quarta-feira, 8 de abril de 2009

seiva

ele vem de um plano distante. está sempre do outro lado. ele vem, e nós vamos nos conhecer, e vamos olhar um para o outro; e saberemos. saberemos que vai dar certo. eu saberei que vai ser diferente. ele vem, ele vem. vai segurar a minha mão e acariciar meus cabelos, dedilhando cada cacho, como eu sempre quis que alguém fizesse. vamos sentar lado a lado, sair juntos, andar de mãos dadas pelo parque. vou beijá-lo suavemente, vou fazer tudo devagar, vou amá-lo sem silêncio, não vou fugir e não vou chorar. sentir o rosto dele nas minhas mãos, sentir as mãos dele em mim. e depois, depois de tudo, nós vamos nos cansar de amor e vamos dizer tudo. ele vai sentar ao meu lado. sim, vai segurar a minha mão. vou segurar a dele. ele vem. ele vem. preciso acreditar que ele vem. estou vazia. preciso acreditar. porque sou a pessoa mais vazia do mundo. as lágrimas nunca secam, eu sempre tenho mais para derramar. preciso acreditar, meu amor, que você vem. mas não acredito. não acredito. não acredito. não acredito. não acredito. não tenho mais nada. estou vazia. quero chorar. estou vazia. não acredito. vida, volta para mim. onde foi que eu me perdi. onde você está. estou revoltada, estou sozinha, e onde você está? não acredito mais. ele vem. não, não, ele não vem. e eu sei disso. eu não acredito. dói muito. mas o que dói é um nada. como um vazio pode doer. o meu dói. o meu dói muito, o meu vazio dói, o meu vazio pesa e derrete como lava, e me corrói e desce de mim até o centro da Terra, e leva uma parte pesada de mim junto, e eu fico aqui, tentando alcançar lá, e dói muito, essa saudade, essa lava queimando, esse peso. ele não vem nunca, esse maldito, meu amado, meu querido, meu ausente. ele não vem e eu estou morrendo. estou me desfazendo, estou pegando fogo, estou queimando como pinga queima, me transformo no oxigênio, chego ao céu e depois caio de novo, pois me desfaço como lava. esperando por ele. ele, que nem me conhece, ou talvez conheça, eu não o conheço; ele nunca vem. e nunca saberemos. e nunca viveremos todos os meus sonhos. nunca. nada. ele não vem. não tenho palavras para descrever o grande fim que está aqui dentro. não encontro palavras. é um vazio pesado, é um fim esvaziado. é a minha morte. é a minha vida. é meu fardo. é minha mentira. é meu desejo enorme e carregado de amar, amar, amar. é minha saudade enorme. é o meu pensar todos os dias nele. meu martírio, minha tortura. ele não vem. ele não veio. ele nunca virá. acabou. meu fim. meu devaneio, meus dedos, meus olhos, meu cabelo, cada fio de mim, cada pedacinho se desfaz e se solta, e voa e volta e queima e morre. todos os dias. sem ele. ele não vem. estou esperando. vem. vem. vem. vem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário