quinta-feira, 26 de março de 2009

stitches

sou como aquela parte do livro, quantas baratas já me foram oferecidas? eu recusei todas por medo. tenho medo, medo até de olhar pela janela.

então acabou. nada muda. o céu através do arame farpado da minha horta. o céu é tão profundamente azul quanto o do fundo da sua alma. as mãos, as mãos, as adoradas mãos que eu observo e tomo como ponto. perdi meu ponto. costurei coisas dentro do meu coração. as mãos nunca vêm. as mãos são sempre dos outros. nunca são minhas. mãos que nunca me invadem. sangro até morrer. cometo suicídio. não tenho mais nada de poético, tenho só um bolo de entranhas na barriga, entranhas que se reviram e se prendem e me dão vontade de desidratar chorando, implorando para voltar, implorando para você vir, meu ausente, onde você se enfiou? quando você vier, vou estar com tanto ódio que vou morrer. estou morrendo, por isso estou cheia de dores ultimamente.

você não percebeu? é óbvio que estou morrendo, essa é a parte mais verdadeira de mim. e todos eles encontraram alguém, e eu vou ficando para trás, e até gostaria de apostar corrida, mas vou perder. sou uma perdedora. é assim que eu me sinto, é minha parte mais morta e verdadeira, é a parte minha que não enxerga, nem olha, nem faz nada. morta, morta. morta. quero você. quero e quero, e não quero. isso me faz rir, é patético.

não sou vítima de nada. se fiquei sozinha, foi porque eu quis. eu vejo isso claramente. não sou a pobre coitadinha idiota, sou uma filha da puta que só sabe reclamar. é culpa minha. não sou vítima. sou culpada. encontraram meu corpo num terreno baldio, mas fui eu mesma quem segurou a faca e deu os tiros e colheu o veneno. isso é suícidio. por isso é culpa minha, vou para o inferno quando morrer, e vou virgem.

foda-se tudo. te odeio e me odeio. vou morrer. tudo morre. todos morrem. tenho medo de não sei o quê. por medo perdi minha vida e puxei o gatilho. foda-se você por não ter sido o que eu queria. foda-se eu por ter permitido. foda-se e a vida segue em frente. a merda da vida segue, não posso fazer nada. vou chegar aos 30 e morrer. foda-se o mundo. vou ficar sozinha porque quero. porque quero. e você só pode olhar.

somos todos uns filhos da puta, gosmentos e porcos e mentirosos e sujos, e lindos. o mundo é tão grande, e a internet é outra porcaria que só dificulta as coisas, e que tudo se exploda. venham os aliens, venha a bomba atômica, o apocalipse de mim, o dilúvio de sangue. quero engravidar e parir mil filhos e morrer sangrando porque dei à luz demais. quero morrer de excesso de vida e de morte. quero você, quero ter seus filhos, todos eles. quero você, sua árvore genealógica. foda-se tudo.

foda-se. foda-se. coisa. fim. vida sem amor não é vida. me privei disso e é culpa minha. só me resta sofrer. morrer. ah, fim, fim, vem, fim.

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