sábado, 28 de fevereiro de 2009

Só capturo momentos, e ninguém me interessa. As pessoas na rua são sempre iguais. Me encosto no banco. Adoro os bancos desses mini-ônibus, esses que ficam no cantinho, sozinhos, virados de frente para todos os outros. Fecho os olhos. Não quero mais ver pessoas desinteressantes, sempre as mesmas todos os dias. Quero saber como essas pessoas vivem. Como elas conseguem. Eu disse para ela ontem, isso é uma coisa que eu não entendo desde os meus catorze anos. Como as pessoas se conhecem? Como as coisas acontecem entre elas? Não entendo. Como um desconhecido se interessa por você e as coisas simplesmente acontecem? Não tem essa de simplesmente. Ultimamente tenho tentado reunir pensamentos de homens a respeito de mulheres em geral. Nunca tinha parado para pensar nisso, mas li que o que os homens sentem, em sentido romântico, é sempre mais forte do que o que as mulheres sentem. E que eles são "injustiçados", pois cabe a eles o passo inicial, cabe a eles o julgamento, e cabe às mulheres a decisão. A decisão é sempre da mulher, foi o que eu li. É verdade, de certa forma. Mas vi homens mais desiludidos com a vida, li o que eles disseram e fiquei extremamente impressionada, admito. O que eles falavam que sentiam, essa coisa de não conseguir encontrar ninguém e já ter perdido completamente as esperanças, uma revolta interna que podia ser lida perfeitamente nas entrelinhas, é exatamente o que eu sinto. Até mais forte. Me pergunto se eles se indignam mais por estarem sozinhos. Com certeza, sim. Alguns parecem odiar as mulheres. Dizem que hoje em dia elas só querem saber dos cafajestes, dos safados, dos "bombadões", e os supostos românticos (por que usei a palavra "supostos" aqui?) são taxados de coisas como "só grandes amigos", até mesmo homossexuais. Onde estão essas putas desses mulheres? Essas desgraçadas, que estragam tudo para nós? Quero matar todas elas. Rejeitar uma pessoa decente por uma que te faz sofrer e é mais atraente? Elas acabam com tudo. Por causa dessa maioria de mulheres filhas da puta (a revolta faz a gente falar palavrões), a minoria é vítima de preconceito, e nesse jogo de argumentação para ver qual sexo é o mais preconceituoso, sujo, criminoso, as mulheres sempre parecem perder (na argumentação. Em todos os pequenos debates que eu li, as mulheres perdiam os argumentos, e mais homens se juntavam ao grupo de homens, até que só sobrassem homens na conversa, como se as mulheres tivessem desistido). Mas na verdade, é a mesma coisa dos dois lados. A maioria das mulheres, pelo menos aqui no Brasil, é um bando de idiotas, nojentinhas, sujas, que dão para o primeiro que aparecer na esquina e só sabem dançar com a bunda de fora. A maioria dos homens, pelo menos pelo que eu vejo, é de safados, estranhos, extremamente burros, sem caráter, como as mulheres, a única diferença é que eles não engravidam, então quando a transa toda dá em merda, eles fogem e as mulheres largam as crianças com as avós para irem dançar no baile funk, e começa tudo de novo. Por isso que eu acho que nasci 1. na época errada 2. no país errado. Como é que alguém pode ser feliz e encontrar uma pessoa com quem tenha afinidades no meio dessa bosta toda? É como chapinhar na lama para encontrar um alfinete, mais sujo que um palheiro. Ainda mais quando você mora num bairro mais pobre, tem um emprego que é aquela coisa de "é um trabalho sujo, mas alguém tem de fazê-lo", as coisas ficam difíceis, eu te digo. Não é nenhum milagre eu não ter encontrado nenhum homem que fosse REALMENTE interessante. Não, não encontrei, e não tenho esperanças de encontrar. Li também o depoimento de uma quarentona dizendo que vê muitas pessoas jovens sem esperanças, apesar de terem a vida toda pela frente. Ela não sabe que, quando se é assim (jovem e já sem esperança), as pessoas fazem o favor de te repetir sempre a mesma coisa ("você tem a vida inteira pela frente", "calma que um dia uma pessoa vai chegar e vai mover o seu coração de certa maneira que blá blá blá") e essas coisas não fazem mais o mínimo sentido, e por mais que você tente, não consegue, e não consegue explicar. Acredito que existam pessoas como eu por aí, sim, mas onde elas estão se escondendo, não me pergunte. E se algum dia eu encontrar realmente alguém que seja o suficiente para mim, coisa que até agora eu não vi mesmo, não vai acontecer nada, porque eu me escondo, não olho e não faço nada. Mas, é basicamente isso, corações solitários talvez sejam feitos para ficarem sozinhos, porque têm uma missão maior a cumprir nesse mundo. Talvez as pessoas fiquem sozinhas porque simplesmente não vieram para cá para namorar, transar, ser feliz no amor e essas coisas. Um propósito maior. Me agarro nisso, gosto de acreditar que tenho um propósito maior. Eu espero. Não sou muito inteligente, não tenho convicções profundas, não tenho nada de especial, mas não quero ser como todo mundo. Não sou uma mulher como aquelas putas, não sou, e leio essas coisas por aí e fico pensando em como adoraria dar amor para um homem como aquele. Fazê-lo feliz, fazê-lo mudar de idéia. Quero amar, mas acho que estou sendo hipócrita. Quero ser amada. Não sinto que sou isso realmente, não me vejo tão egoísta assim, mas sei que essa é a natureza do ser humano: o egoísmo. Analisando as palavras "eu te amo". É uma frase egoísta ao extremo. EU te amo. EU. Tudo é EU, EU, EU. As pessoas por aí quando dizem eu te amo estão dizendo isso somente da parte delas. Não dizem eu te amo pensando que quando a pessoa ouvir, vai pensar "puta merda, eu sou amado". Dizem porque querem, porque acham bonito, porque acham que devem dizer. Egoístas do caramba.

Bom, são só algumas reflexões. Interessante escrever essas coisas. Penso bastante em coisas como essas.

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