Andando pela rua, sempre me pergunto para onde e o porque estou indo. Meu deus, que vontade de voltar para trás. Voltar para casa. Ando muito assim ultimamente. Quase paro. Ando devagar. Sozinha. Penso, vou voltar. Vejo meus pés e a calçada cinza, tudo cinza, e quero muito voltar. Olho para a frente e me sinto tragada pelos meus próprios pés, malditos traidores de mim. Meus olhos se enchem de lágrimas, eu me sinto explodir por dentro. Sinto que poderia sentar no chão e chorar, fazer escândalo, me jogar na frente de um carro. Lágrimas, então tudo o que eu vejo são lágrimas, e não ligo de não enxergar nada na minha frente, porque não quero ir pra frente, mesmo.
Tudo embaça e desfoca, só vejo luzes brilhantes. Não posso chorar. Sempre banco a idiota. Não gosto de segurar o choro, mas sempre seguro. Tudo me pega, tudo me transforma, a paisagem me bate e me machuca, me chuta, me enlouquece de dor, de dor, de lágrimas. Quero voltar para casa. Mas eu sei que se eu voltar, não saio mais. E morro. Quero morrer. E choro porque quero morrer, e porque quero voltar e não volto.
Quantas vezes já fiz isso? Quantas vezes cheguei na esquina e me senti fazer a curva de volta para dentro. Dentro da minha rua, dentro de um lugar que é meu, mas que não é o suficiente. Ninguém acha feio. Ninguém acha bonito. Ninguém diz nada. Eu quero voltar, e quase choro. Sujo tudo, sujo minha vida, não quero pensar assim, quero ir para a frente. Não desejei por isso, e desejei com todas as minhas fibras, com cada pedacinho meu.
Querer voltar para casa no meio do caminho representa muitas coisas para mim. Representa fracasso. Fracasso total, infelicidade. Vida morta. Murcha. Solta. Fim.
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