Existem Sóis artificiais.
Você olha pela janela, então vê uma nuvem.
Então vê um Sol, mas olha, ele está se mexendo.
O Sol não se mexe, o Sol nunca se mexe.
Mas você pode fingir,
me deixa brincar com isso.
É um sol artificial, que dança entre as nuvens,
e qualquer dia desses,
ah,
qualquer dia desses,
ele vai colidir diretamente com você,
diretamente com a sua cabeça.
Existem também bons momentos.
Você passa um mês dedicando sentimentos, então eles vão embora.
Então você os deixa ir, mas quando percebe, não importa mais.
E você percebe que ninguém nunca esteve realmente lá.
Mas você pode fingir,
ah, e você certamente fingiu.
São sentimentos artificiais, ou talvez verdadeiros,
que passam,
vão,
e ainda bem,
passam.
E levam um pedaço sangrento da gente.
Existem também pequenas minhocas.
Você anda e então vê uma minhoca no vão entre duas lajotas do chão sujo da cidade.
Então você pára, você pára seu dia, você pára seu caminho.
A minhoca rasteja, e faz tanto tempo que você não vê uma minhoca.
Mas você de repente a ama,
e a observa, um doido que pára seu caminho para observar um serzinho.
É uma minhoca, uma metáfora do seu passado de menino,
e você sorri,
porque ama a minhoca,
a terra te chama de volta,
serzinho.
Pequeno lembrete de que o passado existe, e não existem fardos, existem gravames de imagens, e seguimos o caminho.
Existem pessoas, muitas pessoas.
Você achou muitas pessoas e pensou que, meu deus, elas eram todas iguais!
Então, elas são mesmo todas iguais.
Sua cabeça mergulhada num livro.
Não levanta mais a cabeça para as pessoas todas iguais.
Você sabe que ele não estará lá,
daí sua cabeça mergulhada num livro.
Seja como for,
as pessoas são todas iguais.
E seus dias seguem como formigas, um após o outro,
vamos viver,
vamos viver, pelo amor de deus,
viver pelo menos por um segundo,
nem que em seguida a Terra seja engolida por labaredas,
e a cena estranhamente engraçada de seres humanos correndo com seus braços para o alto,
gritando, flamejando,
idiotas!
Flamejamos todos os dias, e até mesmo gritamos por socorro,
é, todos os dias!
Todos os dias. Ninguém ouve.
Então queimem em silêncio, esse é o destino demarcador de deus,
deus que observa seres humanos gritando com seus braços para o alto todos os dias,
deus está rindo.
enquanto você está chorando, ah, com certeza, deus está rindo.
Já pensou nisso?
Serzinhos, reflexos de Sóis em janelas, amores que enlouquecem.
Vamos rir, reflexo de noite de amor que tive, vamos rir,
porque deus está rindo.
A gargalhada ecoa em cada manhã, em cada orvalho, em cada respiração das pessoas das nossas famílias,
em cada elo invisível, em cada joaninha, em cada pedaço de ar que é a nuvem.
Em cada radiação que é o Sol. Em cada página do meu livro.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
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