Minha cabeça: uma confusão tremenda. "Não vou ter tempo para nada, hoje, e isso me sufoca".
Bichos sem pernas correm para todos os lados. Um funcionário de um escritório corre de um lado para o outro, vestido de bailarina. Aquele idiota não entendeu o que é o "surreal".
Faço o meu melhor, é o meu melhor, sempre, não posso colocar meu coração. Não posso colocar meu coração em tudo, assim, dessa forma, porque é assim que ele se destroça. Meu coração está, sem dúvida, em tudo o que eu faço, em tudo o que eu toco, em tudo o que eu escrevo, eu tudo o que eu digo. Não tenho como negar meu coração, fluindo pelos meus gestos. Não posso ser culpada por isso. Meu coração deveria ficar guardado dentro de mim, mas não está. Ele se intromete, entra por cada trabalho meu. E escrevo isso aqui só porque quero que os outros saibam o que eu estou passando, quando na verdade ninguém lê essa porcaria toda. Meu coração está em profusão, está escorrendo, estou chorando. Mas que saco, que revolta, que indignação. Não me entendo, não me entendo. Só sei as coisas que eu quero, e que posso lutar por elas. E não me sinto bem, me sinto mal, mal, mal. Quero chutar tudo, acabar com tudo, ser quem eu sou. E ser quem eu sou é o último passo, a última etapa, o último grito, a última linha de criatividade dentro de mim. Uma teia enorme sai de dentro do meu peito, tecida por mim mesma, e leva para longe, longe. Estou presa, estou solta. E meu deus, quero voltar pro trabalho. Odiei férias, odiei espaço ocioso, odiei tempo de sobra, e tempo para nada. Quero minha ocupação de volta. Quero outro emprego.
Na verdade, sou uma filha da puta que só sabe chorar. Eu me odeio agora, aqui, agora, eu me odeio. Mas que revolta, que coisa crescendo dentro de mim que me impede de ser feliz. Mas não é isso, querida, eu estou feliz, não é que eu não esteja feliz, eu estou feliz, mas não me sinto bem porque estou frustrada, porque a vida não é um mar de rosas, e sei que vou aprender com tudo isso, mas sou novae burra e justifico meus erros por ser nova e burra e burra e burra e burra e lerda e tudo isso junto, tudo isso junto me leva a ser triste, sou triste ou estou triste?
Onde estão as respostas, meu deus? Deus está rindo, deus está gargalhando, deus está me percorrendo por dentro. E eu não sei mais o que eu sou, massa de carne disforme frustrada, jogada no chão. Isso é forte demais para mim, que escrevo e leio. Ninguém vai ler isso aqui. Queria que alguém lesse. Mas queria que ninguém visse nada. Não sei escrever direito. Estou puta da vida, estou frustrada, e já são duas horas. Meu dia está passando, escorrendo. Amo o dia, odeio o dia, odeio tudo, odeio tudo, estou brava, só me sinto mal. Despolpe-me novamente. Onde estou eu? E você? Quem é você, terceiro? Meu ausente? Quem sou eu? Não sei de mais nada.
Sumo.
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