chuva e nada é a mesma coisa
alguém do seu lado e você não sente nada
ninguém do seu lado, mas você sente tudo
abraços e lama
solidão é merda
estar sozinho é um buraco negro, um hábito
um medo de não conseguir mais ninguém
um medo de conseguir mais alguém
solidão é medo
pisoteando uvas, vinho, falhas, silhuetas
sons, enquadros, medo, sempre fugindo
não é nisso que eu sou boa?
não, eu nunca fujo
não, eu nunca fui embora
sim, eu sempre aceito
sim, eu sempre digo
sim pra essa porra toda
nada é nada é nada é nada é nada é nada
disso é podre, pé podre, pé podre
vida e nada, e dor, e olhos
tudo fecha sozinho
tudo fecha, nada abre
eu sempre abri mas tudo fecha
eu sempre aceito, eu sempre fácil
nada é fácil é bom é enorme
eu sou o quê dentro de você?
você o quê dentro de mim?
não ouvi, foi a chuva, a porra da chuva sempre
chuva solitária que não traz nada, você respira solidão
porque o ar pra respirar já foi, você transpira solidão
você exala solidão, cara de menina triste
calor porque calor é solidão
calor é solidão demais
calor é calor em excesso que não vai pra lugar nenhum
o que eu escrevo aqui é vergonhoso, sem sentido, produto de dor
produto de frustração sexual
produto de frustração das mais afetivas
não é nada, é só desabafo, é pura merda
merda saindo de mim porque tem que ir pra algum lugar
meu amigo, amigo, meu querido, desgraçado
amor acabou comigo
ele me estraçalhou
ele me estraçalhou
completamente, meu deus, ele me estraçalhou
ELE ME ESTRAÇALHOU MEU DEUS
não me deixa chorar, que eu cansei
meu deus não me deixa aqui
eu não aguento mais
eu aguento sim
eu consigo
mas ele me estraçalhou, sim
deus me chora pelo nariz
porque alguém me estraçalhou, enfiou a mão pela janela de mim
enfiou e segurou o que conseguiu segurar
e chacoalhou, dilatou, enfiou as unhas na carne, até o fundo, até abrir
arrancou todos os pedaços, dedilhou o sangue
jorrou todos os pedaços de mim pra fora
levou tudo pela janela, levou um braço
mordeu, dilacerou, riu
ele adorou
ele me quebrou
me uniu, me jogou
passou por cima de mim, me comprimiu, me matou
acabou comigo, me sugou, me beijou na ponta do nariz
segurou a minha mão, me abraçou, meu deus ele me beijou na ponta do nariz
eu quero tanto esquecer isso, tanto, tanto, que eu choro
eu não consigo lavar o beijo dele da ponta do meu nariz
faz isso parar de rolar, essas lágrimas pararem de sair
que eu paro de chorar
eu não quero mais lembrar
ele acabou comigo, o que vai ser de mim?
segurou meu olho até ele se romper
meu coração martelado, dilacerado, aberto todo, tudo
até tudo ser sangue e eu ser nada
nada a não ser nada
chuva, morte, dor, cansaço
tudo é nada meu deus
não me deixa mais chorar salgado assim, meu deus
sábado, 20 de novembro de 2010
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