eu me lembro de ter me jogado nos braços dela.
e chorado e me agarrado nas roupas dela.
era de manhã e eu tinha segurado o choro a noite inteira.
grudada na frente de uma tela, segurando e desviando lágrimas que eu sabia,
eu sabia,
não poderia desviar mais quando amanhecesse.
e assim foi e eu me joguei no sofá.
fingi que tava tudo bem, vi um desenho, não, eu não queria mais chorar.
mas quem escolhe quem te quebra o coração?
você geralmente sabe, aliás, você SEMPRE sabe,
quando alguém vai quebrar o seu coração,
ou quando alguém não vai.
você sente, você cheira algo estranho,
você não consegue sentir nada.
eu pus as duas mãos ao redor do rosto dele.
estava escuro e estava claro.
eu entediada como nunca, decidi fazer alguma coisa diferente.
e pus as duas mãos no rosto dele, segurei.
nós dois tínhamos muito essa coisa dos olhos.
eu lembro dos olhos dele, me olhando meio de lado, de um jeito muito específico,
como se estivesse mesmo apaixonado.
segurei e olhei, e soltei,
e ele me disse que se estivesse mais bêbado, diria eu te amo.
é cedo, eu disse, porque eu não sentia nada.
não adianta mentir mais.
eu não sentia amor daquela forma.
mas queria tanto estar apaixonada que me apaixonei.
e quando ele disse, muito depois, que na verdade não sentia nada,
eu soube.
eu soube mas tentei do mesmo jeito.
ele soube e não quis tentar, talvez ele tenha tido medo.
e agora eu ainda tô parada aqui, amigo, ainda.
ele já tem outra, isso é óbvio, por isso eu me afastei.
foi por isso, pra não ter que aguentar ele com ela.
e eu aqui, parada.
queria que ele soubesse que eu não consegui ficar com mais ninguém até agora.
não sei, só não consegui.
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