sexta-feira, 6 de agosto de 2010

mr. sandman!

Pisei no hall, e ouvi aquela música. Eu coloquei de propósito. Você pode até dizer que eu gosto de sofrer, e eu talvez goste, mesmo. Não sei dizer essas coisas de mim. Mas, bem, pisei no hall, minha garganta doendo, eu sabia que deveria ter fechado a blusa dentro do cinema, porque fazia frio e meus dedos formigavam.
Mas então, abri a porta da escada, e não acendi a luz. Tudo escuro. Não sei se consegui ver os degraus, mas tive a impressão que sim, degraus impressos na minha memória. Quis subir no escuro para chorar em paz, mas só conseguia ouvir a música e sentir os músculos do meu rosto se contorcendo, meus olhos queimando, e as lágrimas que eu tanto me espremi para escorrer escorrendo. E se vier alguém, que patético a menina chorando na escada? Chorei, sim. Chorei por perceber que gostei muito de deixar minha infância para trás. Como chorar se estou feliz? Estou com vontade de chorar agora.
Acendi a luz. Segurei no corrimão de metal pintado de preto, frio, gelado. Deixei meu corpo para um lado, pisei para cima, para a frente, degrau por degrau, nem me percebi subindo, porque estava chorando.
Só subi, só subi. Queria subir até as nuvens, me jogar, me espatifar no chão. Que medo de você me odiar. Ouço essa música, e concordo, e concordo. Sua terapia é a que eu mais adoro. Mas só subi.
E quando vi, já tinha chegado. Sei dizer que é o sétimo andar não porque há um número que me diz 7, porque só tem um número no quinto andar, que diz 5. A porta do sexto é branca. A porta do sétimo é preta. A luz começou a piscar do sexto para o sétimo. Eu desejei que ela apagasse. Mas alguém, em algum outro andar, acendeu a luz.

E acendeu em todos os outros andares.
E acendeu a luz para mim.
Quando eu queria que ela apagasse.
Alguém, em algum andar, acima ou abaixo dessa terra para onde eu volto e revolto, acendeu a luz, apertou o botão, ouviu o clac, barulho tão gostoso, tão gostoso. E não apagou para mim.
Aprendi que isso é o que é, e é o que é, e é o que é.

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