sou como aquela parte do livro, quantas baratas já me foram oferecidas? eu recusei todas por medo. tenho medo, medo até de olhar pela janela.
então acabou. nada muda. o céu através do arame farpado da minha horta. o céu é tão profundamente azul quanto o do fundo da sua alma. as mãos, as mãos, as adoradas mãos que eu observo e tomo como ponto. perdi meu ponto. costurei coisas dentro do meu coração. as mãos nunca vêm. as mãos são sempre dos outros. nunca são minhas. mãos que nunca me invadem. sangro até morrer. cometo suicídio. não tenho mais nada de poético, tenho só um bolo de entranhas na barriga, entranhas que se reviram e se prendem e me dão vontade de desidratar chorando, implorando para voltar, implorando para você vir, meu ausente, onde você se enfiou? quando você vier, vou estar com tanto ódio que vou morrer. estou morrendo, por isso estou cheia de dores ultimamente.
você não percebeu? é óbvio que estou morrendo, essa é a parte mais verdadeira de mim. e todos eles encontraram alguém, e eu vou ficando para trás, e até gostaria de apostar corrida, mas vou perder. sou uma perdedora. é assim que eu me sinto, é minha parte mais morta e verdadeira, é a parte minha que não enxerga, nem olha, nem faz nada. morta, morta. morta. quero você. quero e quero, e não quero. isso me faz rir, é patético.
não sou vítima de nada. se fiquei sozinha, foi porque eu quis. eu vejo isso claramente. não sou a pobre coitadinha idiota, sou uma filha da puta que só sabe reclamar. é culpa minha. não sou vítima. sou culpada. encontraram meu corpo num terreno baldio, mas fui eu mesma quem segurou a faca e deu os tiros e colheu o veneno. isso é suícidio. por isso é culpa minha, vou para o inferno quando morrer, e vou virgem.
foda-se tudo. te odeio e me odeio. vou morrer. tudo morre. todos morrem. tenho medo de não sei o quê. por medo perdi minha vida e puxei o gatilho. foda-se você por não ter sido o que eu queria. foda-se eu por ter permitido. foda-se e a vida segue em frente. a merda da vida segue, não posso fazer nada. vou chegar aos 30 e morrer. foda-se o mundo. vou ficar sozinha porque quero. porque quero. e você só pode olhar.
somos todos uns filhos da puta, gosmentos e porcos e mentirosos e sujos, e lindos. o mundo é tão grande, e a internet é outra porcaria que só dificulta as coisas, e que tudo se exploda. venham os aliens, venha a bomba atômica, o apocalipse de mim, o dilúvio de sangue. quero engravidar e parir mil filhos e morrer sangrando porque dei à luz demais. quero morrer de excesso de vida e de morte. quero você, quero ter seus filhos, todos eles. quero você, sua árvore genealógica. foda-se tudo.
foda-se. foda-se. coisa. fim. vida sem amor não é vida. me privei disso e é culpa minha. só me resta sofrer. morrer. ah, fim, fim, vem, fim.
quinta-feira, 26 de março de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
colosso
pleno, vivo, morno.
me senti como se tivesse algo hoje.
uma coisa.
eu sou minha própria coisa.
e sou plena, viva, morna.
sim, me senti plena.
senti como se tivesse algo, me olhei no espelho e falei.
sou minha.
sou minha própria coisa.
sinto muito a falta dele, mas gosto de coisas remendadas.
sinto, sim, gosto, admito, admiti, e eu já disse que gosto de admitir.
sou minha falta, sou um ponto, sou minha virada, sou.
mas sinto falta.
sinto falta daquilo de pensar, putz, eu não sou a única.
e agora ouço essa música.
essa música, dedico a ele.
eles.
dá para dedicar a ele, mas não se dedica uma coisa que não é sua, que não foi você quem fez.
não se dedica, não.
sou um pássaro, sou um vento, sou tudo.
sou o céu, o céu é meu, é o mesmo que o seu.
eu sou eu, eu sou seu.
eu sou minha.
minha falta.
penso, olho o céu, a vida diária me faz feliz, e infeliz.
mas de repente penso, saio da vida diária, penso nele, penso muito.
e penso que sou minha própria coisa.
pronto, uma coisa inesperada, uma coisa engraçada.
alguém que te responde boa tarde às nove horas da manhã.
e me sinto plena, feliz, e viva.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
não tenho mais nada a dizer, a não ser que o amei.
mesmo sem ele, eu o amei.
eu o amei.
eu o quis.
eu o aceitei.
mesmo sem ele.
eu sou eu.
eu me aceitei.
travesseiro, volta, travesseiro, me dá voltas.
querido remendado.
não tenho nada.
perco o fio todo da minha meada.
fio solto, que ninguém segue, fio roxo.
novelo que nunca acaba.
meu querido, eu o amei.
não o chamo de querido, ah, nunca chamarei, não, nunca.
nunca.
mas mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
nunca tive ele.
sempre estive mesmo sem ele.
então sem ele.
sem ele, sem ninguém.
só comigo.
estou comigo.
sou minha própria coisa.
e existo.
e respiro.
e sou eu.
e afeto, dedico,
dedico porque é meu,
dedico a alguém,
alguém que é meu,
dedico a mim meu afeto,
porque é meu,
e só se dedicam as coisas que são suas.
só se dedicam a alguém essas coisas que são suas.
meu afeto é meu.
dedico a mim.
é meu duplamente, meu duas vezes.
vou repetir, mesmo sem ele.
chega de duas vezes.
sou toda eu. plenamente eu.
afeto, eu.
afeto.
me senti como se tivesse algo hoje.
uma coisa.
eu sou minha própria coisa.
e sou plena, viva, morna.
sim, me senti plena.
senti como se tivesse algo, me olhei no espelho e falei.
sou minha.
sou minha própria coisa.
sinto muito a falta dele, mas gosto de coisas remendadas.
sinto, sim, gosto, admito, admiti, e eu já disse que gosto de admitir.
sou minha falta, sou um ponto, sou minha virada, sou.
mas sinto falta.
sinto falta daquilo de pensar, putz, eu não sou a única.
e agora ouço essa música.
essa música, dedico a ele.
eles.
dá para dedicar a ele, mas não se dedica uma coisa que não é sua, que não foi você quem fez.
não se dedica, não.
sou um pássaro, sou um vento, sou tudo.
sou o céu, o céu é meu, é o mesmo que o seu.
eu sou eu, eu sou seu.
eu sou minha.
minha falta.
penso, olho o céu, a vida diária me faz feliz, e infeliz.
mas de repente penso, saio da vida diária, penso nele, penso muito.
e penso que sou minha própria coisa.
pronto, uma coisa inesperada, uma coisa engraçada.
alguém que te responde boa tarde às nove horas da manhã.
e me sinto plena, feliz, e viva.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
não tenho mais nada a dizer, a não ser que o amei.
mesmo sem ele, eu o amei.
eu o amei.
eu o quis.
eu o aceitei.
mesmo sem ele.
eu sou eu.
eu me aceitei.
travesseiro, volta, travesseiro, me dá voltas.
querido remendado.
não tenho nada.
perco o fio todo da minha meada.
fio solto, que ninguém segue, fio roxo.
novelo que nunca acaba.
meu querido, eu o amei.
não o chamo de querido, ah, nunca chamarei, não, nunca.
nunca.
mas mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
mesmo sem ele.
nunca tive ele.
sempre estive mesmo sem ele.
então sem ele.
sem ele, sem ninguém.
só comigo.
estou comigo.
sou minha própria coisa.
e existo.
e respiro.
e sou eu.
e afeto, dedico,
dedico porque é meu,
dedico a alguém,
alguém que é meu,
dedico a mim meu afeto,
porque é meu,
e só se dedicam as coisas que são suas.
só se dedicam a alguém essas coisas que são suas.
meu afeto é meu.
dedico a mim.
é meu duplamente, meu duas vezes.
vou repetir, mesmo sem ele.
chega de duas vezes.
sou toda eu. plenamente eu.
afeto, eu.
afeto.
quinta-feira, 12 de março de 2009
identidade
não sei, mas acho que não quero mais. acho que só sei reclamar por estar sozinha, mas no fundo, não quero nada com ninguém. eu sinto que, se me relacionasse com alguém, se ficasse com alguém ou arrumasse um namorado ou coisa que fosse, não seria mais eu. e por deixar de ser eu, seria feliz? poderia recuperar nas entranhas de mim aquele aspecto que me fazia olhar para mim mesma e dizer que eu era eu? parece que eu complico demais as coisas e fujo demais, também. mas é como eu me sinto. não sei te explicar exatamente, mas é como eu me sinto, e talvez eu deva parar de reclamar e aceitar as coisas como estão agora. talvez eu queira ser criança para sempre. talvez a coisa pela qual eu mais esteja desejando nos últimos anos seja só uma fantasia, um carrossel, um algodão apetitoso na mão dos outros, aquele algodão-doce que você quer muito, mas quando prova, sente-se enjoado. o algodão-doce da perda da identidade. perder quem eu sou. às custas de quê? quero morrer sozinha. vou parar de mentir para mim mesma e dizer a verdade: quero ficar sozinha. tenho fugido dessa verdade, mas agora eu vejo. quaisquer relacionamentos iminentes me assustam, e eu prefiro meu cantinho cômodo e úmido, onde eu sou feliz. sou acomodada, sim, não sou aventureira, sou um gato caseiro que come e dorme o dia inteiro. só quero uma coisa da minha vida agora: estudar. o resto, desculpe pela falta de palavra melhor, que se foda. por favor, não quero nada. o que fazer agora que eu não quero mais? fugir. a palavra é fugir. vou fugir, como eu sempre faço, porque não quero, não quero, desesperadamente, mil vezes, NÃO QUERO perder quem eu sou. e não acho que sou a única a pensar assim no mundo. gosto de admitir.
você pode pensar que eu sou hipócrita, e que eu estou mentindo para mim mesma, eu, sinceramente, penso que isso vai passar, mas não quero que passe. não tinha reparado nisso, é meio novo para mim, admitir que aquela porta trancada dentro de mim quer continuar trancada. me conformei, pronto. vou ficar onde estou. não quero ninguém. mesmo que venha alguém, nunca é o suficiente para mim, e não quero fazer ninguém sofrer, acima de tudo, não quero me fazer sofrer. então acabou. dou adeus definitivo ao navio no porto, sou a esposa chorosa acenando com um lenço, sou a garrafa de vidro quebrada no casco, sou a fumaça que sai, sou as gaivotas piando, voando, pousando, sou as lajotas do cais, sou o marinheiro que perdeu o barco, sou tudo, menos o navio. não estou dentro do navio. queimei meu passaporte. vou ficar para sempre sentada aqui, parada aqui. porque não quero deixar de ser eu. porque não quero ter que passar por todas as etapas que precedem a felicidade, o que eu realmente quero, fazendo do que eu quero impossível. posso estar morrendo. meu coração é um pedaço de gelo polar. meu coração é uma redoma de vinte camadas de vidro com nada dentro. ou meu coração é um vazio. já imaginou um oco dentro do seu peito, imaginou mesmo? nada entre os seus pulmões, seu sangue se bombeando sozinho? deixei meu coração lá atrás, naquela rua da minha vida de sarjeta, dentro do bueiro, e meu peito secou e cicatrizou e hoje sou feliz sem coração. obrigada.
você pode pensar que eu sou hipócrita, e que eu estou mentindo para mim mesma, eu, sinceramente, penso que isso vai passar, mas não quero que passe. não tinha reparado nisso, é meio novo para mim, admitir que aquela porta trancada dentro de mim quer continuar trancada. me conformei, pronto. vou ficar onde estou. não quero ninguém. mesmo que venha alguém, nunca é o suficiente para mim, e não quero fazer ninguém sofrer, acima de tudo, não quero me fazer sofrer. então acabou. dou adeus definitivo ao navio no porto, sou a esposa chorosa acenando com um lenço, sou a garrafa de vidro quebrada no casco, sou a fumaça que sai, sou as gaivotas piando, voando, pousando, sou as lajotas do cais, sou o marinheiro que perdeu o barco, sou tudo, menos o navio. não estou dentro do navio. queimei meu passaporte. vou ficar para sempre sentada aqui, parada aqui. porque não quero deixar de ser eu. porque não quero ter que passar por todas as etapas que precedem a felicidade, o que eu realmente quero, fazendo do que eu quero impossível. posso estar morrendo. meu coração é um pedaço de gelo polar. meu coração é uma redoma de vinte camadas de vidro com nada dentro. ou meu coração é um vazio. já imaginou um oco dentro do seu peito, imaginou mesmo? nada entre os seus pulmões, seu sangue se bombeando sozinho? deixei meu coração lá atrás, naquela rua da minha vida de sarjeta, dentro do bueiro, e meu peito secou e cicatrizou e hoje sou feliz sem coração. obrigada.
quinta-feira, 5 de março de 2009
quarta-feira, 4 de março de 2009
dó
pontas de dó na voz, sorte sua, eu sorrio.
obrigada por se importar comigo, obrigada por tentar junto comigo.
sou a prova mais viva, a mais viva das vivas,
de que uma pessoa pode ser privada,
privada da vida,
do amor,
das noites,
os abraços,
de um coração transbordante.
obrigada por se importar comigo, obrigada por tentar junto comigo.
sou a prova mais viva, a mais viva das vivas,
de que uma pessoa pode ser privada,
privada da vida,
do amor,
das noites,
os abraços,
de um coração transbordante.
RECUSO
não sei, talvez ele esteja me estendendo a mão
talvez eu esteja desesperadamente estendendo a minha mão para o primeiro que passar
como um mendigo
e agora, esmola querida?
quem mandou estender a mão?
quem mandou segurar aquela mão e soltar logo em seguida?
com tantas ao redor dele, sozinha, eu, quem se importa?
ninguém quer esse coração de mendigo
aquela mão que você vê estendida na sua direção,
aquele olhar desorientado, bêbado, sujo
aquilo sou eu
sou eu, e te peço esmola
sou uma vergonha, sou um desastre
olhe para o outro lado,
é um mendigo
ele pode te atacar, ele fede
é um mendigo, é um mendigo
vergonha dele, vergonha por ele
some, mendigo
mendigo não-querido, mendigo inquerido
tombado em um canto, recusando esmolas, gorjetas, sem ninguém
sem dinheiro, sem amor
mendigo, some, mendigo
talvez eu esteja desesperadamente estendendo a minha mão para o primeiro que passar
como um mendigo
e agora, esmola querida?
quem mandou estender a mão?
quem mandou segurar aquela mão e soltar logo em seguida?
com tantas ao redor dele, sozinha, eu, quem se importa?
ninguém quer esse coração de mendigo
aquela mão que você vê estendida na sua direção,
aquele olhar desorientado, bêbado, sujo
aquilo sou eu
sou eu, e te peço esmola
sou uma vergonha, sou um desastre
olhe para o outro lado,
é um mendigo
ele pode te atacar, ele fede
é um mendigo, é um mendigo
vergonha dele, vergonha por ele
some, mendigo
mendigo não-querido, mendigo inquerido
tombado em um canto, recusando esmolas, gorjetas, sem ninguém
sem dinheiro, sem amor
mendigo, some, mendigo
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