terça-feira, 8 de junho de 2010

Para dentro da Terra

Hoje achei um texto escrito por mim logo após fugir de uma pessoa, fugir dos meus sentimentos. Me lembro de ter chorado e sentido a tal corrente me arrastando para o fundo da Terra. É realmente impressionante que a solidão total e completa possa fazer isso com uma pessoa. Desculpem pelos erros gramaticais, esse texto foi escrito rápido e sem caps lock ligado, eu editei depois.



Porque há muito mais na vida do que o amor. Há muito mais na vida do que a religião. Há muito mais na vida do que a felicidade, há muito mais na vida do que nossos brilhantes princípios. há muito mais para se viver na vida. É difícil viver. Sacrificamos tudo pelo amor mas no último momento, damos razão à nossa razão, e não fugimos, e não sacrificamos. Simplesmente voltamos, e então um dia pensamos em tudo o que poderia ter acontecido, e sentimos um vazio nos arrastar para o centro da Terra, para o centro de tudo, lava vermelha flamejante, lama suja, terra, metais. A saudade. É essa corrente, forjada vermelha escaldante no centro da Terra, depois metálica, nos unindo àquela parte que sempre sacrificamos, mesmo quando nossa intenção era na verdade sacrificar tudo menos essa parte. Então paramos e pensamos que realmente fizemos a coisa certa. Matamos o amor. Sim, matamos a sangue frio, e depois do crime, paramos e olhamos para trás, primeiro com saudade, depois com orgulho, depois com aquele senso de "sou importante, me sacrifiquei, sobrevivi, e fiz a coisa certa (apesar de ser infeliz.)" As coisas quentes que escorrem para dentro de nossas bocas, e nossas idades, e as idades dos nossos corpos. Os desejos e as coisas que acontecem, e toda a vontade que você tem dentro de si quando tem só dezoito anos, mas esses dezoito parecem ser um fardo, porque você nunca teve ninguém. E você não sabe dizer se quem te cobra isso é você mesmo ou os outros. Os olhares dos outros te dizem que fugiriam se soubessem, e você pensa que o melhor que pôde fazer foi despertar desejo sexual na pessoa por quem estava apaixonado. A vontade, ah, a vontade de ser amado, e de amar. Nos leva a apressar as coisas, a estragar amizades. Não há conexão, não há corrente ou ligação que não sucumba ao amor. Sucumbimos porque amamos e temos o desejo desesperado, desesperado e desesperado, de dizer àquela pessoa o que sentimos, e o desejo de ser amado depois de tanto tempo vem e te possui, e você estraga tudo. Você não vê as verdades, as obscuras e tristes verdades que te levam a tudo, e que te levam a fazer isso, porque você simplesmente faz, e acha que tudo bem se estragar tudo, oh, tudo bem, tudo ótimo, porque pelo menos você disse o que sentia, pelo menos você foi corajoso. Ser corajoso nunca levou ninguém a ser realmente feliz. Coragem não traz felicidade. O que traz felicidade é você não querer ser corajoso, é você querer simplesmente ser, lentamente ser, ou amar mesmo sem ser amado. É você entender que esse sentimento é seu, e se ele te faz feliz, guarde-o para você. Deixe que as coisas aconteçam, pelo amor de deus não queira fazer tudo acontecer. Você é você, seu papel nisto é ser você, não é se mascarar ou tentar se tornar a mesma pessoa que a outra pessoa, numa tentativa triste e patética de ser amado. O amor não tem vez neste mundo. Somente nas nossas imaginações. Então, se você não for feliz, pelo menos é para isso que a imaginação serve. Porque ninguém é feliz, então os livros, filmes, os frutos da nossa imaginação, são felizes. O pensamento é o dobro do pensamento, é o desdobro do que queremos, e por pensar demais nos sufocamos, e então queremos. Cavalgar um cavalo sem pernas ou estar um barco sem casco, é afundar na lama ou no mar por acaso. Você complica demais as coisas, por pensar que elas são simples, você tenta fazê-las simples, e acaba complicando. Então você não sabe mais o que é simples e o que é complicado, só sente e sabe o que sente, e localiza e diz "é isso". E tudo começa a se estragar a partir daí. Se você guarda os sentimentos, faz nascer um tumor, e se você os põe para fora, estraga tudo. Você não poderia ter visto naquele momento que estava estragando tudo. E sempre seguiu os conselhos das pessoas erradas. E o mundo à sua volta gira, e por simplesmente visualizar palavras, sente-se cansado e vazio, e pronto para desistir de tudo. Seu amor próprio te desvia do maldito suicídio, das noites passadas chorando no escuro, em esperanças de dias melhores. Os dias melhores chegaram, e passaram, e chegaram e passaram, mas nunca se foi, nunca se é, feliz completamente. Não existe felicidade completa. Uma parte da sua vida está faltando, essa mísera parte acaba com sua alma e a destrói em pedaços e faz você se perguntar a cada minuto onde foi que errou, como acabou onde está. Você não sabe explicar, e passa assim a vida, martelando seus dedos em matéria preta, martelando, martelando, errando, irritando, escorrendo, adoentando. Você quer morrer, no fundo quer morrer, se houvesse algum triste episódio na sua vida, como um acidente ou uma doença fatal, você não se importaria em se entregar, seria um suicida, e iria direto para o inferno, queimar ao lado de todos os outros malditos suicidas cheios de sentimentos envazados. Por que esse sentimento de que nada vai ser o suficiente? Mesmo se aquela pessoa aparecer, ela não será o suficiente, e seu coração vai estar sempre assim, pesado, e seus olhos cheios de lágrimas, e seu cérebro cheio de pensamentos? Uma vez que se é assim, e a vida faz de você isso, uma pessoa sozinha por tanto tempo, tão cobrada, infeliz, quebrada, solitária, nojenta, triste, largada, assassinada, irritada, assassinada, dolorida, você não volta nunca a ser aquele ser imaculado e genuinamente feliz que foi antes de conhecer, antes de te contarem o que é este sentimento, essa praga, essa dor que te corrói lentamente, te faz ter miragens e se sentir tão vazio quanto o mais vazio dos vazios, no meio do vazio, que nem no universo fica, é um vazio que não existe, pois mesmo flutuando no meio do nada, você não está no vazio, nada no nosso universo é vazio, tão vazio como o fundo do seu coração. É um branco, um nada, um preto, uma coisa que você não consegue tocar, nem cheirar nem ver, é um buraco sem fundo, um poço seco, é um corpo morto, é um terreno baldio, uma terra infértil, um deserto árido, mas mais vazio que isso, pois não há desertos ou terras ou corpos ou poços no vazio, simplesmente não há nada, nada, e você teme que isso nunca vai passar, mesmo quando você preencher esse vazio. Mesmo que você preencha todo o vazio, ele não vai deixar de ser um vazio. E o amor não vai ser nada daquilo que você pensa, é exatamente isso que você se recusa a acreditar que o amor é, porque uma parte da sua alma se recusa, por um motivo que você não entende. Quisera ter um coração duro, gélido, sem vazio, pois os corações que não tem vazios amam livremente, conseguem amar pois não há nada neles para preencher, então eles simplesmente amam, sem esperar que aquele vazio se preencha. Você sabe que é jovem e que tem muita vida pela frente, mas conhece pessoas que passaram a vida inteira sem amar realmente. Esse é seu maior medo. É seu maior medo. Afirme, sem ponto de interrogação, é o seu maior medo. Terminar vazio. Chegar ao final da vida dizendo "não vivi". Mas o que é não viver? Você acha que é muito jovem para entender. E vai rir de todo o seu drama - será? Será? Você continuará cometendo os mesmos erros, erros de condição humana, e espera morrer jovem, mas sabe que não vai. Essa vida vai fazer de você um ser penado, um ser sofrido, vai te bater e arrancar sua pele, pouco a pouco. E vai levar uma vida inteira para isso. Sim, você vai sofrer a maior parte de sua vida, e sente que está no fim dela quando está no começo.

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