Parar. Parar no meio do caminho, voltar.
Voltar para onde? Para quê voltar? Por quê? Por quem?
Se você queria tanto, por que não se jogou na frente daquele carro, ou daquele ônibus, naquela avenida, naquele farol?
Talvez um caminhão viesse, te atropelasse e ainda jogasse a caçamba cheia de terra em cima de você.
Ela tinha só 19 anos, poderia ter sido você, que pena, que pena.
Já teria até o túmulo encaminhado, pronto, esperando, caindo por cima, nada sobre nada.
Por que tudo isso, por quê? Eu não entendo porque cansei de entender.
Lágrimas e mais lágrimas contidas, eu paro e volto.
O banco sentado, o banco esperando, o banco é nada.
Eu sento, nada sobre nada, eu sozinha.
Não vejo as pessoas passando, eu estou parada.
Vi o sol se descobrir do prédio, onde os homens trabalhavam,
vi suas silhuetas no sol, não tapei os olhos, não desviei,
num mísero pedido de queime minhas retinas.
Não queimou.
O sol diminuiu, por trás das nuvens.
Um círculo branco no céu.
Os homens trabalhando, onde estou e quem sou eu.
As pessoas passando, onde estou e quem sou eu.
Meu coração doendo, onde estou e quem sou eu.
A vida não vale mais nada.
A vida não vale mais as piadas, não vale mais as risadas, não vale mais os rostos ou as roupas, não vale mais os horários, não vale mais as refeições.
A vida agora só vale cigarros.
Só vale seu corpo, só vale seu gozo.
A vida agora só vale você.
Só vale seus dedos dentro de mim, só vale seus lábios nos meus.
A vida agora só vale fazer tudo ao contrário.
Só vale o meu corpo tremendo por você.
Só vale levar o cigarro à boca, tragar, olhar para as pessoas, a senhora com seu olhar horrorizado,
e dizer,
SIM! estou vivendo, eu só valho isso.
Só um cigarro, por favor, me deixa viver, sentir prazer, gozar de cigarro.
Nunca escrevi nada mais cheio de palavras simples, nada mais cheio de sinceridade quanto a minha vontade de transar e fumar um cigarro.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
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