Vai voltar, o pássaro, depois de queimar o ninho. Ele queimou seu próprio ninho. Com um pio triste, como se de repente acordasse para a vida, o pássaro olhou ao seu redor. Registrou cada cor daquele fogo, e o ninho, e o ninho? Ele queimou seu próprio ninho. O pássaro se pergunta, terá sido intenção sua? Terá sido seu instinto animal? O pássaro não se sente mais animal. O pássaro, que é pássaro, quer meios de ser pássaro. Surge algo em seu peito de ave frágil. Seu coração bate forte. Medo, medo. O ninho está queimando. O ninho está queimando. O medo vem, mas o pássaro só olha simplesmente. Pânico não é para pássaros. E o calor do fogo dá prazer, é quente. Ainda assim, ele tem medo. Medo, porque queimou seu próprio ninho! O pássaro frágil, seu ninho frágil. Ele não quer o ninho de volta, mas não sabe porque queimou. Aquele ninho que ele construiu durante tantos meses, buscando alimentar uma família, alimentando uma esperança maravilhosa. Sabe, esperança de pássaro.
O pássaro olha. E agora, o que fazer? O pássaro não sabe. Sua almazinha está inquieta, mas ele não se move. O pássaro se resigna. Foi a morte de seu ninho. O fogo, é real? O medo do fogo, é real? Mas o que tem de mais nesse tal fogo? Pássaro e fogo. Combinariam. O fogo é natural, assim como ele, o pássaro. O fogo está se sentindo observado. Quem o ateou, o pássaro, agora observa. Pássaro, engula o fogo. O pássaro olha os reflexos de seu fogo. Coraçãozinho. Ambos esperam. Ambos chegam mais perto, desejo, desejo de conhecer um ao outro. Pássaro e fogo. O fogo, lambendo as penas do pássaro, o pássaro num júbilo de indecência sentindo prazer dentro do fogo. Se entregam, pássaro e fogo. Duas coisas naturais. O ninho já queimou. Não há mais nada para o pássaro, a não ser buscar o fogo. Não há mais nada para o fogo, exceto querer o pássaro.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
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