quinta-feira, 11 de novembro de 2010

who puts you back together?

céu, cores.
cores de mim, modelos.
alguém me cumprimenta segurando meu rosto, tocando meus cabelos.
alguém me olha e descobrimos que temos amigos em comum.
passou, passou, passou, passou, passou, não falo mais com você, nunca mais.
então passou.

já fiz de tudo.
já fiz o máximo de mim.
já fui, já levei, já disse, já ouvi.
naquele dia sem céu, sem cores, eu me lembro bem.
de não ter dormido a noite inteira, de ter jogado pokémon a noite inteira, inteira, de ter ido pro sofá, de ter visto algum desenho, de ter segurado o choro, até minha mãe vir me segurar, de ter chorado segurando o braço dela, de ter dito, gritado enquanto chorava, que não sobrou nada de mim, de ter dito que eu sou a maior tonta do mundo, a mais burra, e eu sentia que só queria sumir, e sabia que tinha que ir assinar contrato de trabalho naquele mesmo dia, e fui com os olhos inchados, os mais inchados que eu já tive.
nunca tive outros olhos, tive?
eles sempre estiveram inchados de se desfazer por algum nada ou um coisa nenhuma.

chorar é me desfazer.
eu estou seguindo adiante, eu ainda sou eu.
eu era ou não era eu naqueles dias?
eu mereci tudo?
tudo me mereceu?
quem me merece?
ninguém?
por que tudo isso?
no ônibus, pensando
vai voltar a ser difícil agora
como era antes da primeira vez?
vai voltar a ser impossível, tímido e longe
como era antes da primeira vez?
quem vai me salvar agora?
quem eu afastei?
o que eu fiz?
o que eu sou?
o que eu não tenho mais dentro de mim, o que sangrou depois?

o que sobrou de mim, me diz?
pra quê tudo isso?
quem vai juntar meus cacos?
quem vai me colocar de volta em pé?
alguém vai fazer isso?
não?
quem?
por mim?
eu mesma vou?
queria que alguém fizesse, alguém viesse, alguém dissesse, alguém fosse, alguém soubesse
só queria isso, isso, é simples, é só isso
só queria que alguém me amasse de verdade
porque eu sozinha não sei mais se consigo
juntar meus cacos ou
levar tudo de volta
com uma pá e vassoura, juntar meus cacos
eu não sei se consigo
muito mais adiante
o que sobrou de mim
o que vai ser mais difícil
o que vai acontecer de mim
o que vão fazer de mim
como vão me dobrar num orgigami de algum tipo
numa cascata de sangue
cascata de cacos de vidro e sangue e nada e panos pretos

o que sobrou de mim eu vejo
eu sou eu mesma de novo
eu posso sentir tudo de novo por outra pessoa
não posso?
não posso?
não posso?
não posso?
mas o que eu senti, senti mesmo?
não senti nada
pensei que senti
acreditei que senti
quis sentir
então quis sentir e quis e quis e quis

não sei.

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