frio, frio profundo.
ninguém mais gosta de frio.
estou cansada, meus pés feridos, meus pés cansados, amados.
eu odeio estas pessoas:
"olha, aquela ali do outro lado da rua é a letícia?"
é, sim.
alguma coisa incompreensível.
que saudade da minha incapacidade de ouvir, dos meus fones de ouvido nessas horas.
as pessoas me machucam, me machucam muito, e eu nem sei o que elas disseram.
sei que não gosto delas.
elas não sabem sobre mim, ou sobre você.
cansei delas, odeio, odeio, odeio e odeio.
quero ir embora daqui, mãe, quero sumir, meu deus, quero sumir.
por que tenho que explicar para as pessoas?
por que tenho que explicar porque faço terapia, por qual motivo?
por que as pessoas pedem conselhos, quando não querem?
eu posso mesmo odiar essas pessoas do meu trabalho?
elas não me fizeram nada, mãe, ou fizeram?
mas eu as odeio.
eu as odeio com o mais profundo do meu coração.
e agora tenho dor de cabeça.
ódio dá dor de cabeça?
e todas aquelas coisas em que eu acredito, e tudo, tudo, tudo?
eu tenho muito medo, muito medo.
não quero ser uma mulher qualquer, uma mendiga de sentimentos.
mas sou?
sou?
não quero te chamar de querido, não quero me envolver, não quero.
mas posso?
o que eu quero, e o que eu posso, e o que eu sou?
quem vai me dizer essas coisas?
onde estão as respostas, as respostas do meu ódio, as respostas dos meus ciúmes, dos meus péssimos enormes estrondosos ciúmes?
sou humana, merda.
pelo amor de deus, eu sou humana.
sou só isso,
isso e um coração quebrado, cheio de remendos.
tantos remendos e tantas cicatrizes.
eu achei que nunca aconteceria.
eu achei, mesmo.
eu tive certeza.
não entendo mais nada, só entendo a minha felicidade.
só entendo meu coração remendado.
band-aids e curativos, e amor, e respostas que eu não tenho.
domingo, 30 de maio de 2010
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