sábado, 24 de janeiro de 2009

eu não sei flertar

é que eu sou criança. a palavra flertar me lembra flor, eu não sei flertar, eu só sei amar. ou sabia. vou tentar escrever aqui tudo o que eu tenho sentido ultimamente. a vida se manifestou e declarou pra mim a minha solidão. eu sonhei com um peso enorme, maciço, esmagando os meus pulmões. eu senti tudo esmagar, eu tentei segurar meu coração, mas era um peso enorme. uma coisa de ferro grande, e eu juro que senti, como se eu estivesse deitada na minha cama, antes de acordar, no escuro, eu e o ferro. foi uma manifestação, pronto, acabou, agora é certo, eu estou sozinha. é como se tudo acabasse, escrever isso é como ter um deja vu, minha cabeça idiota. eu não preciso mais de terapia, porque eu pensei que o problema fosse eu, mas quando eu tentei fazer tudo diferente, entende, deu tudo errado do mesmo jeito. eu fiquei imaginando se não existe um fantasma que me ama e não deixa mais ninguém se aproximar. porque não é culpa minha (e eu penso que isso sou eu negando a verdade a mim mesma, porque a culpa muito provavelmente é minha, sim) e a minha mania é não escutar o meu coração. eu faço tudo ao contrário, se imagino alguma coisa, faço de propósito porque nada que eu imagino acontece, se evito imaginar, é porque eu quero que aconteça. eu tenho medo dessas coisas, eu me confundo. e o mais engraçado é que eu pensei que fosse ficar depressiva, a velha fossa eterna de antigamente, mas não fico mais. de manhã eu choro, de tarde eu já sorrio. o que aconteceu comigo? eu tenho dezoito anos, ou mil e trezentos? eu me sinto tão velha às vezes, e tão nova ao mesmo tempo. eu sou uma boba. uma criançona. minhas amigas têm dó de mim. porque eu sou sozinha. é sempre engraçado ver os queixos caírem, os olhos se arregalarem quando eu conto as coisas. eu odeio as pessoas. principalmente quando elas têm dezesseis anos. eu me sinto tão velha, porque eu sou nova, e não sei flertar. meu tempo passou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário