É noite e é madrugada.
As janelas batem com um barulho doce, insurdecedor, um barulho de medo, que te remete à sua infância.
A madrugada é fria, será que você ainda sente medo?
Aquele medo de janelas batendo, de vento e de chuva, de assobios e tempestades e gritos e uivos?
Medos de criança, medos de seu pai, medos de um casamento que se desfaz,
mas que nunca esteve feito, desde o último começo.
É um medo frio, é uma madrugada enorme.
Como dizer a todos os pássaros,
e a todos os gatos e cães,
e a todas as ruas e a todas as pessoas que você ama que estão lá fora,
que seu medo enorme, medo gigante, seu pai se foi, seu pai está longe?
Bate de janelas, bate de asas, bate do seu coração, gritando, dizendo, gemendo, querendo,
querendo transbordar.
Sair por essas janelas batentes, escorrer nas paredes como chuva de azul, azul como chuva parece, mas não é.
Transbordo levado pelo vento, que carrega seus cabelos, delícia, delícia de vento, infinito, me viaja até o meio do nada do oceano.
Vem, carrega meus medos, carrega meus ventos que são o próprio vento, que são amor suave, amor grosso, amor de mel.
E escorre pelos meus dedos, escorre pelas minhas paredes, azul como chuva, branco como céu, branco como negro de nuvens, como vento e água e janelas ao contrário.
sábado, 5 de junho de 2010
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