gemer durante o beijo é minha prova de deleite
durante o seu beijo é minha prova de deleite
gemer entre seus braços, gemer porque gemer vem de dentro
vem e sai, não segura, não prende
gemer é a prova de que eu sou só gemido
nos seus lábios
nos seus braços
meu coração geme
e sai, e sai, e sai, e sai, não segura
gemer é como eu saio, durante seu beijo, gemer é como eu me saio, é como eu adoro
sentir seus lábios... gemer
gemer não sai, gemer não machuca, gemer não doi
gemer treme, gemer me banha em querer, em leite, em cheiro...
gemer me faz querer, só mais, mais
gemer me leva para dentro disso, um aquário, um oceano, mil litros de você
me leva para fora das minhas pernas
me leva para dentro disso que arde, gemer arde
gemer é assim, não se segura, não se prende
gemer é só o que eu sou
quando gemo
durante você
durante seus braços
durante meus tempos sozinha
durante meus dedos em mim
gemer só sai, não segura
eu não prendo
que vontade de gemer, meu bem, meu querido,
gemer nos seus lábios
gemer com você
que vontade, que vontade, meu bem, oh, meu amor, meu bem, meu bem
lembrar você
ah, gemer... meu deus
sábado, 28 de agosto de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
é engraçado, muito.
É assim, então. Ninguém tira sua solidão de você. Não tem como. Grudada igual a um chiclete no seu coração, enquanto ele pulsa. Bum bum bum, chiclete.
É assim a solidão, é assim, então, só assim, só assim, simples assim, não sai quase de jeito nenhum.
Quero ser sua namorada quero ser sua namorada quero ser sua namorada
só significa
quero transar com você quero transar com você quero transar com você
e aí vêm os
olhares escandalizados! oh! oh! ooooh.
É assim a solidão, é assim, então, só assim, só assim, simples assim, não sai quase de jeito nenhum.
Quero ser sua namorada quero ser sua namorada quero ser sua namorada
só significa
quero transar com você quero transar com você quero transar com você
e aí vêm os
olhares escandalizados! oh! oh! ooooh.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
terra, suicídio, amanhecer, cigarro, quente em minhas mãos
Parar. Parar no meio do caminho, voltar.
Voltar para onde? Para quê voltar? Por quê? Por quem?
Se você queria tanto, por que não se jogou na frente daquele carro, ou daquele ônibus, naquela avenida, naquele farol?
Talvez um caminhão viesse, te atropelasse e ainda jogasse a caçamba cheia de terra em cima de você.
Ela tinha só 19 anos, poderia ter sido você, que pena, que pena.
Já teria até o túmulo encaminhado, pronto, esperando, caindo por cima, nada sobre nada.
Por que tudo isso, por quê? Eu não entendo porque cansei de entender.
Lágrimas e mais lágrimas contidas, eu paro e volto.
O banco sentado, o banco esperando, o banco é nada.
Eu sento, nada sobre nada, eu sozinha.
Não vejo as pessoas passando, eu estou parada.
Vi o sol se descobrir do prédio, onde os homens trabalhavam,
vi suas silhuetas no sol, não tapei os olhos, não desviei,
num mísero pedido de queime minhas retinas.
Não queimou.
O sol diminuiu, por trás das nuvens.
Um círculo branco no céu.
Os homens trabalhando, onde estou e quem sou eu.
As pessoas passando, onde estou e quem sou eu.
Meu coração doendo, onde estou e quem sou eu.
A vida não vale mais nada.
A vida não vale mais as piadas, não vale mais as risadas, não vale mais os rostos ou as roupas, não vale mais os horários, não vale mais as refeições.
A vida agora só vale cigarros.
Só vale seu corpo, só vale seu gozo.
A vida agora só vale você.
Só vale seus dedos dentro de mim, só vale seus lábios nos meus.
A vida agora só vale fazer tudo ao contrário.
Só vale o meu corpo tremendo por você.
Só vale levar o cigarro à boca, tragar, olhar para as pessoas, a senhora com seu olhar horrorizado,
e dizer,
SIM! estou vivendo, eu só valho isso.
Só um cigarro, por favor, me deixa viver, sentir prazer, gozar de cigarro.
Nunca escrevi nada mais cheio de palavras simples, nada mais cheio de sinceridade quanto a minha vontade de transar e fumar um cigarro.
Voltar para onde? Para quê voltar? Por quê? Por quem?
Se você queria tanto, por que não se jogou na frente daquele carro, ou daquele ônibus, naquela avenida, naquele farol?
Talvez um caminhão viesse, te atropelasse e ainda jogasse a caçamba cheia de terra em cima de você.
Ela tinha só 19 anos, poderia ter sido você, que pena, que pena.
Já teria até o túmulo encaminhado, pronto, esperando, caindo por cima, nada sobre nada.
Por que tudo isso, por quê? Eu não entendo porque cansei de entender.
Lágrimas e mais lágrimas contidas, eu paro e volto.
O banco sentado, o banco esperando, o banco é nada.
Eu sento, nada sobre nada, eu sozinha.
Não vejo as pessoas passando, eu estou parada.
Vi o sol se descobrir do prédio, onde os homens trabalhavam,
vi suas silhuetas no sol, não tapei os olhos, não desviei,
num mísero pedido de queime minhas retinas.
Não queimou.
O sol diminuiu, por trás das nuvens.
Um círculo branco no céu.
Os homens trabalhando, onde estou e quem sou eu.
As pessoas passando, onde estou e quem sou eu.
Meu coração doendo, onde estou e quem sou eu.
A vida não vale mais nada.
A vida não vale mais as piadas, não vale mais as risadas, não vale mais os rostos ou as roupas, não vale mais os horários, não vale mais as refeições.
A vida agora só vale cigarros.
Só vale seu corpo, só vale seu gozo.
A vida agora só vale você.
Só vale seus dedos dentro de mim, só vale seus lábios nos meus.
A vida agora só vale fazer tudo ao contrário.
Só vale o meu corpo tremendo por você.
Só vale levar o cigarro à boca, tragar, olhar para as pessoas, a senhora com seu olhar horrorizado,
e dizer,
SIM! estou vivendo, eu só valho isso.
Só um cigarro, por favor, me deixa viver, sentir prazer, gozar de cigarro.
Nunca escrevi nada mais cheio de palavras simples, nada mais cheio de sinceridade quanto a minha vontade de transar e fumar um cigarro.
domingo, 8 de agosto de 2010
carinhoso sofrido
Meu coração, não sei porque, bate em mim feliz, quando te vê.
E os meus olhos, injetados de sangue, dilacerados em hematomas, cansados de lágrimas, tentam ficar sorrindo,
e pelas ruas de lajotas escuras, sujas e pontudas, tropeçando e caindo, vão te seguindo...
mas mesmo assim, foges de mim, e não te culpo, pois fujo também.
Ah se tu soubesses como tento ser tão carinhosa e não consigo por causa das bandagens, e o muito, muito, tanto que te quero
e como é sincera a minha dor, eu sei que fugirias muito mais de mim.
Vem, vem, vem, vem, vem sentir o calor dos meus machucados à procura dos seus esparadrapos,
vem matar essa doença que me devora o coração
e só assim então serei feliz, bem curada, sairei do hospital, com meu peito aberto, meu coração nas suas mãos,
bem feliz.
E os meus olhos, injetados de sangue, dilacerados em hematomas, cansados de lágrimas, tentam ficar sorrindo,
e pelas ruas de lajotas escuras, sujas e pontudas, tropeçando e caindo, vão te seguindo...
mas mesmo assim, foges de mim, e não te culpo, pois fujo também.
Ah se tu soubesses como tento ser tão carinhosa e não consigo por causa das bandagens, e o muito, muito, tanto que te quero
e como é sincera a minha dor, eu sei que fugirias muito mais de mim.
Vem, vem, vem, vem, vem sentir o calor dos meus machucados à procura dos seus esparadrapos,
vem matar essa doença que me devora o coração
e só assim então serei feliz, bem curada, sairei do hospital, com meu peito aberto, meu coração nas suas mãos,
bem feliz.
marsh-lista
Não sei o que dizer aqui, quero dizer alguma coisa. Vou fazer uma lista de coisas que quero dizer.
1. que um dia vou poder dizer abertamente o que eu sinto, mas hoje não.
2. que estou com medo.
3. que aprendi que não preciso ter medo.
4. que quero sair.
5. que falo dormindo, que mostro dormindo que quero quebrar tudo.
6. que dentro de mim tem um oceano imenso, batendo de um lado para o outro.
7. que adoro quando ele mexe nas minhas coisas, me excito quando ele mexe nas minhas coisas.
8. que não posso dizer isso exatamente como quero.
9. quero dizer só que não sei o que quero dizer.
10. não tenho muito medo de cair no seu conceito, só um pouco.
11. não tenho muita certeza ainda de quem eu sou, mas gosto do que vejo que eu sou.
12. que não tenho saudades do meu passado, que acho que mudei muito, mas perguntei para as pessoas se eu tinha mudado, e elas disseram que não.
13. que tentei contar por quantos homens eu já me apaixonei, e descobri de novo que não sei se algum dia eu realmente me apaixonei.
14. que não sei o que é me apaixonar.
15. que tive sentimentos muito fortes, muito doídos, por alguém cujo nome começava com Y.
16. que acho que as pessoas podem achar isso muito estranho. nomes com Y SÃO estranhos.
17. que chorei por noites seguidas, por meses seguidos.
18. que realmente, certas feridas o tempo não cura, mesmo.
19. que a minha cama é uma espécie de casulo de madeira, com armários em cima, madeira para todo o lado, não sei explicar.
20. que eu usei minhas unhas para desenhar coisas na madeira, coisas como coraçõezinhos quebrados, coisas como um rabisco forte, forte, que eu apertava contra a minha unha, cravava, encravava minha unha do dedão naquele risco, chorando, chorando, apertando cada pele de mágoa em mim, de um lado para o outro, um corte fundo na madeira.
21. que esse risco ficou muito profundo mesmo, e que, se algum dia alguém comprar a minha cama ou levar embora daqui, leva junto uma porção de mágoas que eu revejo todos os dias, quando viro pro lado e me encosto na madeira, e acaricio aqueles desenhos, e lembro.
22. que essa pessoa, provavelmente, não vai querer levar embora a cama por causa dos rabiscos (são muitos)
23. que aquele risco profundo, mais tarde, depois que eu estava calma e não chorava mais, virou um cachorro, com orelhas bonitas em pé, um rabo enrolado, como um husky siberiano, como eu sempre quis. um bom cachorro, com cara de feliz.
24. que gosto de madeira, de cheiro de madeira.
25. que adoro quando olho para o céu, antes de entrar no trabalho, vejo aquele guindaste alto, alto, da obra do prédio que estão construindo ao lado, e sinto o vento gelado, e vejo as nuvens, e penso que talvez, talvez eu esteja realmente lá, esteja realmente viva, e que queria parar e sentir aquele vento, e que não quero ser vista como louca, mas acho que já sou.
26. que existe uma quantidade imensa de maldade no mundo.
27. que existe uma quantidade maravilhosa de pessoas como ele no mundo. difíceis de encontrar, mas estão lá.
28. que somos todos humanos. ser humano é fazer um monte de besteiras.
29. que eu fui salva.
30. que acenderam a luz para mim.
31. que há algo muito perigoso em se apaixonar, apesar de eu não saber dizer muito bem o que é se apaixonar, então não sei dizer muito bem o que é perigoso nisso, se é o risco de querer passar o resto dos seus dias com aquela pessoa e saber que aquela pessoa não quer passar o resto dos dias com você. vai ver é isso (mas eu nunca quis passar o resto dos meus dias com alguém. quero passar muitos dias, mas não o resto deles)
32. que não podemos nos apaixonar por alguém quando estamos nos relacionando sexualmente com essa pessoa. se apaixonar é querer passar o resto dos seus dias com alguém?
33. que se nos apegarmos, podemos nos dar mal e acabar com um coração (mais) fodido.
34. que as pessoas legais fazem sexo casual sem se apaixonar.
35. que eu não tenho mais nenhuma dúvida quanto à certitude do que eu faço. para mim é a coisa mais certa do mundo porque me ajuda a respirar.
36. que ultimamente tenho tido muita falta de ar dentro do ônibus, quando ele sacoleja e eu estou ouvindo música, não consigo respirar.
37. que isso não acontecia antes, e eu pensei que fosse normal.
38. que tem coisas que a gente pensa que é normal, que acontecem com a gente, mas quando a gente vê, não acontece com mais ninguém. então dizem, então, né, dizem que não é normal.
39. talvez eu morra dentro do ônibus.
40. que não tenho mais dado ouvidos àquela vozinha dentro de mim que me diz "as coisas vão acontecer" ou "as coisas não vão acontecer." eu mesma tenho dito que as coisas vão acontecer, e elas têm acontecido.
41. talvez seja patético ser otimista. eu nunca fui; só comecei a ser recentemente.
42. que não quero pensar muito. quando penso muito, penso besteiras, e gosto de mim mesma assim.
43. que quero começar a colocar marcadores aqui.
44. que esse blog é meio obsoleto, deixado de lado, porque às vezes eu acho que só escrevo merda.
45. que deveria desenhar mais.
46. que sou eu mesma, acima de tudo, não vou ouvir as mesmas músicas de você só porque às vezes paro e penso caramba, como eu gosto de você.
47. que não sei ser mal-agradecida, mas aí não sei ser um monte de coisas.
48. que não quero pensar no que o futuro está carregando, o futuro é um filho da puta, ele me persegue, vem por trás de mim mesmo dizendo que ele está na frente.
49. que quero pensar assim, agora estou feliz, agora tenho isto isto e aquilo nos meus braços, agora estou me sentindo mais independente do que nunca, agora é o que eu planejo fazer com você no futuro, e que farei, porque o futuro é o presente também.
50. não sei porque estou falando com alguém como se fosse "você." isso é patético e meloso. tudo o que é meloso é patético, tudo o que eu faço, como ter ciúmes ou comer sem fome, quando é sem sentido, é patético.
51. que tenho que tomar mais cuidado com as coisas que eu sinto (apesar de não querer tomar cuidado nenhum)
52. vou colocar marcadores.
53. que me excito muito com mãos. não sei de onde vem isso. adoro quando minha cabeça gira, quando penso em mãos. eu pensava que meu fetiche envolvia pernas, mas envolve mãos.
54. o que é fetiche?
55. o que tem de mais humano em mim? o coração? meu coração é um trocinho ali.
56. é, estou feliz
57. e feliz
58. e feliz
59. e feliz
60. e fiz uma lista com sessenta coisas que não fazem sentido. estou feliz.
1. que um dia vou poder dizer abertamente o que eu sinto, mas hoje não.
2. que estou com medo.
3. que aprendi que não preciso ter medo.
4. que quero sair.
5. que falo dormindo, que mostro dormindo que quero quebrar tudo.
6. que dentro de mim tem um oceano imenso, batendo de um lado para o outro.
7. que adoro quando ele mexe nas minhas coisas, me excito quando ele mexe nas minhas coisas.
8. que não posso dizer isso exatamente como quero.
9. quero dizer só que não sei o que quero dizer.
10. não tenho muito medo de cair no seu conceito, só um pouco.
11. não tenho muita certeza ainda de quem eu sou, mas gosto do que vejo que eu sou.
12. que não tenho saudades do meu passado, que acho que mudei muito, mas perguntei para as pessoas se eu tinha mudado, e elas disseram que não.
13. que tentei contar por quantos homens eu já me apaixonei, e descobri de novo que não sei se algum dia eu realmente me apaixonei.
14. que não sei o que é me apaixonar.
15. que tive sentimentos muito fortes, muito doídos, por alguém cujo nome começava com Y.
16. que acho que as pessoas podem achar isso muito estranho. nomes com Y SÃO estranhos.
17. que chorei por noites seguidas, por meses seguidos.
18. que realmente, certas feridas o tempo não cura, mesmo.
19. que a minha cama é uma espécie de casulo de madeira, com armários em cima, madeira para todo o lado, não sei explicar.
20. que eu usei minhas unhas para desenhar coisas na madeira, coisas como coraçõezinhos quebrados, coisas como um rabisco forte, forte, que eu apertava contra a minha unha, cravava, encravava minha unha do dedão naquele risco, chorando, chorando, apertando cada pele de mágoa em mim, de um lado para o outro, um corte fundo na madeira.
21. que esse risco ficou muito profundo mesmo, e que, se algum dia alguém comprar a minha cama ou levar embora daqui, leva junto uma porção de mágoas que eu revejo todos os dias, quando viro pro lado e me encosto na madeira, e acaricio aqueles desenhos, e lembro.
22. que essa pessoa, provavelmente, não vai querer levar embora a cama por causa dos rabiscos (são muitos)
23. que aquele risco profundo, mais tarde, depois que eu estava calma e não chorava mais, virou um cachorro, com orelhas bonitas em pé, um rabo enrolado, como um husky siberiano, como eu sempre quis. um bom cachorro, com cara de feliz.
24. que gosto de madeira, de cheiro de madeira.
25. que adoro quando olho para o céu, antes de entrar no trabalho, vejo aquele guindaste alto, alto, da obra do prédio que estão construindo ao lado, e sinto o vento gelado, e vejo as nuvens, e penso que talvez, talvez eu esteja realmente lá, esteja realmente viva, e que queria parar e sentir aquele vento, e que não quero ser vista como louca, mas acho que já sou.
26. que existe uma quantidade imensa de maldade no mundo.
27. que existe uma quantidade maravilhosa de pessoas como ele no mundo. difíceis de encontrar, mas estão lá.
28. que somos todos humanos. ser humano é fazer um monte de besteiras.
29. que eu fui salva.
30. que acenderam a luz para mim.
31. que há algo muito perigoso em se apaixonar, apesar de eu não saber dizer muito bem o que é se apaixonar, então não sei dizer muito bem o que é perigoso nisso, se é o risco de querer passar o resto dos seus dias com aquela pessoa e saber que aquela pessoa não quer passar o resto dos dias com você. vai ver é isso (mas eu nunca quis passar o resto dos meus dias com alguém. quero passar muitos dias, mas não o resto deles)
32. que não podemos nos apaixonar por alguém quando estamos nos relacionando sexualmente com essa pessoa. se apaixonar é querer passar o resto dos seus dias com alguém?
33. que se nos apegarmos, podemos nos dar mal e acabar com um coração (mais) fodido.
34. que as pessoas legais fazem sexo casual sem se apaixonar.
35. que eu não tenho mais nenhuma dúvida quanto à certitude do que eu faço. para mim é a coisa mais certa do mundo porque me ajuda a respirar.
36. que ultimamente tenho tido muita falta de ar dentro do ônibus, quando ele sacoleja e eu estou ouvindo música, não consigo respirar.
37. que isso não acontecia antes, e eu pensei que fosse normal.
38. que tem coisas que a gente pensa que é normal, que acontecem com a gente, mas quando a gente vê, não acontece com mais ninguém. então dizem, então, né, dizem que não é normal.
39. talvez eu morra dentro do ônibus.
40. que não tenho mais dado ouvidos àquela vozinha dentro de mim que me diz "as coisas vão acontecer" ou "as coisas não vão acontecer." eu mesma tenho dito que as coisas vão acontecer, e elas têm acontecido.
41. talvez seja patético ser otimista. eu nunca fui; só comecei a ser recentemente.
42. que não quero pensar muito. quando penso muito, penso besteiras, e gosto de mim mesma assim.
43. que quero começar a colocar marcadores aqui.
44. que esse blog é meio obsoleto, deixado de lado, porque às vezes eu acho que só escrevo merda.
45. que deveria desenhar mais.
46. que sou eu mesma, acima de tudo, não vou ouvir as mesmas músicas de você só porque às vezes paro e penso caramba, como eu gosto de você.
47. que não sei ser mal-agradecida, mas aí não sei ser um monte de coisas.
48. que não quero pensar no que o futuro está carregando, o futuro é um filho da puta, ele me persegue, vem por trás de mim mesmo dizendo que ele está na frente.
49. que quero pensar assim, agora estou feliz, agora tenho isto isto e aquilo nos meus braços, agora estou me sentindo mais independente do que nunca, agora é o que eu planejo fazer com você no futuro, e que farei, porque o futuro é o presente também.
50. não sei porque estou falando com alguém como se fosse "você." isso é patético e meloso. tudo o que é meloso é patético, tudo o que eu faço, como ter ciúmes ou comer sem fome, quando é sem sentido, é patético.
51. que tenho que tomar mais cuidado com as coisas que eu sinto (apesar de não querer tomar cuidado nenhum)
52. vou colocar marcadores.
53. que me excito muito com mãos. não sei de onde vem isso. adoro quando minha cabeça gira, quando penso em mãos. eu pensava que meu fetiche envolvia pernas, mas envolve mãos.
54. o que é fetiche?
55. o que tem de mais humano em mim? o coração? meu coração é um trocinho ali.
56. é, estou feliz
57. e feliz
58. e feliz
59. e feliz
60. e fiz uma lista com sessenta coisas que não fazem sentido. estou feliz.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
mr. sandman!
Pisei no hall, e ouvi aquela música. Eu coloquei de propósito. Você pode até dizer que eu gosto de sofrer, e eu talvez goste, mesmo. Não sei dizer essas coisas de mim. Mas, bem, pisei no hall, minha garganta doendo, eu sabia que deveria ter fechado a blusa dentro do cinema, porque fazia frio e meus dedos formigavam.
Mas então, abri a porta da escada, e não acendi a luz. Tudo escuro. Não sei se consegui ver os degraus, mas tive a impressão que sim, degraus impressos na minha memória. Quis subir no escuro para chorar em paz, mas só conseguia ouvir a música e sentir os músculos do meu rosto se contorcendo, meus olhos queimando, e as lágrimas que eu tanto me espremi para escorrer escorrendo. E se vier alguém, que patético a menina chorando na escada? Chorei, sim. Chorei por perceber que gostei muito de deixar minha infância para trás. Como chorar se estou feliz? Estou com vontade de chorar agora.
Acendi a luz. Segurei no corrimão de metal pintado de preto, frio, gelado. Deixei meu corpo para um lado, pisei para cima, para a frente, degrau por degrau, nem me percebi subindo, porque estava chorando.
Só subi, só subi. Queria subir até as nuvens, me jogar, me espatifar no chão. Que medo de você me odiar. Ouço essa música, e concordo, e concordo. Sua terapia é a que eu mais adoro. Mas só subi.
E quando vi, já tinha chegado. Sei dizer que é o sétimo andar não porque há um número que me diz 7, porque só tem um número no quinto andar, que diz 5. A porta do sexto é branca. A porta do sétimo é preta. A luz começou a piscar do sexto para o sétimo. Eu desejei que ela apagasse. Mas alguém, em algum outro andar, acendeu a luz.
E acendeu em todos os outros andares.
E acendeu a luz para mim.
Quando eu queria que ela apagasse.
Alguém, em algum andar, acima ou abaixo dessa terra para onde eu volto e revolto, acendeu a luz, apertou o botão, ouviu o clac, barulho tão gostoso, tão gostoso. E não apagou para mim.
Aprendi que isso é o que é, e é o que é, e é o que é.
Mas então, abri a porta da escada, e não acendi a luz. Tudo escuro. Não sei se consegui ver os degraus, mas tive a impressão que sim, degraus impressos na minha memória. Quis subir no escuro para chorar em paz, mas só conseguia ouvir a música e sentir os músculos do meu rosto se contorcendo, meus olhos queimando, e as lágrimas que eu tanto me espremi para escorrer escorrendo. E se vier alguém, que patético a menina chorando na escada? Chorei, sim. Chorei por perceber que gostei muito de deixar minha infância para trás. Como chorar se estou feliz? Estou com vontade de chorar agora.
Acendi a luz. Segurei no corrimão de metal pintado de preto, frio, gelado. Deixei meu corpo para um lado, pisei para cima, para a frente, degrau por degrau, nem me percebi subindo, porque estava chorando.
Só subi, só subi. Queria subir até as nuvens, me jogar, me espatifar no chão. Que medo de você me odiar. Ouço essa música, e concordo, e concordo. Sua terapia é a que eu mais adoro. Mas só subi.
E quando vi, já tinha chegado. Sei dizer que é o sétimo andar não porque há um número que me diz 7, porque só tem um número no quinto andar, que diz 5. A porta do sexto é branca. A porta do sétimo é preta. A luz começou a piscar do sexto para o sétimo. Eu desejei que ela apagasse. Mas alguém, em algum outro andar, acendeu a luz.
E acendeu em todos os outros andares.
E acendeu a luz para mim.
Quando eu queria que ela apagasse.
Alguém, em algum andar, acima ou abaixo dessa terra para onde eu volto e revolto, acendeu a luz, apertou o botão, ouviu o clac, barulho tão gostoso, tão gostoso. E não apagou para mim.
Aprendi que isso é o que é, e é o que é, e é o que é.
de sementinha de emoção
Pequenos jardineiros de mim, que me enchem, me preenchem. Em alguns dias, me jogam terra, em outros, me jogam água, em outros dias, me fertilizam. O que eu era, o que eu fui? Cresci, decresci? Virei as fases da lua ao contrário em mim? A árvore sabe que é árvore, quando já é árvore? Sabe que é semente, e a semente sabe que é intenção de árvore?
O que fui, que não tenha sido preparação dos meus pequenos jardineiros? Todo o mundo é meu jardineiro. Todos os meus jardineiros são assim, como você. São vozes lindas, são fortes, são emoções que não sei mais resgatar. Me fazem desesperar, me plantam, me adubam, me cheiram e dizem como é frondosa aquela árvore. Eu, broto que sou, olho e penso, e se algum dia eu for frondosa assim também? Sou terra, sou semente, sou solidão, sou um pedacinho de vida colocado num pedacinho interessante de mundo para crescer. O que faço agora? O que vejo atrás, o que vejo à frente? Minha seiva escorre, meu tronco lasca.
Estou chegando ao céu. Acima de mim, os pássaros. Tenho frutos, olha! E os pássaros... E o céu. Quero ser árvore para sempre. Não quero pensar no dia em que não serei mais árvore. Só olha, e fecha os olhos, porque a vida é agora, não amanhã, não ontem, não depois, é agora. E teu farfalhar me leva, me leva para longe, e você pergunta por quê? Porque quis ouvir, porque quis levar, porque quis ficar, porque quis te querer demais.
Vem, vamos combinar de céu e árvore. Da janela da casa dentro de mim, vejo o céu e vejo árvore. E tudo é branco, e eu sou árvore em casa, vou ser sua casa, seu móvel, seu corrimão, vou te ajudar a respirar, respirar fundo, te amar sem te saber.
Até o dia em que meu tronco estiver cinza, e minhas flores já escassas. Te guardo uma flor. Te guardo uma folha. Te guardo uma lasquinha de mim, para você estilhaçar, para você brincar, para você ver e rir e lembrar, que aquela árvore te ajudou a respirar, te amou sem te saber, e porque esse é só o jeito dela de amar.
O que fui, que não tenha sido preparação dos meus pequenos jardineiros? Todo o mundo é meu jardineiro. Todos os meus jardineiros são assim, como você. São vozes lindas, são fortes, são emoções que não sei mais resgatar. Me fazem desesperar, me plantam, me adubam, me cheiram e dizem como é frondosa aquela árvore. Eu, broto que sou, olho e penso, e se algum dia eu for frondosa assim também? Sou terra, sou semente, sou solidão, sou um pedacinho de vida colocado num pedacinho interessante de mundo para crescer. O que faço agora? O que vejo atrás, o que vejo à frente? Minha seiva escorre, meu tronco lasca.
Estou chegando ao céu. Acima de mim, os pássaros. Tenho frutos, olha! E os pássaros... E o céu. Quero ser árvore para sempre. Não quero pensar no dia em que não serei mais árvore. Só olha, e fecha os olhos, porque a vida é agora, não amanhã, não ontem, não depois, é agora. E teu farfalhar me leva, me leva para longe, e você pergunta por quê? Porque quis ouvir, porque quis levar, porque quis ficar, porque quis te querer demais.
Vem, vamos combinar de céu e árvore. Da janela da casa dentro de mim, vejo o céu e vejo árvore. E tudo é branco, e eu sou árvore em casa, vou ser sua casa, seu móvel, seu corrimão, vou te ajudar a respirar, respirar fundo, te amar sem te saber.
Até o dia em que meu tronco estiver cinza, e minhas flores já escassas. Te guardo uma flor. Te guardo uma folha. Te guardo uma lasquinha de mim, para você estilhaçar, para você brincar, para você ver e rir e lembrar, que aquela árvore te ajudou a respirar, te amou sem te saber, e porque esse é só o jeito dela de amar.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
não
Não estou parando, não parei. Sei que por você e pelos outros ainda hei de chorar, hei e hei de chorar.
chora, que chorar é uma bosta
você vê, perdido de mim? que você ainda me faz chorar? depois de um ano, e nem que passem mil, você ainda me faz chorar. e todo o tempo que eu joguei ali, todos os textos que escrevi pra tentar te ver no meu coração, tudo o que te fiz, eu fiz pra mim. eu te amo. mas que porcaria é essa? eu não sei mais ser verdadeira. você ainda me faz chorar. e isso tudo é tão patético. eu talvez goste de chorar por você, ainda. só pra ver se você consegue sentir uma pontada no seu coração.
A SUA PONTADA SOU EU CHORANDO, SOU EU CHORANDO, SOU EU CHORANDO.
e você que não se atreva a se esquecer dessa porcaria de pontada. eu te amo, eu só quero dizer que estou chorando. eu te amo não significa eu te amo e eu não estou realmente chorando. por dentro eu te amo significa eu amo alguém, alguma coisa que não sei se é você, se você é o meu te e eu sou o meu eu, e eu estou chorando significa estou chorando por dentro.
grita CHORA dentro de mim, me joga contra a parede, me pega para você. porque isso é tudo que eu tenho agora, meu amor, ah, meu amor, agora sim eu estou chorando... como ainda doi. me desculpa, meu codinome, me desculpa por chorar por um passado que passou. por que isso tem voltado tanto a tona ultimamente? quem sou eu para chorar por alguma coisa que nunca aconteceu? é tão quentinho. minhas lágrimas, mãe, são tão quentinhas. eu estou com muita dor.
chora, chora que essa merda, essa bosta, esse INFERNO de choro tem que sair, não pode ficar. não pode ficar aí dentro, eu te amo. não pode ficar aí dentro de você, minha querida, eu estou chorando porque digitei as palavras "meu amor" com um "ah" no meio. é dor demais. vou parar. estou parando, parei.
A SUA PONTADA SOU EU CHORANDO, SOU EU CHORANDO, SOU EU CHORANDO.
e você que não se atreva a se esquecer dessa porcaria de pontada. eu te amo, eu só quero dizer que estou chorando. eu te amo não significa eu te amo e eu não estou realmente chorando. por dentro eu te amo significa eu amo alguém, alguma coisa que não sei se é você, se você é o meu te e eu sou o meu eu, e eu estou chorando significa estou chorando por dentro.
grita CHORA dentro de mim, me joga contra a parede, me pega para você. porque isso é tudo que eu tenho agora, meu amor, ah, meu amor, agora sim eu estou chorando... como ainda doi. me desculpa, meu codinome, me desculpa por chorar por um passado que passou. por que isso tem voltado tanto a tona ultimamente? quem sou eu para chorar por alguma coisa que nunca aconteceu? é tão quentinho. minhas lágrimas, mãe, são tão quentinhas. eu estou com muita dor.
chora, chora que essa merda, essa bosta, esse INFERNO de choro tem que sair, não pode ficar. não pode ficar aí dentro, eu te amo. não pode ficar aí dentro de você, minha querida, eu estou chorando porque digitei as palavras "meu amor" com um "ah" no meio. é dor demais. vou parar. estou parando, parei.
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