Certas coisas são impossíveis. Ondas no mar. Sentada na areia, ela se perguntava a respeito de tudo. A origem das coisas, a essência mais essencial das coisas. O porquê das coisas acontecerem. Toda vez que pensava nisso, chegava à conclusão de que certas coisas são impossíveis e não têm explicação. Os dias pareciam tão longos naquela época. Não poderia esperar mais nada de ninguém, não poderia mais esperar por ele, ou vê-lo todos os dias. Ele quem? Ela achava engraçado como confundia os nomes dos homens por quem já se apaixonara, dentro de sua cabeça. Chegava a usar três nomes até acertar o certo.
Observava novamente as ondas do mar. Tão naturais. Para ela nada era natural, nada parecia acontecer com suavidade. Ultimamente, ela tinha se conformado, e pensava que, se estava naquela situação já há tanto tempo, não havia mais necessidade de se preocupar, pois provavelmente merecia aquilo. Sim, provavelmente merecia. Ela pegou um punhado de areia, observou a textura e a cor, e lentamente deixou sua mão pender para o lado, deixando a areia escapar. Olhou ao redor. Areia até onde a vista alcança. Deixar escapar só aquele punhado não ia fazer nenhum mal. Haviam mais milhões e milhões de grãos, só naquela praia.
Mesmo assim, ela não acreditava que fosse encontrar nada ali. Somente a beleza do mar, que não era dela. Ela não é uma estranha, mas somente observa, de longe, desejando que a vida fosse boa com ela também, e lhe desse um pouco de felicidade. Não queria muito. Seu coração estava conformado em só observar. Se revoltava às vezes, mas ela não chorava mais. Aqueles dias longos em que ela estivera apaixonada tantas vezes, aqueles dias sempre lhe trouxeram lágrimas e sofrimento.
Ela tinha sua vida normal de volta, e apesar de continuar sozinha, não chorava mais. Ela se levantou. Andou até as escadas de madeira. Olhou para trás, seus pés descalços sentindo a areia suave. O mar era maravilhoso. Mas não era para ela. Conformou-se. Subiu as escadas e foi para casa. Era final de tarde.
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