Abismo, abismo enorme.
A neve cobriu todo o solo, toda a planície, a casa, as roupas no varal, as luzes e as flores, tudo, de branco.
Até onde seus olhos forem, até onde se estenderem, você vê o céu se misturar com o chão.
Tudo é branco, tudo é sereno, tudo dorme, respira, e o vento escuta, o vento vem.
Você não sabe mais onde está pisando, ou sabe, meu bem?
Segura a minha mão. Olha.
Olha onde pisa, meu coração.
Um pouco de neve, um pouco de vento, um guarda-chuva na mão.
Chorou a noite inteira, meu amor?
Te levo para longe, te sinto respirar, te rodeio e te acaricio, te toco e te invado, meu doce, doce, doce branco.
Há anos te quero porque te amo, há anos te levo porque te amo. Mas sabe?
Fiz tudo branco, agora, e tudo é nuvem, tudo é céu, tudo é chão.
Me desola daqui. Meu amor me arrastou.
Meu amor é imenso, meu amor cobre todo o mundo, meu amor toca tantas outras ao mesmo tempo que a mim.
Me salva e me levanta, me sente cair, me sabe a hora certa, me vê no horizonte, e vem, vem, vem.
Há quanto, quanto, quanto, tanto, tanto que te amo. Mas sei.
E é assim que, quanto ele te levanta pela manhã,
quando te vê no espelho,
quando te sente viver,
quando te beija e te entra, te é o que é, te acalma e te sente os dedos quentes, te faz os dedos úmidos de nervoso,
te é um amante, te é um outro amante, te faz viver.
O vento não esquece jamais, jamais.
De profundo e de amor, de claro e de escuro, de doce e de amargo, de guarda-chuva na mão,
lembra de seu vento.
Lembra de sua neve.
E não esquece jamais, jamais.
terça-feira, 6 de julho de 2010
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