteja.

só pondo pra fora

chuva e nada é a mesma coisa
alguém do seu lado e você não sente nada
ninguém do seu lado, mas você sente tudo
abraços e lama

solidão é merda
estar sozinho é um buraco negro, um hábito
um medo de não conseguir mais ninguém
um medo de conseguir mais alguém
solidão é medo

pisoteando uvas, vinho, falhas, silhuetas
sons, enquadros, medo, sempre fugindo
não é nisso que eu sou boa?
não, eu nunca fujo
não, eu nunca fui embora
sim, eu sempre aceito
sim, eu sempre digo

sim pra essa porra toda
nada é nada é nada é nada é nada é nada
disso é podre, pé podre, pé podre
vida e nada, e dor, e olhos
tudo fecha sozinho
tudo fecha, nada abre
eu sempre abri mas tudo fecha

eu sempre aceito, eu sempre fácil
nada é fácil é bom é enorme
eu sou o quê dentro de você?
você o quê dentro de mim?
não ouvi, foi a chuva, a porra da chuva sempre

chuva solitária que não traz nada, você respira solidão
porque o ar pra respirar já foi, você transpira solidão
você exala solidão, cara de menina triste
calor porque calor é solidão
calor é solidão demais
calor é calor em excesso que não vai pra lugar nenhum

o que eu escrevo aqui é vergonhoso, sem sentido, produto de dor
produto de frustração sexual
produto de frustração das mais afetivas
não é nada, é só desabafo, é pura merda
merda saindo de mim porque tem que ir pra algum lugar
meu amigo, amigo, meu querido, desgraçado
amor acabou comigo

ele me estraçalhou
ele me estraçalhou
completamente, meu deus, ele me estraçalhou
ELE ME ESTRAÇALHOU MEU DEUS
não me deixa chorar, que eu cansei
meu deus não me deixa aqui
eu não aguento mais
eu aguento sim
eu consigo
mas ele me estraçalhou, sim
deus me chora pelo nariz
porque alguém me estraçalhou, enfiou a mão pela janela de mim
enfiou e segurou o que conseguiu segurar
e chacoalhou, dilatou, enfiou as unhas na carne, até o fundo, até abrir
arrancou todos os pedaços, dedilhou o sangue
jorrou todos os pedaços de mim pra fora
levou tudo pela janela, levou um braço
mordeu, dilacerou, riu
ele adorou
ele me quebrou
me uniu, me jogou
passou por cima de mim, me comprimiu, me matou
acabou comigo, me sugou, me beijou na ponta do nariz
segurou a minha mão, me abraçou, meu deus ele me beijou na ponta do nariz
eu quero tanto esquecer isso, tanto, tanto, que eu choro
eu não consigo lavar o beijo dele da ponta do meu nariz
faz isso parar de rolar, essas lágrimas pararem de sair
que eu paro de chorar
eu não quero mais lembrar

ele acabou comigo, o que vai ser de mim?
segurou meu olho até ele se romper
meu coração martelado, dilacerado, aberto todo, tudo

até tudo ser sangue e eu ser nada
nada a não ser nada
chuva, morte, dor, cansaço
tudo é nada meu deus
não me deixa mais chorar salgado assim, meu deus

terça-feira, 16 de novembro de 2010

gay

como um ralo levando a água, você me levou pelos canos
pra bem fundo, fundo
como um ralo levando a água, eu te ajudei a entrar fundo
pra bem fundo, fundo

como meu coração é vazio, qualquer um que me mostre amor
qualquer um, serei sua vítima
qualquer um, me mantenha perto de você
me abrace, me diga que quer me levar pra casa
e eu serei sua vítima e você tirará de mim tudo o que quiser tirar
me espreme como se eu fosse sua, porque eu sou
só sua vítima, espera

você me levou fundo, fundo, eu te levei fundo, fundo
caules crescendo pra fora da terra
raízes indo fundo, fundo
até o fundo da terra
e caules crescendo, chuva caindo
eu te levei fundo, eu abri caminho
até o inferno de mim
você não viu nem 1/4 de mim
me divida em quatro partes, você levou uma
você não me conheceu
quatro partes desiguais

eu entendo que você tenha levado, você curtia músicas bonitinhas
ainda acho que você era gay
minha vida é isso, um mar de porra nenhuma e nada fresquinho
oh, por favor não me faça reviver isso
meu deus onde eu tava com a cabeça? eu me pergunto
amor é assustador
amor é assustador

se você quiser só sexo de mim, vem que eu conheço um hotel na paulista
um preço módico e três horas num quarto que é até bom
com espelho e coisa e tal
três horas de mim, três horas de você
se você quiser só sexo de mim

se você não quiser nada mais
por favor só não me diga isso aqui
que me ama ou me adora
que casaria comigo ou me levaria pra casa
se você não quiser nada mais, pode dizer
eu não vou fugir, não vou correr
na verdade fica mais fácil pra mim não gostar de você

NÃO PRECISA me iludir, fingir, dizer que me ama, querer me abrir
querer me abrir, me despedaçar pra depois correr
é só dizer
eu tenho amor e tenho desejo também
tenho água e fogo e raiva e sou fácil
sou muito fácil
por que você não disse logo que queria só sexo?
por que você esperou 5 dias?
não teria sido muito menos doloroso, meu querido?
concorda comigo que teria sido muito melhor, não teria?
pra quê mentir?

só tenho raiva e indignação por que as pessoas jogam joguinhos por que mentir por que falar justamente o contrário do que você quer falar por que complicar? a vida é fácil, seu filho da puta, você me quebrou, me quebrou, me quebrou à toa, completamente à toa, é isso. é só isso. é meu inferno.

era só isso que eu queria dizer
dizer a verdade não vai me machucar ou fazer com que eu feche minhas pernas
bando de burros

domingo, 14 de novembro de 2010

hearts breaking in the night



oh the stars burn bright above

there's a devil in her eyes



this is serious, so serious

i water flowers in the rain



crippled by the sound of love, beating in my lonely frame, my lonely frame, so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

my love is lost

I whisper bleeding from my hands and feet

that my love is lost

my love is lost

so please

keep me in your heart

I water flowers in the rain

so please

keep me in your heart

I dance beneath your silver flame

keep me in your heart

I water flowers in the rain

I dance beneath your silver flame

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

so please keep me in your heart

sábado, 13 de novembro de 2010

Notas de Rafael

vou escrever alguma coisa bonita aqui, apesar do coração partido e do rosto e dos pés tão tão tão doloridos e dos olhos cheios d'água desgraçada.


Notas de você, Rafael.
Notas que me tocaram, notas que me fizeram mais feliz,
só um pouquinho,
só um pouco, Rafael.
Obrigada pelas suas notas.

Meu querido Rafael.
Agente de suporte do meu coração.
Você é a voz do outro lado do telefone,
a mão que acaricia meus cabelos como se me amasse,
que segura meu rosto e olha no fundo dos meus olhos,
os lábios que beijam meu rosto inteiro devagar,
os dedos que passam pelos cachos do meu cabelo, que ajeitam minha franja,
as cordas vocais que fazem o som daquelas malditas palavras que eu sempre quero ouvir,
os braços que passam pela minha cintura e me seguram perto de você,
é quem fala perto do meu ouvido,
é quem canta uma música,
é quem me busca no trabalho,
quem me leva pra casa,
quem me olha de soslaio e
é quem um dia se confessa, tão tímido,
e é quem eu aceito,
é quem eu namoro,
é quem eu caso,
é o pai dos meus filhos.
Obrigada pelas suas notas.

Oh, Rafael.
Palavras numa tela, palavras em negrito, num email que eu aceitei que você enviasse.
Você tem meu email aí?
Tenho, tenho, é leticiafernandes@gmail.com?
É, mas com um M de maria depois do fernandes.
Ah tá, tudo bem.
Ah tá, Rafael, tudo bem.
Obrigada pelas tuas notas.

Rafael, meu agente de suporte.
É uma pena, você não existe.
É uma pena, e meus olhos estão cheios, cheios de chorar.
E eu choro agora de saber que você não existe.
Talvez seja tudo automático, negrito numa máquina, notas do seu #nomedoagenteaqui.
Mas eu choro porque você não sabe o que eu tenho passado, Rafael.
Sozinha ouvindo violinos, cantando London London perto da Avenida Pompeia.
Sozinha olhando pra um avião rasgar uma nuvem no céu.
Sozinha sem nada, sem nada, sem nada nos meus bolsos.
Sozinha com uma sensação enorme de vazio nas minhas mãos.
Obrigada pelas tuas notas, obrigada.

(baseado num email enviado por um agente de suporte da Apple chamado Rafael. eu solicitei, ao final da minha ligação pra falar sobre meu iPod quebrado, que ele enviasse o número do protocolo pelo meu email, o que ele fez. só que no final da mensagem, em negrito, estava escrito "Notas de Rafael, o seu agente de suporte...")

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

who puts you back together?

céu, cores.
cores de mim, modelos.
alguém me cumprimenta segurando meu rosto, tocando meus cabelos.
alguém me olha e descobrimos que temos amigos em comum.
passou, passou, passou, passou, passou, não falo mais com você, nunca mais.
então passou.

já fiz de tudo.
já fiz o máximo de mim.
já fui, já levei, já disse, já ouvi.
naquele dia sem céu, sem cores, eu me lembro bem.
de não ter dormido a noite inteira, de ter jogado pokémon a noite inteira, inteira, de ter ido pro sofá, de ter visto algum desenho, de ter segurado o choro, até minha mãe vir me segurar, de ter chorado segurando o braço dela, de ter dito, gritado enquanto chorava, que não sobrou nada de mim, de ter dito que eu sou a maior tonta do mundo, a mais burra, e eu sentia que só queria sumir, e sabia que tinha que ir assinar contrato de trabalho naquele mesmo dia, e fui com os olhos inchados, os mais inchados que eu já tive.
nunca tive outros olhos, tive?
eles sempre estiveram inchados de se desfazer por algum nada ou um coisa nenhuma.

chorar é me desfazer.
eu estou seguindo adiante, eu ainda sou eu.
eu era ou não era eu naqueles dias?
eu mereci tudo?
tudo me mereceu?
quem me merece?
ninguém?
por que tudo isso?
no ônibus, pensando
vai voltar a ser difícil agora
como era antes da primeira vez?
vai voltar a ser impossível, tímido e longe
como era antes da primeira vez?
quem vai me salvar agora?
quem eu afastei?
o que eu fiz?
o que eu sou?
o que eu não tenho mais dentro de mim, o que sangrou depois?

o que sobrou de mim, me diz?
pra quê tudo isso?
quem vai juntar meus cacos?
quem vai me colocar de volta em pé?
alguém vai fazer isso?
não?
quem?
por mim?
eu mesma vou?
queria que alguém fizesse, alguém viesse, alguém dissesse, alguém fosse, alguém soubesse
só queria isso, isso, é simples, é só isso
só queria que alguém me amasse de verdade
porque eu sozinha não sei mais se consigo
juntar meus cacos ou
levar tudo de volta
com uma pá e vassoura, juntar meus cacos
eu não sei se consigo
muito mais adiante
o que sobrou de mim
o que vai ser mais difícil
o que vai acontecer de mim
o que vão fazer de mim
como vão me dobrar num orgigami de algum tipo
numa cascata de sangue
cascata de cacos de vidro e sangue e nada e panos pretos

o que sobrou de mim eu vejo
eu sou eu mesma de novo
eu posso sentir tudo de novo por outra pessoa
não posso?
não posso?
não posso?
não posso?
mas o que eu senti, senti mesmo?
não senti nada
pensei que senti
acreditei que senti
quis sentir
então quis sentir e quis e quis e quis

não sei.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

coragem, meu amor

coragem porque eu sou eu mesma de novo

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

É VOLTAR

fidelidade a mim mesma, é isso. voltar a fazer o que eu fazia antes, ficar com quem eu quiser, como eu quiser, quando eu quiser. e agora que não sou mais virgem, posso dar também.

falei nos termos certos. eu não vou ficar parada lá atrás.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

aguentando bosta de você

mas ser fiel a o quê? ao seu quase pseudo semi falso relacionamento imaginário com alguém que obviamente não sente nada por você? a gente pode escolher não ficar com mais ninguém simplesmente porque não consegue largar o passado? pode? ou ficar com outra pessoa me libertaria? ou tenho que simplesmente dar tempo ao tempo e deixar seja lá o que tiver que rolar, rolar?

rolar ladeira abaixo e colidir com o muro de concreto mais duro que já existiu?
minha tia me perguntou onde está meu namorado. e eu respondi na maior naturalidade: dentro do pote de ouro no final do arco-íris. minha tia me perguntou se eu ia sair com algum menininho hoje. eu respondi: não. porque não tem menininho nenhum na minha vida.

é, eu só aguento bosta. essa é a minha vida. um livro aberto pra todos os garotos que quiserem passar na minha frente, dar uma folheada e cair fora depois. o fato é que não encontrei ninguém que encaixasse tão bem comigo, até mesmo no beijo. não sei o que foi que foi aquilo tudo. e não me atrevo a dizer que foi amor, porque parece que eu me machuco mais e mais e mais por causa do medo dele e ele parece tão cruel comigo às vezes, tão frio, que eu acho que ele deveria ser assim mesmo, mas eu não quero ser assim com ele, aí doi, doi, doi, doi.

mas descobri que sol, música, violão, coisas simples, um bronzeado bonitinho, amigos que te ouvem, bebida, risadas, piadas, brinquedos velhos que você reencontra, pokémon, abraços de mãe e gente que diz que gosta de mim curam em boa parte meu coração. <3