segunda-feira, 31 de maio de 2010

happy or sad today?

ela cagou uma bosta enorme na minha cara.
literalmente.
literalmente?
não, não, haha.

suddenly the world is full of strangers.

domingo, 30 de maio de 2010

quantos dedos tem aqui?

escrito em alguma data desconhecida do começo do ano no meu caderno, quando pessoas do meu trabalho deduziram sobre a minha solidão e eu tinha vontades imensas de fumar.

penso demais.
quero uma caneta verde-água.
quero inspiração.
quero uma bomba de chocolate.
novas canções.
desenho pouco demais.
letra de forma é impessoal.
pingos nos is.
como ser mais romântica?
dor é incentivo para arte.
ironia é bom? ruim?
letra de forma é bom.
pontos finais, tudo tem que ter um ponto final.
falar bonito.
arranjar marido?
ir à alguma exposição de arte.
parar de pensar demais.
"há metafísica bastante em não pensar em nada."
encontrar você.
nariz grande.
ronco.
quero dinheiro sem precisar fazer dinheiro.
deve-se viver, apesar de.
vazio. o que é vazio?
troquei a cor por engano.
sem sentido e sem importância. as pessoas tem de ter importância.
seleção não-natural.
não quero casamento.
oleoso.
coisas a fazer. lavar a cabeça, carregar o celular. por quê fazer? por quem?
conversas pessoais.
se entregue.
não. melhor não.
"people are tricky, you can't afford to show anything risky, anything they don't know. the moment you try, will kiss it goodbye."
descobriram.
me incomodam.
sou virgem, não puta.
foi dedução?
alguém contou?
putona.
metralhadora.
boca-suja.
cigarrar, ser rebelde.
sou normalzinha demais.
por/que não posso fazer as coisas erradas que eu quero fazer?
terapia inútil.
silmara certinha, não parece psicóloga, parece amiga, conhecida. quero silmara psicóloga.
tenho medo das pessoas.
odeio algumas
adoro algumas
quero ir para casa.
não quero ser estranha.
odeio algumas pessoas, mas não quero me afastar delas, não realmente as odeio, só não concordo com elas, repudio seu jeito e sua mentalidade pseudo-ótima, se eu pudesse odiá-las e me afastar, já me afastei, mas não posso, senão, sou a anti-social, a fechada, a que não cumprimenta.
odeio o mundo e queria viver sozinha, longe de conveniências, normas da sociedade, sozinha, numa ilha, casa?
céu azul.
e tudo o mais.
escolho verde para dizer que releio minha criação.
será que "deus" repudia sua criação?

não existe verdade universal, nem teste grafológico para mim.

you love and then you die

talvez o amor não vá te deixar na mão, todos os seus fracassos são, na verdade, treinamento.
e assim que você se virar, vai se surpreender, porque a sua solidão persiste.

a minha não persistiu. não completamente. tem alguma coisa dentro de mim gritando, e eu sou complicada demais.
só.

mãos geladas, o dia inteiro

frio, frio profundo.
ninguém mais gosta de frio.
estou cansada, meus pés feridos, meus pés cansados, amados.
eu odeio estas pessoas:
"olha, aquela ali do outro lado da rua é a letícia?"
é, sim.
alguma coisa incompreensível.
que saudade da minha incapacidade de ouvir, dos meus fones de ouvido nessas horas.
as pessoas me machucam, me machucam muito, e eu nem sei o que elas disseram.
sei que não gosto delas.
elas não sabem sobre mim, ou sobre você.
cansei delas, odeio, odeio, odeio e odeio.
quero ir embora daqui, mãe, quero sumir, meu deus, quero sumir.
por que tenho que explicar para as pessoas?
por que tenho que explicar porque faço terapia, por qual motivo?
por que as pessoas pedem conselhos, quando não querem?
eu posso mesmo odiar essas pessoas do meu trabalho?
elas não me fizeram nada, mãe, ou fizeram?
mas eu as odeio.
eu as odeio com o mais profundo do meu coração.
e agora tenho dor de cabeça.
ódio dá dor de cabeça?
e todas aquelas coisas em que eu acredito, e tudo, tudo, tudo?
eu tenho muito medo, muito medo.
não quero ser uma mulher qualquer, uma mendiga de sentimentos.
mas sou?
sou?
não quero te chamar de querido, não quero me envolver, não quero.
mas posso?
o que eu quero, e o que eu posso, e o que eu sou?
quem vai me dizer essas coisas?
onde estão as respostas, as respostas do meu ódio, as respostas dos meus ciúmes, dos meus péssimos enormes estrondosos ciúmes?
sou humana, merda.
pelo amor de deus, eu sou humana.
sou só isso,
isso e um coração quebrado, cheio de remendos.
tantos remendos e tantas cicatrizes.
eu achei que nunca aconteceria.
eu achei, mesmo.
eu tive certeza.
não entendo mais nada, só entendo a minha felicidade.
só entendo meu coração remendado.
band-aids e curativos, e amor, e respostas que eu não tenho.

sábado, 29 de maio de 2010

regras de dor três

Também havia as poças. As poças d’água, depois da chuva, que sempre se acumulavam naquela rua, a caminho do trabalho. A água parada. Refletindo o céu de nuvens. Ele seguia as poças enquanto andava, pensando, imaginando “o céu está se movendo junto comigo, dentro da água.”

escrito em 16 de maio de 2009

chorando como lobos

árvores, e carros, e de novo e de novo
a vida não é nada disso, amiga minha
a vida é uma caixa, mas não de surpresas
uma caixa cheia de lápis coloridos

e o amor não é um dia de verão ou de primavera
o amor é mais como uma sementinha que brota, difícil, difícil de brotar
e amiga minha, não é preciso amar
não, não é preciso amar

a pedra mais profunda, aquela mais cheia de terra e musgo
parece que "mal me quer" não é sempre a última pétala
parece que a vida te preparou tudo, menos essa última pétala

ah, amiga minha, amiga minha.
você imaginou que seria assim?
você imaginou que veria cores vivas, cores de quinta avenida,
cores de manchete de jornais estampadas no seu coração?

amiga minha, quem diria.
quem diria que o amor não é necessário?
quem diria que você perceberia?

regras de dor dois

Ele vive negando suas esperanças, e tentando negar a negação de suas esperanças. Sempre nesse falso-negativo. E agora sabe que o dano já está feito. Estará ferido pelo resto de sua vida, estará gélido para sempre. E não saberá amar até o último dia de sua vida. Não poderá jamais amar completamente, para o resto de sua vida. É definitivo, é como a linha que grita FIM dentro de seu coração. É o fim. O fluxo de infelicidade não termina. Nada ajuda. Nada melhora. Os dias passam e nada melhora. Então ele espera, em estado de falso-negativo. Espera.

escrito em 16 de maio de 2009

regras de dor - série de textos com eu em masculino

Odiar sua vida é odiar a si mesmo. E tentar alcançar deus. Ele tentou pedir a deus noite passada, tentou pedir com cada pedacinho de seu ser. Antigamente, ele olhava para fora da janela, mesmo através das cortinas, e sentia como se seu coração estivesse aberto. Uma janelinha com portinhas azuis se abria, e ele exalava coisas lá para dentro e de lá de dentro. Mas agora... A janela simplesmente não estava mais lá. Seu coração está despedaçado. Não há mais portas, mais janelas. Só esse buraquinho de onde jorra sem parar um líquido preto, que exala um cheiro de rostos tristes. Um furo perfeitamente redondo, infiltrando, jorrando, sangrando, morrendo líquido preto. Esse furo está deixando vazar coisas importantes. Se você olhar direito para esse líquido, vai ver que pequenos pedaços gosmentos de amor estão escapando, como pedaços de revestimento de útero durante a menstruação. Estão saindo, porque é natural desses pedaços saírem e jorrarem com o resto de tudo.

escrito em 16 de maio de 2009

voltei

decidi retomar este blog.

as coisas que eu postei aqui são de uma época difícil, em que eu fiz coisas estranhas.
saibam que passei pela exata mesma situação que do ano passado, mas desta vez deu certo. deu certo, meus amores, deu certo, por deus, deu certo.

e eu tive o melhor primeiro beijo/amasso que eu jamais poderia ter imaginado.

vou começar retomando e postando as coisas que escrevi nesse tempo em que abandonei o blog, salvas com carinho no meu computador.