Mais um texto encontrado por acaso (e, minutos atrás, com um pouco de dificuldade) no meu caderno. Escrito há alguns meses.
Acabou o leite.
Acabou o leite.
É porque o meu sabonete acabou.
E o sonho que eu tive não muda nada.
Não, não muda absolutamente nada dentro de mim.
As lágrimas que eu já derramei ao longo desses sei lá quantos anos, 12, 15, 14, quem está contando?
E as que eu derramei hoje de manhã, os sentimentos do sonho, e as lágrimas causadas por esses sentimentos, quem conta?
QUEM ESTÁ CONTANDO?
Nunca fui amada por homem nenhum.
Nem meu pai foi capaz de me amar.
Nem você, nem os outros serão capazes.
Eu tenho um vazio que você sozinho não cobre.
Um vazio que vai daqui até o oceano, daqui até o outro lado dessa bosta de mundo.
Ele é como o Universo, sempre em expansão.
Um dia ele vai explodir, BIG BANG, e tudo vai ser engolido num branco total, neste papel, num branco que de tão vazio, não é branco, e todos vão ver e ouvir o VAZIO dentro de mim.
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
VAZIO VAZIO
Ele grita, ele grita: VAZIO!
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário