Dói. Isso dói mais que um furúnculo. Mais que sentir o cirurgião cortando sua axila, empurrando o pus para fora, sem anestesia porque nessa área não tem como dar anestesia. Mais que um corte numa folha de papel. Mais do que cair no meio da rua, dói mais do que a vergonha de cair no meio da rua e ralar suas mãos e seus joelhos. Mais que uma picada de formiga que interrompe seu amasso com alguém embaixo de uma árvore. Dói mais que faringite com antibiótico bravo. Mais que levar um soco na mão, mesmo de brincadeira, de algum amigo da escola. Dói mais que mandar uma carta de amor e receber um não como resposta. Mais que queimar seu braço no ferro enquanto passa roupa. Isso dói mais do que bater seu nariz na parede.
Por que o amor tem que doer mais que o ódio? Mas por que é muito mais fácil, muito, muito mais fácil amar que odiar? Vou tentar ser mais bondosa. Vou tentar amar todo mundo muito mais. Amor pode doer mais mas é mais fácil de sentir. Vou pelo caminho mais fácil porque acho que é o mais certo. O mais certo, o mais fácil, o mais gostoso, o mais doloroso.
Eu gaguejo, eu tropeço, eu tenho espasmos. Eu jogo qualquer coisa o dia inteiro pra tirar minha cabeça de qualquer coisa o dia inteiro. Tudo bem, eu não choro mais. Hoje está tudo bem. Eu tenho vontade de ir na Starbucks e ser feliz. Eu tenho vontade de ser feliz. Eu só quero ser feliz. É só o que eu queria. E eu teria sido tão boa. Teria sido tão amorosa. Vou ser muito mais amorosa. Não brigo com mais ninguém. Não sinto mais nada, porque senti tudo o que tinha pra sentir. Não levo mais nada embora de ninguém, só vou deixar que os outros levem embora algo de mim. Eu angustio, eu ouço músicas lindas. Eu ouço músicas tristes. E nada desvia minha cabeça de tudo que eu queria que minha cabeça se desviasse.
É como se eu tivesse levado uma bronca ou uma bofetada. Me sinto criança de novo, acuada num canto, levando uma bronca, uma bronca merecida... O gato escaldado, uma vez escaldado, vai ter sempre medo de colocar a patinha na água.
sábado, 16 de outubro de 2010
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