sexta-feira, 25 de junho de 2010
porque em inglês é melhor
Não sei o que dizer aqui, só sei que quero dizer alguma coisa. A casa está silenciosa, a rua está silenciosa, exceto pelos meus sons, pelo tlic tlac do teclado, pela música revoltada que eu estou ouvindo agora. Agora são 1:35. Só quero dizer alguma coisa, mas não sei o quê. Meu método é simplesmente escrever. Não sei realmente o que dizer sobre mim. Parece que eu estou cheia até a borda, e cansada de dizer que estou cheia até a borda. Dormi a tarde inteira. O que fazer de mim? Eu não sei. Eu estou cansada, estou com sono. São 1:36 agora. O tempo passa devagar demais. E devagar às vezes é rápido. Meus sentimentos, o que é isso. São 1:36 ainda. O tempo não passa, eu insisto, e observo o relógio. São 1:37 agora. Os minutos passam, se tornam horas, se tornam dias, se tornam meses, se tornam uma coisa enorme chamada vida, mas eu estou aqui ainda. Não passou tempo nenhum. Não sei medir esse tempo. Adoro essa música. Ela tem três minutos e quarenta e quatro segundos, e eu vou ouvir esse tempo de música, e o tempo vai passar, e eu não vou perceber. Mas se eu parar a música e olhar para o relógio, o tempo não passa. Eu preciso de natureza. Estou precisando de natureza. Quero tantas coisas. Me sinto quebrada por dentro, como se alguém tivesse me dado uma paulada, como se eu fosse um cachorrinho acuado, ferido, vermelho, num canto, que tomou uma paulada, mas esse cachorrinho tem consciência de que mereceu a paulada. E quer essa paulada novamente, deseja a paulada de volta, mas sente que fez alguma coisa grave, e a paulada está prestes a ir embora. O cachorrinho sempre sente que está sendo deixado para trás. Todo mundo algum dia vai abandoná-lo. Todos vão embora. Ninguém vai ficar com ele. Ele vai ficar sozinho, sozinho, e que medo enorme de todo mundo ir embora. Cachorro carente, cachorro que ama fácil, que desama fácil. Cachorro. Eu sou muito mais um cachorro do que eu. Assim, me represento agora, como me sinto nesse momento. Eu sinto que fiz alguma coisa gravíssima, alguma coisa irreversível, que disse algo que não deveria, como se alguém tivesse aberto uma válvula em mim hoje. Hoje falei e não falei nada. Hoje não falei nada e falei alguma coisa. Estou com vontade de chorar, e com vontade de bocejar. Olha, já são 1:42. Estou me sentindo melhor. Estou melhor. Já é outra música, mal prestei atenção naquela que eu disse que adoro. Não sei se sei fechar minhas feridas sozinha. Vou ficar assim para sempre, por causa do meu pai? É por isso que não vou ter filhos. Meu pai foi embora, e agora eu penso que todas as outras pessoas vão, também. Não é que seja mentira isso, porque todo mundo vai embora, sim, mas eu tenho que aprender a aproveitar enquanto as pessoas estão aqui. Por que ficar esperando o momento em que meu pai vai embora (meu pai aqui é qualquer pessoa que se aproxime de mim), por que não aproveitar enquanto ele ainda está aqui? Tenho que aprender a fazer isso, faz-de-mim. Vou fazer o meu melhor, vou fazer o meu melhor! E um ponto de exclamação para que fique bem claro. É tudo tão dramático. Será que é verdade? Eu sou assim mesmo? Ou sou só eu, eu e eu? Sou só eu. Não sou assim, tudo isso de drama. Sou só eu. Eu sou tudo isso, e me aceito com tudo isso, e me quero com tudo isso, e não aceito de outra forma. Pai é uma coisa estranha. Eu não sei se amo meu pai. Acho que sim. Apesar de tudo, todo mundo ama os pais, e, se falta um, amamos mesmo assim. E agora são 1:47. Dez minutos se passaram. Eu estou bem melhor. Adoro essa música aqui, também. Minhas costas estão coçando. Tudo continua em silêncio, exceto pelo tlac tlic do meu teclado.
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